Empregada no
país há quase 60 anos, a vacina contra a febre amarela
assusta por seus fortes efeitos colaterais
O
hábito de vacinar populações no Brasil começou com uma
enorme confusão – a chamada "guerra da vacina".
Em 1904, assustados com o boato de que a injeção
transmitia sífilis, milhares de cariocas montaram
barricadas nas ruas do Rio de Janeiro para evitar a
vacinação obrigatória contra a varíola. A casa do
bacteriologista Oswaldo Cruz, que dirigia o programa
sanitário, chegou a ser alvo de tiros e, temendo o
agravamento dos protestos, o governo recuou. Desde então,
nenhum outro fato grave tinha abalado as campanhas de
imunização no país até dezembro de 1999. Nesse mês, a
Fundação Nacional de Saúde (Funasa) anunciou a morte da
menina Andrielly Lacerda dos Santos, de 5 anos, em Goiânia,
vítima de febre amarela causada pela própria vacina contra
a doença.
Foi o
primeiro caso no mundo, informou a Funasa. Não seria,
contudo, o único transtorno recente envolvendo a vacina,
obrigatória em áreas silvestres do Norte e do Centro-Oeste.
Em janeiro do ano passado, Anizete Alves de Lima, de 28 anos,
morreu em São Desidério, na Bahia, cinco dias após ser
vacinada. Ela apresentava todos os sintomas da febre amarela.
E em 27 de fevereiro outra jovem, Katy Cristina Ramos, de 22
anos, também faleceu em Campinas, no interior paulista,
devido à insuficência hepática e respiratória surgida no
dia seguinte à vacinação. Oficialmente, só a morte da
menina goiana foi associada à vacina, com base em laudo do
Instituto Adolpho Lutz, de São Paulo.
Na região
de Campinas, outro fato chamou a atenção do Centro de
Vigilância Sanitária de São Paulo na mesma época: o
aumento desproporcional de casos de meningite viral após a
vacinação de 2 milhões de pessoas contra a febre amarela.
Foram contabilizados 403 casos em dois meses. Desde 1942,
há registros estatísticos que sugerem a relação entre a
vacina e surtos de meningite no Brasil.