
Ano
V // Nº 282
Texto
publicado na edição de 12 de janeiro de 2000 da
revista Exame
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Elixir
da vida longa
Qual é a
fórmula da marca centenária?
Por
JOMAR MORAIS, de Recife
O que há em
comum entre a General Eletric, a gigante
americana que fatura 100 bilhões de dólares com
uma gama de produtos e serviços baseados em alta
tecnologia, e o Laboratório Pernambucano Ltda, o
Laperli, modesta indústria de Recife que fatura
2,5 milhões de reais produzindo remédios à
base de plantas medicinais do Nordeste?
Aparentemente, nada. Mas só aparentemente.
Apesar da distância astronômica que as separam
quando o assunto é números, as duas empresas
fazem parte de um mesmo e seleto clube
internacio-nal: o das organizações cujas marcas
atravessaram o século XX, sobrevivendo a um
período de invenções e mudanças sem
precedentes na história da humanidade. É uma
proeza e tanto, especialmente se se leva em conta
o rítmo antropofágico da economia globalizada,
nos últimos anos. Surpreende também o detalhe
de a grife brasileira ter chegado lá sem ter
despendido sequer a milionésima parte dos
investimentos bilionários que sustentaram outros
nomes centenários. A saga da GE, herdeira da
criatividade de Thomas Edson, o inventor do
fonógrafo e da lâmpada incandescente, todos
conhecem. Coube, porém, a um certo Elixir
Sanativo, produto fitoterápico concebido há 111
anos por um curandeiro de Limoeiro, no interior
de Pernambuco, inscrever o Laperli entre os donos
das marcas mais longevas do planeta.
Mistura de extratos de angico, aroeira, camapu e
mandacaru, vegetais comuns na caatinga, o
remédio teve sua eficácia comprovada
cientificamente ainda 1888, em exame realizado
pela Inspetoria Geral de Higiene da França.
Desde então, o Sanativo é utilizado como
cicatrizante, antihemorrágico e bálsamo no
tratamento de cortes, extrações de dentes,
queimaduras, herpes e infecções da boca, como
as incômodas aftas.
No Nordeste, o velho elixir é um dos campeões
de vendas em farmácias populares, além de ter
boa penetração na classe média e entre
dentistas da região. Mas há ainda um longo
caminho a ser percorrido pelo produto, se quiser
marcar presença nos próximos 100 anos. A
produção mensal de 320 000 unidades corresponde
a apenas um quarto da capacidade do laboratório.
Depois de sobreviver ao competitivo século XX,
agora o desafio do Sanativo é conquistar os
jovens e ampliar suas vendas no mercado paulista,
atualmente limitadas às redes de drogarias São
Paulo e Centrofarma. Para isso, o Laperli está
investindo 1,5 milhão de reais no desenho de
embalagens modernas e funcionais - incluindo uma
versão do Sanativo em spray -, e na elaboração
de uma nova estratégia de marketing. A meta é
quintuplicar a produção e o faturamento.
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