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Ano VI // Nº 297

Texto publicado na edição de Novembro de 2000 da revista SUPER

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Futuro alterado

A engenharia genética já deu à luz seis culturas transgênicas. Mas os cientistas preparam a modificação de outras 4 500 espécies 

A engenharia genética é, antes que tudo, rápida. Rapidíssima. Estima-se que haja 350 000 espécies vegetais na Terra. Cerca de 1 500 delas são usadas como alimento pelo homem. Em duas décadas de experiências, os cientistas já conseguiram alterar geneticamente mais de uma centena de espécies – quase 10% do conjunto de plantas comestíveis.

Apesar disso, somente quatro vegetais transgênicos já chegaram às prateleiras dos supermercados e, por conseguinte, à mesa do consumidor. São eles: soja, milho, canola e mamão papaia. O quinto alimento modificado, o arroz dourado concebido por Ingo Potrykus, é cultivado apenas em campos experimentais, nos Alpes suíços. O próximo item na lista de produção comercial de OGMs (Organismo Geneticamente Modificados) é o algodão.

Certamente você já consumiu algum dos alimentos citados, ainda que sem saber. Eles são empregados na fabricação de gêneros industrializados em 12 países, e no Brasil, pelo menos um deles - a soja Roundup Ready, da empresa americana Monsanto - foi detectada em 11 produtos vendidos em supermercados. A lista inclui importados, como os salgadinhos BacOs, o macarrão instantâneo Cup Noodles e a bebida ProSobee. E os brasileiros: Cereal Shake Diet, creme de Milho Knorr, salsichas Swift tipo Viena, leites Supra Soy Integral, Nestogeno com soja, Soy Milke, salgados Pringles Original e McCormick BacÓn Pieces. Por falta de normas oficiais, até outubro todos eram comercializados sem exibir no rótulo a informação de que contêm ingredientes transgênicos, uma das bandeiras das campanhas de grupos como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e o Greenpeace.

Aparentemente, teremos que conviver cada vez mais com os trangênicos. Cientistas americanos estudam atualmente 4 500 espécies vegetais com o objetivo de transformá-las geneticamente. A indústria biotecnológica americana já obteve licença da FDA, órgão que controla a fabricação de alimentos e remédios nos Estados Unidos, para produzir outros 50 tipos de alimentos geneticamente modificados. Quem viver verá.

Envie agora sua mensagem para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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