Ano VIII
Nº 328
Texto
publicado
na revista Super, edição de abril de 2003
Outras
reportagens
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O
mistério da vida
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O
enigma da vida é um pontos de maior discordância
entre os cientistas, mas novas descobertas nas
profundezas da Terra e na intimidade de seres
microscópicos começam a dar respostas inusitadas
para a velha questão
Por Jomar Morais |
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Quem
passa pela avenida Paulista, no centro de São Paulo,
certamente já deve ter notado. Bem ali, no mínimo espaço
que restou entre os granitos do meio-fio, diariamente brotam
ervas verdejantes que, não raro, ameaçam esparramar-se pela
avenida aproveitando pequenas falhas na pavimentação. Em
pleno corredor de concreto e asfalto que simboliza a
arquitetura e a agitação da maior metrópole brasileira, a
vida insiste em romper o cenário inanimado de uma forma tão
simples quanto inevitável. Afinal, até no meio da Quinta
Avenida de Nova York, espécie de coração de concreto da
civilização, há algum tempo uma flor conseguiu desabrochar
e sobreviver à fúria do tráfego e da indiferença humana,
tornando-se símbolo da misteriosa teimosia que impõe a vida
praticamente em cada centímetro da Terra.
Há
beleza e poesia no fato de capim e flores romperem a dureza
das cidades, mas que tal imaginar outro cenário? Pense na
inóspita região do fundo dos oceanos, um país de águas
ferventes, aquecidas e envenenadas constantemente por
compostos sulfúricos, o cádmio e o arsênico liberados pelo
magma, o coquetel de metais liqüefeitos que jorra das camadas
profundas do planeta. A temperatura tão alta – mais de 400
graus -, um ovo poderia ser cozido em segundos e toda a fauna
e a flora conhecidas na superfície não resistiriam. Mas
acredite: existem micróbios nessa área infernal, formando
colônias de estranhos seres que se alimentam de substâncias
altamente tóxicas na tênue linha que separa a vida da
não-vida. E há surpresas também no outro extremo, nas
águas gélidas das regiões polares. Amostras de gelo
retiradas do fundo do lago Vostok, na Antártica, revelaram a
presença de inúmeros microorganismos, derrubando assim o
antigo consenso dos cientistas de que nenhum tipo de vida
poderia prosperar em local tão frio e tão carente de
nutrientes.
A
vida é um fenômeno impressionante – e, como veremos, ainda
muito misterioso. Após séculos de estudos e centenas de
teorias, nenhuma convergência conceitual ou concordância
geral sobre sua origem foram estabelecidas no âmbito da
ciência, detalhe compreensível face a própria
impossibilidade de se reproduzir em laboratório as
condições reais da Terra primitiva e de se colocar sob
controle eventos que, por enquanto, constituem a substância
da especulação filosófica e da religião. "A mais
complicada máquina inventada pelo homem não passa de
brinquedo diante do mais simples organismo", escreveu o
biólogo americano George Wald, laureado com o prêmio Nobel
de Medicina, pouco antes de morrer há cinco anos. "A
maior dificuldade está na minuciosa ajustagem de uma
molécula na outra, proeza que não está ao alcance de nenhum
químico". Ainda assim, pesquisas recentes nos campos da
biologia e da paleontologia resultaram em descobertas que
podem mudar radicalmente tudo o que aprendemos até agora
sobre a vida, seu começo e sua razão de ser.
Em
primeiro lugar, é preciso levar em conta que, a exemplo da
matéria inanimada, cujo conhecimento de suas manifestações
no mundo subatômico subverteu muitas verdades da física
clássica, no século passado, a matéria viva parece reservar
surpresas inimagináveis à medida que ampliamos o acesso a
suas ocorrências infinitesimais. Nesse caso, as fronteiras do
que chamamos vida se alargam e se tornam quase imperceptíveis
na direção da substância bruta. Quando falam de
microorganismos vivendo sob temperaturas extremas, em regiões
abissais, os pesquisadores podem causar impacto, mas na
verdade eles ainda estão se referindo a formas de vida
superiores, comparadas aos seres que teriam habitado a Terra
primitiva. Bactérias e vírus são bem mais complexos e
sofisticados do que os chamados archaea (de arcaico), os
exemplares vivos mais antigos de que se tem notícia. E estão
há anos luz de distância dos sistemas rudimentares que um
dia desenvolveram a capacidade de replicação – uma das
principais características dos seres vivos - nas entranhas
das rochas, segundo as teorias mais recentes.
São
muitas as definições de vida, a maioria vaga e insuficiente,
como a que consta nos dicionários: um conjunto de
propriedades graças às quais animais e plantas se mantêm em
atividade. Mas o que é mesmo esse evento singular? A vida é
um sistema químico auto-sustentado capaz de uma evolução
darwiniana, por mutação aleatória, concorda a maioria dos
cientistas. Mas esta é também uma explicação limitada,
afirma o pesquisador Arnaldo Naves de Brito, do Laboratório
Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas (SP), atualmente
envolvido em um estudo avançado sobre a formação dos "tijolos
da vida", os compostos orgânicos mais simples. "É
possível que tenha existido uma vida celular primitiva,
baseada em proteínas, que ainda não tinha desenvolvido a
forma de replicação dos seres vivos atuais, baseada em
ácidos nucleicos", diz Arnaldo. "Tais células não
teriam sido capazes de uma evolução darwiniana." Nas
últimas décadas, seres extremamente simples foram achados em
reentrâncias de rochas, em pequenas bolhas de água quente
cinco vezes mais salgada que a do mar e em poças de ácidos e
metais pesados, inclusive com radiações. E os testes
realizados não deixam dúvidas: eles apareceram há pelo
menos 4 bilhões de anos, um tempo mais remoto do que o
imaginado antes para a origem da vida no planeta.
Segundo
uma nova teoria formulada pelos pesquisadores William Martin,
da Universidade Heinrich-Heine, de Düsseldorf, na Alemanha, e
Michael Russel, do Centro de Estudos Ambientais de Glasgow, na
Escócia, os seres vivos tiveram o seu ponto de partida em
"sistemas inorgânicos" configurados como pequenos
compartimentos de rochas com ferro e sulfeto (sal que contém
enxofre e sem oxigênio),o que vira de cabeça para baixo boa
parte das teorias em uso. Até aqui acreditava-se que a vida
teria se iniciado de reações químicas precipitadas pelo
calor do sol e por tempestades elétricas na atmosfera
primitiva, ainda pobre em oxigênio. O processo teria
produzido moléculas simples – principalmente aminoácidos
– que constituiram a "sopa primordial" dos oceanos
e lagos onde, mais tarde, seriam sintetizadas as proteínas,
gorduras e carboidratos dos primeiros seres unicelulares. As
moléculas orgânicas, portanto, teriam precedido a formação
celular. Mas a teoria de Martin e Russel inverte essa ordem,
considerando que "células inorgânicas" antecederam
as moléculas orgânicas e incubaram a vida, como sugere os
sistemas de ferro e sulfeto. "Confinados nesses
compartimentos, os compostos sulfúricos brotados da crosta
fundo do mar tornaram-se concentrados e assim puderam acelerar
as reações químicas que produziram moléculas complexas,
como as proteínas e o material genético," diz Martin. O
cientista agora se esforça para recriar essas condições em
laboratório.
Uma
das implicações dessa nova conjetura é que, se ela estiver
correta, então é possível a ocorrência de vida em outros
planetas onde, aparentemente, a aridez, as temperaturas
extremas e a abundância de gases tóxicos sinalizavam o
contrário até há pouco. Ela também golpeia, ainda que
parcialmente, a idéia de que a vida terráquea originou-se no
espaço, tendo sido semeada por meteoritos com germes de seres
alienígenas que aqui evoluíram sob novas condições. Na
verdade, a hipótese extraterrestre não foi descartada.
"Vale a pena lembrar que grande parte da água na Terra
veio do espaço, através do bombardeio de meteoritos e
cometas há cerca de 4 bilhões de anos", diz Arnaldo.
"E junto com a água poderia ter vindo os primórdios dos
seres vivos". Além disso, os fragmentos de astros que
continuam caindo sobre a Terra apresentam substâncias
orgânicas, como aminoácidos e bases nitrogenadas. A maioria
dos cientistas, porém, nunca apostou nessa suposição, entre
outros motivos, por que o aquecimento de qualquer corpo
celeste que entrasse na atmosfera seria tão elevado que
destruiria qualquer forma de vida como a conhecemos. O mais
provável é que os seres vivos tenham surgido espontaneamente
sobre o planeta, por meio da evolução química de
substâncias inanimadas, como sugere a viagem retrospectiva
proporcionada pelos archaea.
A
existência dessas criaturas microscópicas foi confirmada, na
década passada, durante prospecções realizadas em rochas
vulcânicas do estado de Idaho, nos Estados Unidos, e em minas
da África do Sul, a mais de 2 400 metros de profundidade. Os
archaea compõem um reino biológico próprio, diferente dos
das bactérias, classificadas como seres procariontes (organismos
formados por uma única célula sem membrana nuclear) e das
demais formas vivas, incluindo fungos, plantas e humanos,
classificadas como eucariontes (formados por uma ou muitas
células providas de membrana nuclear). Eles se alimentam de
hidrogênio, compostos sulfúricos, manganês e outros metais
pesados e dispensam totalmente a fotossíntese e a luz solar
como fonte de energia. "Os archaea prepararam a base da
vida, oxidando derivados de enxofre, metano, ferro e outros
metais", diz John Baross, da Escola de Oceanografia da
Universidade de Washington. Sua descoberta abalou antigas
hipóteses, entre as quais a suposição de Charles Darwin e
outros pesquisadores de que o ponto de partida da vida se deu
na superfície de mares e lagos ricos em nutrientes.
A
idéia de que a vida brota da matéria inanimada não é
exatamente uma novidade. A diferença é que a nova
concepção de geração espontânea por evolução parte de
um raciocínio bem diverso das fantasias que sustentaram, por
mais de 2 200 anos, uma tosca teoria sobre a origem dos seres
vivos. De Aristóteles, na Grécia antiga, até a primeira
metade do século XIX, imaginou-se que animais complexos, como
moscas, sapos e ratos, podiam ser gerados no meio do lixo, da
matéria orgânica em decomposição e da lama. No século
XVII, o naturalista belga Jan Baptiste van Helmont chegou
mesmo a difundir na Europa uma receita para a produção de
ratos e escorpiões a partir de uma camisa suada, germe de
trigo e queijo. A idéia começou a ruir quando, na mesma
época, o italiano Francesco Redi demonstrou em uma
experiência simples que larvas de moscas só surgiam em carne
podre quando esta ficava exposta a moscas adultas, que ali
depositavam seus ovos. A carne acomodada em frascos tampados
com gaze jamais geravam larvas, que neste caso apareciam sobre
a gaze, onde moscas adultas tinham pousado. Os estudos do
químico francês Louis Pasteur sobre bactérias, que deram
início à microbiologia, sepultaram a velha crença por volta
de 1860.
A
moderna teoria da geração espontânea começou com algumas
pistas levantadas ainda no século XIX, quando algumas
substâncias orgânicas, como a uréia, foram sintetizadas
pela primeira vez em laboratório. Então, logo surgiu a
pergunta óbvia: e se pudéssemos reproduzir as condições
ambientais da Terra primitiva não seria possível fabricar
moléculas orgânicas complexas, como o fez a natureza? A
constatação de que todos os seres vivos possuem os mesmos
blocos construtores – açúcares simples, gorduras, 20 tipos
de aminoácidos, quatro nucleotídeos de DNA e quatro de RNA
– atiçou definitivamente essa idéia, fundamental na
hipótese apresentada pelo bioquímico russo Aleksandr Oparin
no livro A Origem da Vida, em 1936.
De
acordo com Oparin, aminoácidos e outros compostos foram
produzidos numa atmosfera composta de amônia, metano,
hidrogêneo e vapor d´água, em reações catalisadas por
radiações ultravioleta e descargas elétricas das
tempestades. Tais moléculas, inicialmente precipitadas sobre
rochas ardentes, foram depois arrastadas pela chuva para os
mares, onde o choque contínuo entre elas deu origem a
moléculas maiores (os coacervados) que, por sua vez, em algum
momento do processo teriam alcançado a organização
necessária para replicar-se. As primeiras moléculas não se
dissolveram na água porque, com raríssimas exceções, as
moléculas de vida formam colóides, substâncias de lenta
dissolução e dispersão devido a um fenômeno de natureza
elétrica. Parte da teoria de Oparin foi testada em
laboratório, em 1953. Na época, o químico americano Stanley
Miller, então estudante na Universidade de Chicago, recriou a
provável atmosfera primitiva e, após bombardear a mistura de
gases durante uma semana com fortes descargas elétricas,
conseguiu produzir aminoácidos. Experiências seguintes
testaram também os efeitos do calor e dos raios ultravioletas,
mas a sucessão de descobertas e teorias das últimas décadas
mostraram que a atmosfera original não era exatamente igual
à imaginada por Oparin (não havia nela amônia nem metano) e
a conjetura voltou ao saco das versões, apesar de seu peso
considerável.
Idéias
recentes realçam a importância do barro - um elemento
presente no relato mitológico da criação, na Bíblia - na
consolidação da vida na Terra. A argila seria a chave do
mistério de como compostos orgânicos simples saltaram para a
condição de material genético auto-replicante, afirma o
químico Graham Cairns-Smith, da Universidade de Glasgow. Na
verdade, segundo Cairns-Smith, o barro teria sido a primeira
substância genética, que ele chama de cristal-gene. Como se
sabe, cristais, inclusive os de barro, são auto-replicantes.
E se a auto-replicação é um traço fundamental dos seres
vivos, então dá para admitir que a vida pode ter recebido um
empurrãozinho daquelas substâncias inorgânicas para obter
suas primeiras cópias. Alguns biólogos acham que a argila
foi o meio onde se formaram moléculas de RNA (o ácido
ribonucleico, que transcreve e traduz a informação genética),
durante reações que permitiram o aparecimento de ligações
simples entre aminoácidos. Suspeita-se que o RNA foi a
primeira partícula informacional, anterior ao DNA (ácido
desoxirribonucleico), por ser ele dotado de uma importante
atividade catalítica: é possível obter-se fitas de RNA
idêntico a partir de um molde de RNA e de nucleotídeos. Os
genes nus dos primórdios da vida teriam depois se fixado em
estruturas maiores, como os coacervados de Oparin.
A
química do planeta forçou a vida a evoluir ao longo de uma
progressão previsível, afirmam agora os cientistas Robert
Williams, da Universidade Oxford, na Inglaterra, e João José
Fraústo da Silva, da Universidade Técnica de Lisboa. As
reações redutivas levaram as células primitivas a extrair
hidrogênio da água, liberando o oxigênio e tornando o
ambiente mais oxidante, enquanto a amônia se transformava em
nitrogênio e metais eram liberados de seus sulfitos. Com isso,
tais células se adaptaram ao uso de elementos oxidados e
evoluíram para acumular energia por meio da fixação do
nitrogênio, com o uso do oxigênio, desenvolvendo, enfim, a
capacidade de fotossíntese.
Foi
a reação da vida ao ambiente oxidado que conduziu o processo
de formação de animais e plantas superiores, dizem Williams
e Silva. O peróxido de hidrogênio, por exemplo, levou ao
surgimento da lignina - substância rica em oxigênio que é o
principal constituinte da madeira - e o cobre oxidado dos
sulfitos de cobre foi usado pelas células para gerar
ligações entre proteínas como o colágeno e a actina, que
contribuem para manter os nervos e as células dos músculos
em seus lugares. "O acaso pode até conduzir o
desenvolvimento das espécies, mas não conduz a evolução em
geral", diz Williams. "O que a vida joga fora se
torna a coisa que força o passo seguinte em seu
desenvolvimento".
Quem
faz pesquisa de ponta, seja na microbiologia ou na física,
não esconde a surpresa diante da precisão matemática dos
processos e das convergências que contribuiram para o
aparecimento da vida na Terra e, ao que tudo indica, no
universo. Pergunte-se ao físico e astrônomo inglês Martin
Rees, um dos defensores da tese do multiverso, segundo a qual
o nosso é apenas um em uma série incalculável de universos
existentes em diferentes dimensões de espaço e tempo. Para
Rees, a vida, tal como a conhecemos, só se tornou possível
graças à ínfima diferença de 0.001% respeitada pela
natureza desde as explosões primordiais do cosmo. Na
combustão das estrelas, afirma o astrônomo, quando o
hidrogênio e o hélio se fundem, só 0.007 da massa do hélio
é transformada em energia - e é isso o que permite a
química da vida. Se fossem transformados 0.006 da massa, os
dois prótons e dois neutrons que constituem o núcleo desse
elemento, fundamental à formação de planetas e seres vivos,
não se uniriam e o universo não saberia o que fazer apenas
com o hidrogênio. Já se o volume da massa transformada fosse
um pouquinho maior - apenas 0.008 - a fusão entre o hélio e
o hidrogênio seria tão rápida que nenhum átomo de
hidrogênio teria resistido às explosões da época do Big
Bang e o aparecimento de sistemas solares e da vida também
seria inviabilizado.
Outro
capricho da natureza a favor da vida é o alvo atual de
Arnaldo Naves de Brito, no Laboratório Nacional de Luz
Síncrotron. O cientista brasileiro quer explicar por que
todas as moléculas vivas são "canhotas",
classificação decorrente da chamada quiralidade - o fato de
as moléculas de carbono que constituem os aminoácidos
apresentarem-se em duas versões espelhadas. Para entender o
que isso significa, basta olhar para as duas palmas das mãos.
Elas são praticamente idênticas, exceto pelo detalhe de os
polegares apontarem para lados opostos e os demais dedos de
uma mão obedecerem a uma formação invertida em relação
aos da outra. O enigma é que na Terra primitiva (e também
nas experiências de laboratório) os aminoácidos apareceram
nas duas formas espelhadas, a canhota e a destra, mas só uma
delas é utilizada na composição dos seres vivos. "A
origem da vida está intimamente ligada à origem da
homoquiralidade molecular, ou seja, ao fato de toda a vida no
planeta conter somente aminoácidos canhotos", diz
Arnaldo. Vários estudiosos do fenômeno, inclusive Arnaldo,
acreditam que o único mecanismo viável para o surgimento da
homoquiralidade seria a incidência de um tipo especial de luz
- a luz circularmente polarizada (LCP) - que gera um processo
de fotólise assimétrica, com destruição preferencial das
moléculas "destras". Formas de LCP alcançam a
Terra todos os dias, no nascer e no pôr do sol, e está
presente na luz síncrotron, espécie de radiação
ultravioleta canhota proveniente da explosão de supernovas.
Qualquer
que venha a ser o desfecho para questões como estas,
provavelmente ainda por muito tempo ou, quem sabe?, o tempo
todo uma pergunta continuará no ar, à espera de uma resposta
entre tantas suposições: por que há vida? Qual o seu
propósito? Talvez aquilo que chamamos vida seja o resultado
da permanente busca de equilíbrio da natureza, conjeturam o
biólogo americano Eric Schneider e seu companheiro na
pesquisa de ecossistemas James Kay, um engenheiro de sistemas.
Mas não seria a vida algo escancaradamente fora de
equilíbrio? Nossas moléculas não se agitam permanentemente
nas ondas de calor dos processos químicos? É verdade, mas os
seres vivos não são sistemas fechados e interagem com o
resto do universo, buscandoa estabilidade. A vida usa qualquer
mecanismo à sua disposição para mover-se em direção ao
equilíbrio, afirmam Schneider e Kay. E isso inclui a
criação de sistemas mais complexos, como plantas e animais
superiores.
Faz
sentido? Pode ser que sim. No entanto, em um campo de estudo
naturalmente polêmico, onde dificilmente se encontram duas
cabeças pensando na mesma direção, só o tempo pode apontar
quem está com a razão. Até lá, cenas singelas como as
ervas da Paulista e a flor solitária da Quinta Avenida
continuarão sendo bons pretextos para que nos lembremos da
imponência da vida e de sua enternecedora beleza.
PARA
LER MAIS:
Na
Livraria:
Things
come to life,
Henry Harris, Oxford University Press, Nova York, EUA, 2002
Na
Internet:
www.ib.usp.br/~crebs/ovet
www.icb.ufmg.br/~franc/cool/ciencia/origemdavida.htm
http://members.tripod.com/ñetopedia/biolog/origem.htm
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