Enquanto
cientistas trocam genes de lugar, uma corrente de produtores
agrícolas e de consumidores faz questão de seguir na
contramão da tecnologia. Seu negócio: plantar e colher, de
um lado, e comprar e consumir, de outro, alimentos produzidos
da forma mais natural possível, sem fertilizantes químicos,
agrotóxicos e, muito menos, modificações genéticas. A
única concessão é o adubo orgânico, como esterco e restos
de vegetais. Nessa direção estão indo algumas empresas de
porte, como o Carrefour, dono de duas fazendas de uva
orgânica no vale do rio São Francisco, na Bahia.
Não é por
acaso que a agricultura orgânica está em alta na Europa,
foco da grande resistência aos transgênicos. No Brasil,
frutas, legumes e verduras cultivados dessa forma conquistam
uma parcela crescente de consumidores e já têm lugar
reservado nas grandes redes de supermercados. Bem, eles
parecem feinhos, às vezes exibem furos feitos por insetos,
mas quem os consome afirma que vale a pena. "São
saborosos e muito mais saudáveis", diz a webdesigner
paulistana Angela Cristina Bermejo.
O gosto amargo desses alimentos
está no preço. Segundo a Associação de Agricultura
Orgânica, sediada em Piracicaba, no estado de São Paulo,
eles podem custar de duas a dez vezes mais que os similares
produzidos à base de tecnologia. Mesmo assim, a pequena
produção orgânica brasileira não alcança a demanda – na
verdade, quase tudo é exportado para a Europa e os Estados
Unidos. "Interessante é ver que os estrangeiros, que
inventaram os transgênicos, na hora de comer preferem os
orgânicos", ironiza Ricardo Cerveira, agrônomo da
Associação de Agricultura Orgânica.