Ano VIII / Nº 323
Texto
publicado
na revista Super, edição de novembro de
2002
Outras
reportagens
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Realismo
fantástico
Teorias
formuladas nos últimos 100 anos
reescreveram o conhecimento e
revelaram aspectos da
realidade jamais imaginados antes pelo homem
Por Jomar Morais
Para
entender a aventura da ciência moderna e suas estranhas
teorias que desafiam o senso comum, melhor relembrar dois
ícones do conhecimento no século XX: o dinamarquês Niels
Bohr e o austríaco Karl Popper. Confrontado certa vez com uma
hipótese nada ortodoxa, Bohr, um físico do porte de Albert
Einstein, disse que a questão não era saber se a idéia era
maluca, mas se era suficientemente maluca para ser verdade.
Popper, considerado um dos maiores filósofos da ciência,
certamente concordaria com Bohr, mas até certo ponto. Ele
achava que a verdade é simplesmente inatingível e, por isso,
propôs a divisão da realidade em três partes: o real, sobre
o qual jamais teremos o completo conhecimento, a realidade dos
sentidos e a realidade das idéias. As duas últimas, segundo
o filósofo, ajudam-nos a chegar mais próximo da primeira.
É
difícil duvidar de Bohr e Popper quando se lança um olhar
sobre a trajetória da ciência nos últimos 100 anos. Os
sentidos e as idéias levaram os cientistas a descortinar
aspectos inimagináveis daquilo que é (ou parece ser) o real,
traduzidos em um conjunto de teorias que, não raro, arranham
ou demolem concepções antes sólidas e inabaláveis. Idéias
incríveis, especialmente no campo da física, redesenharam em
nossas mentes o universo, o planeta, o homem, a marcha do
progresso e o próprio sentido da vida e do conhecimento. Mais:
arrancaram-nos em definitivo o confortável senso de
estabilidade que, até então, nos dera a impressão de que
tudo podia ser previsto e controlado.
"O
século XX foi profetizado no ditado do pensador grego
Heráclito, segundo o qual ninguém consegue mergulhar a mão
duas vezes no mesmo rio", diz o divulgador científico
Charles Flowers, autor de 58 livros, entre eles Instability
Rules (Normas Instáveis, ainda não editado no Brasil),
que registra as idéias mais fascinantes da ciência numa
época de atualização sucessiva do conhecimento. Como a
água do rio que flui incessantemente, tudo se move. O
presente, ainda que isso nos assuste, torna-se passado
instantaneamente. E isso afeta coisas, seres, idéias. "A
ciência busca padrões", dizia Popper. Na prática, essa
é uma meta alcançada através das teorias, modelos
matemáticos que descrevem e codificam as observações dos
cientistas. Mas o que é a boa teoria, a boa ciência? "A
boa teoria é aquela que descreve uma série de fenômenos com
base em postulados simples e faz previsões que podem ser
testadas", afirma Stephen Hawking, um físico americano
adepto do positivismo de Popper. "Se as previsões
concordam com as observações, a teoria sobrevive àquele
teste, embora nunca se possa provar efetivamente que esteja
correta. Por outro lado, se as observações discordam das
previsões, é preciso descartar ou modificar a teoria."
Até
quando as teorias revolucionárias da atualidade continuarão
concordando com as observações dos cientistas? Impossível
prever com precisão, mas, a julgar pela produção frenética
dos pesquisadores, certamente elas serão aperfeiçoadas ou
substituídas em tempo mais breve que o de suas antecessoras
no mundo quase estável da ciência clássica. Antes que a
próxima mudança aconteça, no entanto, vale a pena conhecer
um pouco de algumas dessas idéias incríveis da saga recente
do conhecimento.
A
corrida do universo
A
cosmologia nunca mais foi a mesma depois de Edwin Hubble, um
americano excêntrico que falava com sotaque britânico, e de
uma engenhoca chamada espectrógrafo, então utilizada para
analisar a composição química da matéria. Na década de
1920, Hubble, usou pela primeira vez o aparelho para medir a
radiação das estrelas e, ao observar as alterações nas
ondas de luz, constatou: o céu não é plácido. Todas as
galáxias se movem a uma velocidade espantosa, afastando-se
umas das outras, exceto em alguns casos. O universo inteiro
está se expandindo. A prova disso são as ondas longas,
registradas em vermelho na espectrografia - um sinal de que o
emissor da onda está se afastando do observador. No sentido
contrário, a onda torna-se mais curta e exibe tons azulados
no espectro.
A
luz visível ocupa apenas 2% do espectro eletromagnético,
próximo ao centro. Em direção aos extremos da escala, são
registrados diferentes tipos de altas e baixas energias, como
é o caso dos raios X, gamma, radiações ultravioleta,
microondas e ondas de rádio. Assim, com o espectrógrafo
acoplado telescópio, novos milhares, milhões de astros se
tornaram vísiveis ou mensuráveis, agigantando a concepção
de cosmo. Nos anos 20, o universo retratado pela ciência
tinha o tamanho da Via Láctea, a galáxia de 100 bilhões de
astros onde estão o Sol e a Terra; coube a Hubble e seu
espectrógrafo ampliarem exageradamente essa imagem. Foi ele
quem primeiro percebeu que Andrômeda, tida então como uma
nuvem de gás, é um conglomerado de estrelas maior que a Via
Láctea e, excepcionalmente, se desloca em nossa direção à
velocidade de 80 quilômetros por segundo. Depois disso,
outras nebulosas, muitas distantes da Terra até 11 bilhões
de anos-luz, foram reconhecidas como galáxias – calcula-se
agora que elas são mais de 50 bilhões -, que se deslocam
rumo à borda do universo a 1 100 quilômetros por segundo.
A
descoberta do universo em expansão permitiu um surgimento de
uma nova hipótese para o início de tudo: a teoria do big
bang ou grande explosão. O raciocínio é que, se as
galáxias estão se afastando uma das outras, provavelmente
já estiveram juntas no passado, concentradas num ponto de
densidade infinita que em algum momento explodiu. Isso teria
acontecido entre 12 e 15 bilhões de anos atrás.
O
imprevisível mundo quântico
Um
corpo pode ocupar apenas um lugar no espaço, certo? Assim
ensina a física clássica, de Isaac Newton, aquela cujas leis
nos permitem prever e controlar eventos no mundo macro e
mandar espaçonaves para outros planetas. Mas não é assim
que as coisas funcionam no nível subatômico, onde estão os
alicerces da matéria. Elétrons, por exemplo, podem estar em
dois lugares ao mesmo tempo. Prótons podem passar através de
barreiras fisicamente impermeáveis. Partículas podem se
comunicar com outras situadas a milhões de anos-luz no
espaço, a uma velocidade superior à da luz, um marco que
Albert Einstein considerava o limite universal da rapidez.
Aliás, partículas como o elétron podem até "escolher"
ser isso mesmo ou apenas onda, apresentando-se ora como
matéria, ora como energia - e simplesmente desaparecendo no
intervalo entre um e outro estado até que a observação
humana ou um aparelho eletrônico registre a sua presença.
Nesse mundo tudo são probabilidades, a incerteza - a
impossibilidade de prever simultaneamente a posição e o
movimento de uma partícula -é o princípio que rege todos os
eventos.
Parece
conto de fada, mas não é. Os fenômenos incríveis desse
nível infinitesimal da realidade são atestados por
equações complicadas e raras provas experimentais obtidas em
aceleradores de partículas com quilômetros de extensão. Um
enredo que começou em 1900, quando o físico alemão Max
Planck anunciou que a luz e outras formas de energia radiante
não se apresentavam como ondas contínuas, mas como discretos
pacotes de fótons (partícula elementar de massa nula) que
ele chamou de "quanta". A descoberta, segundo
Planck, poderia explicar a taxa de radiação dos corpos
escuros, um dos problemas insolúveis da física clássica,
porém só mais tarde se pôde entender a plena extensão de
suas implicações. Como resultado, foi estabelecido um
conjunto de novas teorias, conhecido como mecânica quântica,
que revolucionou o conceito de realidade.
Um
dos pontos fundamentais para esse novo entendimento foi a
constatação, pelo físico britânico Ernest Rutherford, de
que, tal como a luz, a existência do elétron é governada
pela descontinuidade: ele não se submete a uma órbita fixa
em torno do núcleo do átomo, mas costuma saltar de um ponto
para outro, sem percorrer uma trajetória no espaço, só
existindo concretamente em cada posição durante algum tempo.
Isso sinalizou a revelação bombástica de que todos os
objetos sólidos – inclusive o corpo humano - são
constituídos quase que inteiramente de espaço vazio, uma
imagem impressionante deduzida dos experimentos de Rutherford.
Levando em conta os padrões subatômicos, um átomo seria
algo como uma ervilha (o núcleo) no centro de uma área do
tamanho de sete campos de futebol, rodeada de alguns grânulos
de poeira (os elétrons) espalhados na imensa superfície.
Os
postulados da física quântica foram consolidados por
físicos como o alemão Werner Heisenberg e o próprio Niels
Bohr, que a princípio considerou a teoria de Rutherford uma
loucura, mas fiel ao seu próprio critério de avaliação de
novas idéias (você viu isso no início deste texto, lembra?),
acabou convencido de que a hipótese era suficientemente
maluca para ser verdade. A teoria quântica é aplicada na
tecnologia a laser e nas telecomunicações e, nos últimos
anos, uma rede de cientistas tem trabalhado no projeto de
construção de um computador quântico cuja velocidade de
processamento poderia transformar em brinquedo as máquinas
mais poderosas em funcionamento. No limite, alguns físicos
extrapolam as teorias quânticas para a explicação da vida e
do universo, incluindo o conceito de consciência – uma
consciência cósmica, unitiva – como a origem do colapso
quântico que proporcionaria a materialização daquilo que
existe primordialmente num infinito mar de probabilidades.
A
dança dos continentes
Não
existe terra firme. Os continentes são móveis, bailam sobre
a crosta terrestre e já estiveram juntos, há mais de 200
milhões de anos, em um único supercontinente, fraturado
depois pelo magma que emerge das profundezas do planeta. Mesmo
uma criança que observasse o mapa mundial poderia imaginar
algo nessa direção, ao perceber os recortes continentais que
se encaixam como peças de um quebra-cabeça. O Brasil não
parece ajustar-se à costa oeste da África? O norte da
África e a Europa não cabem nas reentrâncias das Américas
do Norte e Central? Mas, no final do século XIX, quando o
pesquisador alemão Alfred Wegener transformou essa idéia
intuitiva em teoria quase ninguém aceitou e ele foi alvo de
zombaria na comunidade científica. Wegener não conseguiu
reunir provas concretas de como o continente original se
dividiu, mas acenou com evidências fortes de sua existência:
a identidade de relevo, flora, fauna e fósseis entre
continentes separados pelo oceano, como é o caso da América
do Sul e da África, e a presença de em ilhas do Ártico de
imensos depósitos de vegetais típicos da zona tropical.
Somente
na segunda metade do século XX, a idéia incrível de Wegener
pôde ser comprovada por novas observações do fundo do
oceano que resultaram na teoria das placas tectônicas. Desde,
então, sabe-se que os continentes deslizam nas águas,
assentados sobre tais placas, as quais, periodicamente,
colidem, dando origem a montanhas e vales no fundo dos oceanos
ou a abalos sísmicos que, juntamenrte com as erupções
vulcânicas, ajudam a redesenhar, lentamente, o mapa da Terra.
A
caixa preta dos genes
Foi
o abade austríaco Gregor Mendel quem criou a genética, na
segunda metade do século XIX, depois de observar o
desenvolvimento de 30 000 pés de ervilha ao longo de várias
gerações da planta. Ele descobriu que a hereditariedade não
resultava de uma simples mistura de características e
formulou o conceito de genes dominantes e recessivos para
explicar os traços de uma descendência. Mendel não sabia,
mas estava começando a abrir talvez a mais importante caixa
preta da vida, que só no século seguinte seria melhor
investigada. O grande passo para o esclarecimento dos enigmas
– e eles são muitos, a maioria ainda não resolvida – foi
a descoberta, pelos biólogos ingleses James Watson e Francis
Crick, da estrutura em dupla hélice do DNA, a molécula de
ácido desoxirribonucleico que carrega o código genético.
Watson
e Crick mostraram que os filamentos de DNA são um tipo de
linguagem química formada por apenas quatro letras, cujas
combinações determinam a formação,o funcionamento e a
herança a ser transmitida por cada indivíduo. São elas A,
T, C e G, correspondentes às quatro bases químicas –
adenina, guanina, timina e citosina - que dirigem a criação
de amino-ácidos necessários à produção de proteínas que
funcionam como hormônios, enzimas, anticorpos e outras
moléculas biológicas essenciais. O achado de Watson e Crick
culminou no chamado Projeto Genoma Humano que, há quatro anos,
presentou a ciência com o mapeamento de nosso código
genético.
Sabe-se
agora que cada pessoa carrega nos 30 trilhões de células de
seu corpo uma enorme seqüência de moléculas ordenadas,
correspondentes às letras A, T, C, G - o nosso genoma. Ele
tem cerca de 3,2 bilhões de letras, distribuídas em 23 pares
de estruturas chamadas cromossomos. O gene previsto por Mendel
é a parte do genoma que codifica uma proteína. Segundo os
cientistas somente entre 40 000 e 100 000 genes, que
correspondem a cerca de 3% a 5% das letras do genoma, seriam
ativos. A parcela restante tem a função de regular a ação
dos genes ativos ou simplesmente não teriam qualquer função.
Considerando que dois seres humanos apresentam seqüências
99,9% idênticas, as pequenas diferenças que fazem de cada
indivíduo um ser único seriam determinadas por uma parcela
ínfima de genes, hoje objeto de pesquisas avançadas.
A
caixa-preta dos genes ainda está repleta de enigmas que só
futuramente serão decifrados, tornando mais claros os limites
da genética, do ambiente, da cultura e de fatores ainda
desconhecidos no perfil biopsicológico de cada indivíduo.
Mamãe
África
O
Jardim do Éden, o espaço mitológico onde, segundo a Bíblia,
Deus criou o primeiro homem, ficava na África e Adão era
negro. Hominídeos, espécies das quais teriam derivado a
humanidade, podem ter se espalhado antes por outras partes do
planeta, conforme atestam os registros fósseis, mas há
poucas dúvidas sobre um detalhe: a espécie humana surgiu
entre 100 000 e 200 000 em savanas ou florestas do leste da
África, migrando em seguida para outros pontos da Terra. É o
que está escrito no DNA, a nossa impressão digital genética.
A descoberta foi possível graças a um tipo específico de
ácido desoxirribonucleico gerado fora do núcleo da célula,
conhecido como DNA mitocondrial, que só as mulheres
transmitem aos filhos. Na prática, isso funciona como uma
árvore familiar química, cujas raízes foram identificadas
pelos geneticistas no continente africano.
As
pesquisas do DNA mitocondrial derrubaram a idéia de que o
homem teve origem na Europa, predominante desde 1856, quando
foram encontrados os primeiros esqueletos de neandertales, os
ancestrais humanos que viveram no vale do Neander, na Alemanha.
E sepultaram o viés preconceituoso que influenciou os estudos
sobre a origem da espécie até o início do século XX. A
questão agora, propõe Flowers, é saber se o Homo sapiens,
este animal que conquistou o mundo, é o ápice do
desenvolvimento da espécie humana – uma pergunta que as
evidências do processo evolutivo parecem responder de modo
claro. "Não há razão para pensar assim", diz
Flowers. "Se nós somos um ponto no caminho, não o ponto
final, então nos beneficiamos dos que nos antecederam e
certamente transmitiremos benefícios à espécie que surgir
de nosso próximo salto".
Máquinas
pensantes
A
idéia de construir máquinas que pensam tem pelo menos quatro
séculos, mas foi devido ao surgimento da ciência cognitiva,
na década de 1950, que se tornou uma obsessão da modernidade.
Com o rápido desenvolvimento da computação, logo se
imaginou que o sonho não tardaria a virar realidade. Afinal,
predominava na época a suposição de que a lógica binária
dos computadores é repetida, ainda que metaforicamente, pelo
cérebro na construção do pensamento. Depois se percebeu que
havia muito mais complicadores.
O
matemático inglês Alan Turing, inventor do chamado ''teste
de Turing" - destinado a constatar se uma máquina pensa
- argumentou que, por mais poderoso fosse um computador, ele
sempre apresentaria buracos nos programas. Resolvido um
problema, a sombra de um paradoxo maior aparecia, em um nível
cada vez mais sofisticado, erigindo dificuldades a uma
definição precisa da fronteira entre um comportamento
inteligente e outro não-inteligente. Para Turing, o cientista
que quebrou os códigos de comunicação do Exército de
Hitler, permitindo a vitória dos aliados na II Guerra Mundial,
o desafio, até hoje intransponível, é criar uma máquina
capaz de responder a situações de maneira flexível,
aproveitar as vantagens que uma situação fortuita, conferir
sentido a mensagens ambíguas e formular idéias novas – as
características fundamentais de um comportamento inteligente.
Até
aqui, os computadores têm sido seres inflexíveis e
obedientes a instruções. Além disso, lembra Flowers, os
cientistas cognitivos têm cautelosamente excluído da
pesquisa da inteligência artificial as emoções e todos os
aspectos confusos da personalidade para os quais,
aparentemente, não existem explicações fisiológicas, como
é o caso da consciência.
Há
quem ache que o caminho para a inteligência artificial é
compor longas séries de regras, em formalismos estritos, para
fazer com que máquinas inflexíveis possam se comportar de
maneira flexível. No ser humano, a flexibilidade da
inteligência e a própria consciência consistiriam em
navegar por este imenso sistema de regras. A questão é saber
que regras podem reproduzir numa máquina a maleabilidade do
comportamento inteligente – um obstáculo que, para ser
superado, exige mais conhecimentos sobre os segredos do
cérebro humano.
Cópias
humanas
A
clonagem, produção de um indivíduo geneticamente idêntico
a outro, é uma das idéias mais polêmicas da ciência
moderna. Ela consiste na inserção do genoma completo de uma
célula adulta em um óvulo, e posteriormente seu
desenvolvimento em uma "barriga de aluguel". A
ovelha Dolly, concebida num laboratório do Reino Unido em
1998, foi o primeiro caso de clonagem de mamífero. Não
demorou para que se esbarrasse na questão crucial da clonagem
de humanos (já ensaiada por alguns pesquisadores), envolvida
com obstáculos mais de natureza ética do que
tecnológico-científica.
Uma
das grandes esperanças no processo de clonagem é o seu uso
para fins terapêuticos, a partir da reprodução das chamadas
células-tronco. Trata-se de células primitivas que dão
origem a todas as demais, o que leva os cientistas a projetar
para o futuro próximo a regeneração de células mortas no
caso de doenças degenerativas nervosas, como Parkinson e
Alzheimer, e em pacientes que tiveram infarto do miocárdio ou
sofrem de diabetes, cirrose hepática e outras doenças.
Ainda
que a clonagem de seres humanos venha a se concretizar, os
indivíduos nascidos dessa forma jamais serão as cópias
perfeitas imaginadas pelas pessoas. A idéia de identidade
total não se aplica a um clone humano, conforme demonstra a
clonagem que há milênios é realizada pela própria natureza
no caso de gêmeos univitelinos. Seus genomas são idênticos,
já que se originam dos mesmos espermatozóide e óvulo dos
seus pais, mas ainda durante a gestação eles se diferenciam
a partir da forma como interagem com as condições intra-uterinas.
Apesar das semelhanças em termos de anatomia interna e
externa, os gêmeos chegam à vida adulta como duas pessoas
distintas, cada uma com sua personalidade e trajetória de
vida.
PARA
SABER MAIS:
Na
Livraria:
Instability
Rules – the ten most amazing ideas of modern science,
Charles Flowers,
John Wiley & Sons, Nova York, 2002
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