Ano
IX
Nº 337
Texto
publicado
na revista Super, edição de março de 2004
Leia
também:
Os
novos índios
Outras
reportagens
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Continuação
da reportagem Os novos índios
|
A
tribo dos brancos
Profissionais
abnegados ensinam os índios do Xingu a enfrentar o perigo
Por Jomar Morais |
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O
balanço dos dois dias de atividade no Parque do Xingu
surpreendeu a equipe do Instituto da Visão e seus
convidados. “É positivo constatar que entre os índios não
há patologias visuais sérias, como o glaucoma”, diz
Kevin Buehler, executivo do laboratório americano Alcon
International, parceiro do Instituto. Mesmo o aumento dos
casos de miopia, comparado ao que ocorria há meio século,
esconde uma boa notícia, segundo o médico Rubens Belfort:
os índios estão vivendo mais, pois esse tipo de deficiência
costuma aparecer após os 40 anos de idade. No período, a média
de vida no Xingu saltou de
pouco mais de 30 anos para 50 anos. A taxa de
natalidade na reserva, de 5% ao ano, é mais alta do que no
resto do país. |

Rubens
Belfort (esq.) e Ferrioli: óculos para o
cacique Melobô
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Apesar da incidência das chamadas “doenças
da civilização”, hoje os índios são menos vulneráveis
às moléstias, graças à assistência médica e aos
cuidados preventivos. Boa parte das aldeias já utiliza água
de poço, tratada.
Contribuiu
para essas conquistas uma tribo de brancos que deixaram para
trás o conforto e a possibilidade de maiores ganhos nos
centros urbanos. São agrônomos, professores de português
– a língua do entendimento num lugar onde cada etnia tem
o seu próprio idioma – e, principalmente, os
profissionais da saúde.
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A cada três meses, médicos e
estudantes da Escola Paulista de Medicina se revezam no
Xingu, morando em malocas de chão batido, como a sua
clientela. Jovens dentistas, como Samuel Ferreira Júnior,
24 anos, de Lins (SP), improvisam sob palhoças consultórios
onde, devido à ausência de força elétrica, ressurgem os
temidos boticões do passado e obturações são realizadas
com o uso de curetas (instrumento cirúrgico de raspagem). |

O
dentista Samuel:
o boticão no Xingu
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Toda
essa gente está no Parque do Xingu por livre opção.
Alguns até casaram na selva e têm filhos que dividiram a
infância com os meninos índios, aprendendo com estes as
artes de manusear o arco e a flecha, pescar e caçar. O médico
Douglas Rodrigues, um paulistano de 47 anos, é um desses
abnegados. Por que Douglas preferiu atuar nos confins de uma
reserva indígena, em vez de tentar a ascensão profissional
na metrópole? “Por ideal”, ele responde, sorrindo.
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