"o
adolescente é muito mais vítima da violência do que seu
agente", afirma o terapeuta Eugenio Chipkevitch (*). "Somente
10% dos crimes graves são cometidos por menores de 18 anos.
Já a mortalidade por causas violentas no grupo etário de
15 a 24 anos vem aumentando mais do que em outras faixas."
A violência juvenil também está associada a um outro
transtorno da adolescência: a depressão, síndrome que
espelha baixa auto-estima e agressão a si mesmo. Estudo do
FBI mostrou que cinco – quase 25% - entre 22 adolescentes
autores de tiroteios e assassinatos em escolas americanas,
nos últimos 10 anos, praticaram depois suicídio. Outros
três planejaram se matar. Todos tinham crises depressivas.
A rebeldia é
normal, sobretudo entre os rapazes, cuja explosão do
hormônio testosterona nessa fase potencializa as reações
agressivas. A violência, porém, tem raízes em desajustes
familiares, em problemas sociais como a pobreza e a falta de
perspectivas e, mais recentemente, na sobrecarga de estresse
a que os jovens são submetidos em uma sociedade
ultracompetitiva.
(*)
ATENÇÃO: em março de 2002, seis meses após a
publicação da reportagem Adolescência sem fim, o médico
Eugenio Chipkevitch foi
indiciado pela polícia paulista por
prática de pedofilia em seu consultório. O acusado está
preso, aguardando julgamento.