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Ano V // Nº 292

Texto publicado na edição de 02 de maio de 2000 da revista Exame.

A Capital da Nova Economia

São Paulo - 4ª melhor cidade para negócios

Por JOMAR MORAIS, de São Paulo (*)

Capital da indústria, locomotiva do Brasil... Na tentativa de explicar a grandiosidade de São Paulo como centro de gravidade da economia nacional, muitos rótulos já foram usados. São Paulo continua a ser tudo isso, mas neste final de milênio não há mais dúvida de que a cidade, a quarta melhor do país para negócios, tornou-se também a capital dos serviços e da tecnologia, símbolos maiores da economia globalizada. Que cidade brasileira, senão ela, poderia acolher, num único ano, 15 milhões de pessoas em torno de feiras e exposições e movimentar 2,5 bilhões de dólares somente com turismo de negócios? Foi o que aconteceu em 1999, segundo dados do São Paulo Convention & Visitors Bureau. E quem mais poderia liderar tão folgadamente a lista das empresas que mais investem em informática, divulgada no mês passado pela revista Info Exame?

São paulistanas 36 das 50 empresas listadas, contra apenas 5 organizações baseadas no Rio de Janeiro, segunda colocada no ranking. Só o Bradesco, um banco que tem a cara de São Paulo, mantém 3 000 pessoas ocupadas com tecnologia.

"São Paulo é porta de entrada da Nova Economia, a economia digital, no país", diz Fernando Xavier Ferreira, presidente do grupo espanhol Telefônica no Brasil. "Aqui estão a mão-de-obra mais qualificada, a melhor infra-estrutura de telecomunicações e o maior mercado consumidor". Depois de assistir, nesta década, ao fechamento ou transferência para outros pontos do país de quase um terço de suas indústrias, a cidade exibe agora o vigor da economia montada sobre bits e conhecimento. A própria Telefonica, que comprou a Telesp e investiu em três anos cerca de 2 bilhões de reais na expansão de sua base de serviços, já tem 2 000 empresas utilizando sua estrutura tecnológica para e-commerce e e-business e espera um crescimento superior a 300% nesse segmento este ano. É natural. São Paulo detém quase 70% do comércio eletrônico nacional e, se as previsões estiverem certas, concentrará em 2005 a maioria dos 29 milhões de brasileiros que movimentarão 4 bilhões de dólares pela Internet. E mais: dos sete portais mais conhecidos da Internet, seis estão na cidade. "São Paulo não é uma escolha. É uma necessidade para qualquer negócio que dependa de massa crítica", afirma Maurício Gentil, sócio do banco de investimentos Opportunity.

A cidade vem passando por uma reestruturação urbana que segue a fórmula dos grandes centros pós-industriais do planeta. A febre de construção de edifícios de luxo já não se restringe a áreas nobres, como o Morumbi e o Brooklin. O Tatuapé, um bairro que há 15 anos sofria com a poluição provocada por chaminés enfileiradas desde a Moóca, virou objeto de desejo de uma nova classe média que emergiu ali mesmo, na Zona Leste. Instalada em condomínios erguidos onde antes haviam galpões, ela é capaz de sustentar, num raio de dois quilômetros, nada menos de três shopping centers - um deles, o Anália Franco, inaugurado há seis meses após consumir 170 milhões de reais do grupo Multiplan e de lojistas que levaram para a região grifes famosas da Zona Sul.

Os shopping centers, aliás, não param de se multiplicar numa cidade cujo potencial de consumo de 42,8 bilhões de dólares é imbatível. A novidade é que estão deixando de ser apenas centro de compras e abrindo mais espaço para atividades culturais. O shopping Frei Caneca, a ser inaugurado em 2001, próximo ao centro financeiro da avenida Paulista, terá até um teatro e um centro de convenções. A indústria ainda responde por 14% do PIB paulistano, que por sinal é maior que o da Argentina, mas boa parte dos 6 bilhões de dólares em investimentos privados anunciados em 1999 seguiu em outra direção. Só a rede hoteleira espanhola Meliá deve assumir, nos próximos dois anos, 17 entre 157 novos hotéis em construção.

Mas por que, então, São Paulo, apesar de toda essa pujança, aparece em quarto lugar na lista das melhores cidades para negócios? A verdade é que, para firmar-se como uma cidade global, São Paulo precisa superar problemas que, nos últimos anos, deterioraram a qualidade de vida na metrópole e seguraram o avanço mais rápido dos serviços de ponta. Os paulistanos ainda são torturados pela poluição - menos intensa que há duas décadas - e não conseguem se livrar dos congestionamentos de trânsito, que tiram boa parte de sua competitividade. Sem falar na corrupção que corrói as entranhas da administração pública. Entre as integrantes da lista, São Paulo só perde para o Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre em mortalidade infantil e oferece menos oportunidades de acesso ao ensino fundamental do que qualquer uma delas. Cidades globais competem para sediar organizações e grandes eventos, mas São Paulo ainda carece de centros de convenções e exposições à altura. O Anhembi, o maior da América Latina, corresponde a um quarto dos 180 000 quadrados do Centro de Exposições de Frankfurt e não possui cabeamento óptico nem ar condicionado.

(*) colaborou Ana Luiza Herzog,

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