Ano
IX
Nº 331
Texto
publicado
na revista Exame - Melhores Maiores, junho de 2003
Outras
reportagens
|
A
diferença do olho no olho
|
A
fórmula de sucesso da potiguar Sat, liderada por
Marcelo
Alecrim, une o controle da grande empresa, a agilidade
da pequena e um jeito único de se relacionar com o
cliente
Por
Jomar Morais, com foto de Luis Morais |

|
A
Satélite
Distribuidora de Petróleo, Sat, a melhor empresa de comércio
varejista no Norte e Nordeste, tem apenas sete anos, mas exibe
uma relação de conquistas de causar inveja
a muitas veteranas. Antes do título atual, a Sat levou
o prêmio de melhor do país em seu setor, na MELHORES E
MAIORES de 2001, figurou no Guia EXAME As 100
Melhores Empresas para Você Trabalhar no ano passado e
arrebatou outros dois prêmios nacionais. Em 2002, com receita
de 261,7 milhões de dólares, a SAT cresceu 19%, o maior índice
alcançado por uma empresa comercial na região. Desde 1999,
quando passou as e projetar por sua gestão inovadora, a Sat
dobrou o faturamento e o volume de combustível
comercializado, aumentou em 50% o número de postos com a sua
bandeira, consolidou-se no mercado de lubrificantes e adotou
os mesmos sistemas de controle, capacitação profissional e
qualidade de vida no trabalho de empresas maiores.
Nada
disso, porém, tem mais peso que o estilo de marketing de
relacionamento regionalista e desinibido, implantado no início
por Marcelo Alecrim, fundador e presidente da distribuidora.
É a esse traço do DNA da Sat que ele atribui a maior
contribuição para a escalada de sucesso que vem marcando a
trajetória da empresa. “Na sala da presidência só chegam
elogios. É preciso ir lá fora para descobrir erros e corrigí-los”,
diz Marcelo. Apesar de contar agora com a ajuda de um
ombudsman, de uma equipe de supervisores com autonomia para
resolver a maioria dos problemas e de um call center que
oferece atendimento personalizado à rede de 438 postos em 11
estados, ele continua usando assiduamente um avião Sêneca
para percorrer a região e manter conversas olho-no-olho, seu
jeito preferido de avaliar o nível de satisfação do cliente
e resolver pendências. “Para o cliente das pequenas cidades
faz toda a diferença falar com o dono, ligar para o celular
do presidente da empresa e ser atendido”, afirma Marcelo.
O
interior é um filão que garante à Sat 7% do mercado
regional de combustíveis e 6% do de lubrificantes com a marca
própria Satlub, utilizada em 21 produtos para motores de
automóveis, caminhões, motocicletas e sistemas hidráulicos.
A Sat é uma das qu emais crescem em seu setor apostando num
alvo que concentra 90% dos negócios: as pequenas cidades
abandonadas na década de 1990 pelas grandes distribuidoras.
Para este ano, a meta é ampliar a rede em 30% sem aumentar o
custo fixo, graças ao baixo capital necessário para a
abertura de um posto de combustível no interior (a Sat entra
com os equipamentos, o design e um pequeno capital de giro),
comparado a um empreendimento do gênero na cidade grande. A
empresa espera um crescimento proporcional do volume de vendas
– atualmente 2,5 milhões de litros de combustível por dia
– e do faturamento, mas considera esta uma estimativa pouco
precisa em razão da conjuntura econômica.
Marcelo
está empenhado num esforço para superar os efeitos dos dois
principais obstáculos a seus planos de expansão. O primeiro
é a retração que vem derrubando as vendas de combustível e
restringe um mercado já saturado pela presença de 250
distribuidoras e mais de 30 000 postos revendedores no país.
O outro é o dumping que, segundo Marcelo, estaria sendo
praticado pelas gigantes do setor, dispostas a recuperar a
fatia de mercado perdida para as distribuidoras médias e
pequenas nos últimos anos. Existe ainda outro complicador: os
juros altos que asfixiam as distribuidoras sem acesso a linhas
de crédito externo de longo prazo em dólar, a juros de 6% ao
ano, e têm que se submeter a financiamentos de curto prazo em
reais, pagando juros de 32% ano.
“O
panorama não é tranqüilo, mas estamos preparados para
atravessar a turbulência crescendo”, afirma Marcelo.
“Conseguimos aplicar com êxito os métodos de controle e
qualidade das grandes distribuidoras no ambiente ágil de uma
empresa pequena que tem o cliente como parceiro”. Para
enfrentar os novos desafios, além de apostar em tecnologia e
gestão profissional, a Sat investiu parte dos lucros
generosos obtidos após a liberação dos preços dos combustíveis
na formação e treinamento de pessoal e no reconhecimento do
valor de seus funcionários. A maioria dos cargos de gerência
é hoje ocupada por gente que começou na empresa. Entre
outros benefícios, foi implantado um plano de previdência
privada que abrange todos os níveis funcionais e também um
programa de participação nos lucros e resultados que, no ano
passado, permitiu o pagamento de dois salários extras. São
providências que se somam às práticas intuitivas do
presidente da Sat para estabelecer um relacionamento intimista
com os empregados e levá-los vestir a camisa da companhia, aí
incluído o tradicional café da manhã com os motoristas de
caminhões-tanque. É nessa ocasião que Marcelo, que começou
no ramo dirigindo seu próprio caminhão-tanque, transmite sua
experiência e recolhe informações que o ajudam na abordagem
dos clientes.
Com
uma equipe motivada fica mais fácil sedimentar o foco em
qualidade a partir dos franqueados, hoje uma obsessão na Sat.
Acabou o tempo dos postos semuniformidade, de aparência
modesta. Está sendo montado um livro padrão para os
franqueados contendo informações sobre construção, escolha
de material e lay-outs para postos de cidade e estrada.
Equipes de supervisores e instrutores percorrem continuamente
os nove estados nordestinos, o Pará e o Tocantins, onde há
pontos da rede, para treinar gerentes de postos e frentistas
sobre como se dirigir ao cliente, oferecer os
produtos e manter o estabelecimento limpo e confortável.
Durante os treinamentos são exibidos documentários em vídeo
e distribuídos manuais (o do frentista em forma de revista em
quadrinho) com dicas de vendas e bom atendimento.
Em
junho, a companhia comemorou os sete anos de atividade lançando
sua primeira campanha de venda com foco no consumidor final
– uma campanha de premiações do tipo raspe e ganhe -,
veiculada na mídia eletrônica regional e no horário nobre
da Rede Globo. Sinal dos tempos. Presente em mais de um terço
dos estados brasileiros, a Sat tem sede de expansão, mas,
segundo Marcelo, a intenção é crescer em regiões
assemelhadas ao Nordeste, onde a distribuidora possa aplicar a
fórmula de sucesso consolidada. Muito em breve, o slogan
“Sat, o combustível do Nordeste” terá de ser aposentado.
|