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Ano VI // Nº 297

Texto publicado na edição de Novembro de 2000 da revista SUPER

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O barato que custa caro

Milhões de dólares são investidos na produção tecnológica de alimentos. Mas o que sai os olhos da cara são os vegetais que crescem só com sol e chuva

Enquanto cientistas trocam genes de lugar, uma corrente de produtores agrícolas e de consumidores faz questão de seguir na contramão da tecnologia. Seu negócio: plantar e colher, de um lado, e comprar e consumir, de outro, alimentos produzidos da forma mais natural possível, sem fertilizantes químicos, agrotóxicos e, muito menos, modificações genéticas. A única concessão é o adubo orgânico, como esterco e restos de vegetais. Nessa direção estão indo algumas empresas de porte, como o Carrefour, dono de duas fazendas de uva orgânica no vale do rio São Francisco, na Bahia.

Não é por acaso que a agricultura orgânica está em alta na Europa, foco da grande resistência aos transgênicos. No Brasil, frutas, legumes e verduras cultivados dessa forma conquistam uma parcela crescente de consumidores e já têm lugar reservado nas grandes redes de supermercados. Bem, eles parecem feinhos, às vezes exibem furos feitos por insetos, mas quem os consome afirma que vale a pena. "São saborosos e muito mais saudáveis", diz a webdesigner paulistana Angela Cristina Bermejo.

O gosto amargo desses alimentos está no preço. Segundo a Associação de Agricultura Orgânica, sediada em Piracicaba, no estado de São Paulo, eles podem custar de duas a dez vezes mais que os similares produzidos à base de tecnologia. Mesmo assim, a pequena produção orgânica brasileira não alcança a demanda – na verdade, quase tudo é exportado para a Europa e os Estados Unidos. "Interessante é ver que os estrangeiros, que inventaram os transgênicos, na hora de comer preferem os orgânicos", ironiza Ricardo Cerveira, agrônomo da Associação de Agricultura Orgânica.


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jmorais@abril.com.br


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