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Ano VI // Nº 308

Texto publicado na edição de Outubro de 2001 da revista SUPER

 

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Exclusivo:

Roberto Ziemer

 

Adolescência sem fim - complemento

V I O L Ê N C I A   

Por trás da agressividade está a depressão

"o adolescente é muito mais vítima da violência do que seu agente", afirma o terapeuta Eugenio Chipkevitch (*). "Somente 10% dos crimes graves são cometidos por menores de 18 anos. Já a mortalidade por causas violentas no grupo etário de 15 a 24 anos vem aumentando mais do que em outras faixas." A violência juvenil também está associada a um outro transtorno da adolescência: a depressão, síndrome que espelha baixa auto-estima e agressão a si mesmo. Estudo do FBI mostrou que cinco – quase 25% - entre 22 adolescentes autores de tiroteios e assassinatos em escolas americanas, nos últimos 10 anos, praticaram depois suicídio. Outros três planejaram se matar. Todos tinham crises depressivas.

A rebeldia é normal, sobretudo entre os rapazes, cuja explosão do hormônio testosterona nessa fase potencializa as reações agressivas. A violência, porém, tem raízes em desajustes familiares, em problemas sociais como a pobreza e a falta de perspectivas e, mais recentemente, na sobrecarga de estresse a que os jovens são submetidos em uma sociedade ultracompetitiva.

(*) ATENÇÃO: em março de 2002, seis meses após a publicação da reportagem Adolescência sem fim, o médico Eugenio Chipkevitch foi indiciado pela polícia paulista por prática de pedofilia em seu consultório. O acusado está preso, aguardando julgamento.

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