A engenharia
genética é, antes que tudo, rápida. Rapidíssima. Estima-se
que haja 350 000 espécies vegetais na Terra. Cerca de 1 500
delas são usadas como alimento pelo homem. Em duas décadas
de experiências, os cientistas já conseguiram alterar
geneticamente mais de uma centena de espécies – quase 10%
do conjunto de plantas comestíveis.
Apesar disso,
somente quatro vegetais transgênicos já chegaram às
prateleiras dos supermercados e, por conseguinte, à mesa do
consumidor. São eles: soja, milho, canola e mamão papaia. O
quinto alimento modificado, o arroz dourado concebido por Ingo
Potrykus, é cultivado apenas em campos experimentais, nos
Alpes suíços. O próximo item na lista de produção
comercial de OGMs (Organismo Geneticamente Modificados) é o
algodão.
Certamente
você já consumiu algum dos alimentos citados, ainda que sem
saber. Eles são empregados na fabricação de gêneros
industrializados em 12 países, e no Brasil, pelo menos um
deles - a soja Roundup Ready, da empresa americana Monsanto -
foi detectada em 11 produtos vendidos em supermercados. A
lista inclui importados, como os salgadinhos BacOs, o
macarrão instantâneo Cup Noodles e a bebida ProSobee. E os
brasileiros: Cereal Shake Diet, creme de Milho Knorr,
salsichas Swift tipo Viena, leites Supra Soy Integral,
Nestogeno com soja, Soy Milke, salgados Pringles Original e
McCormick BacÓn Pieces. Por falta de normas oficiais, até
outubro todos eram comercializados sem exibir no rótulo a
informação de que contêm ingredientes transgênicos, uma
das bandeiras das campanhas de grupos como o Instituto de
Defesa do Consumidor (Idec) e o Greenpeace.
Aparentemente, teremos que
conviver cada vez mais com os trangênicos. Cientistas
americanos estudam atualmente 4 500 espécies vegetais com o
objetivo de transformá-las geneticamente. A indústria
biotecnológica americana já obteve licença da FDA, órgão
que controla a fabricação de alimentos e remédios nos
Estados Unidos, para produzir outros 50 tipos de alimentos
geneticamente modificados. Quem viver verá.