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WALTER
MEDEIROS |
27/12/08
E
por falar em saudade...
A
jornalista e professora Nadja Lyra, coordenadora pedagógica da Escola
Municipal Santa Catarina, localizada no conjunto que tem este mesmo
nome, convidou-me para proferir a Aula da Saudade dos alunos do 5º
ano e sugeriu que falasse sobre “Saudade”.
Que coisa! Passei uma semana refletindo sobre esse tema tão
fascinante, a partir de experiências próprias e versos dos poetas e
músicos que tanto mexem com o nosso coração.
De
cara fui logo aos anos 50, quando aprendia a ler no Grupo Escolar
Professor Demócrito Gracindo (homenagem ao pai de Paulo Gracindo) em
Mata Grande, cidade do alto sertão de Alagoas aonde meu pai foi parar
matando mosquito da dengue, após passar pela guerra sem matar nenhum
alemão. Depois que aprendi a juntar as letras e sílabas, era belo
entender o que estava escrito no pára-choque branco do caminhão de
Nezinho, meu vizinho: “A saudade me fez voltar”. Ficava imaginando
a saudade que ele sentia a cada viagem que fazia com aquelas cargas
altas de antigamente.
Em seguida, veio à mente um verso que não poderia deixar de citar na
aula: “Itabira é apenas uma fotografia na parede / mas como dói!”,
escrito por Drummond no seu poema “Confidências de Itabirano”.
E o significado da palavra – substantivo feminino abstrato -
segundo Aurélio: “Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave,
de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de
tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.”
Aí veio mais uma coisa interessante para aumentar a saudade, que
tanto espaço ocupa nesse mundo: ela tem um dia para ser lembrada e
comemorada. O Dia da Saudade – 30 de janeiro. Para lembrar que essa
palavra não tem similar em nenhuma outra língua e que espanhóis,
ingleses, franceses, alemães e outros tentam expressar o sentimento
de falta com frases inteiras, tipo “ich vermisse dish” (alemães).
Aquela platéia me reconduzia mesmo era à minha sala de aula, onde
Professora Josefina Canuto me ensinava e, depois, no Externato
Saturnino – já em Natal, a professora Maria das Neves trazia
novidades. Coincidentemente a professora de uma das turmas se chama
Neves. Impossível não lembrar de Ataulfo Alves, exclamando: “Que
saudade da professorinha / que me ensinou o be-a-bá!”.
Para falar de saudade não poderia deixar de citar o Fado – gênero
que tanto me toca e que tocou até Roberto Carlos, ao cantar Coimbra:
“Aprende-se a dizer saudade”. Fernando Pessoa, em texto saudoso:
“Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão:
quem são aquelas pessoas? Diremos... Que eram nossos amigos. E...
isso vai doer tanto!” E é claro que citei Casimiro de Abreu , cujos
poemas eu os tinha decorados, e que versificou sua saudade da infância:
"Oh! que saudades que eu tenho / Da aurora da minha vida / Da
minha infância querida / Que os anos não trazem mais!".
Agora
estou, sem dúvida, com uma saudade a mais.
Quer falar comigo?
walterm.nat@terra.com.br
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