Dinheiro, poder ou amor?
Postado em 25 Aug 2016 00 18 Textos Anteriores










A base da felicidade não está na riqueza,   
poder ou status, mas na possibilidade de  
amar e estabelecer ligações com o próximo.  


por JOMAR MORAIS


Uma das mais importantes pesquisas científicas do planeta já dura 78 anos e, se depender do entusiasmo de seu atual diretor, Robert Waldinger – o quarto desde o início do estudo em 1938, na Universidade Harvard, em Masachussetts, EUA - deverá continuar nos próximos anos, em busca de respostas confiáveis para uma questão fundamental: o que faz uma pessoa feliz ao longo de sua vida?

O Estudo sobre o Desenvolvimento de Adultos, nome oficial da pesquisa, começou acompanhando 724 jovens, divididos em dois grupos: um deles constituído por estudantes da própria Harvard University e o outro  composto de jovens de famílias pobres e problemáticas da periferia de Boston. Eles foram entrevistados em diferentes momentos de suas vidas (60 deles ainda estão vivos) e hoje o estudo se expande com a participação de 2 000 filhos dos jovens selecionados em 1938.

Quando Robert Waldinger, psiquiatra, psicanalista e instrutor Zen, apresentou o relato da pesquisa no TEDx de Beacon Street, ele propôs a questão inicial “o que você acha que lhe faria feliz e realizado” e antecipou que, como a maioria dos jovens americanos, certamente a resposta da plateia seria “dinheiro e status”. No entanto, os dados coletados durante mais de sete décadas pelos pesquisadores de Harvard apontam em outra direção.

Embora os jovens selecionados em 1938, em sua maioria tenham respondido à questão-chave da mesma forma que os jovens de hoje, a observação e avaliação da vida dos pesquisados comprovou que somente aqueles que conseguiram estabelecer relacionamentos, criar vínculos com a família e outras pessoas, mostraram-se efetivamente felizes e satisfeitos com a vida que levam. Os que se isolaram ou passaram a maior parte do tempo vivendo experiências de solidão mostraram-se infelizes e insatisfeitos com a sua rotina.

A conclusão parcial do estudo – já que ele prossegue nos dias atuais – é um dado óbvio que pode ser constatado por qualquer pessoa apta a observar a própria vida e a daqueles que a rodeiam. Mas é profundo e confiável, pois resulta da observação e comparação de diferentes pessoas ao longo de anos e de mutações físicas e psicológicas.

Os pesquisadores de Harvard confirmam o que as tradições espirituais e a filosofia afirmam há milênios: a base da felicidade não está na riqueza, no poder ou no status, mas na possibilidade de amar, de estabelecer ligações e interagir com o próximo.
Na teia universal, nenhum ser, nenhum fenômeno acontece e se mantém por si mesmo. Somos irremediavelmente uma expressão do mistério que criou e sustenta universo como um conjunto, provavelmente autoconsciente.

Lamentavelmente, arrastados pela ignorância e pelo  egoísmo, temos insistido em seguir na contramão da vida, erguendo fortalezas que nos deixam sozinhos e desgraçados, mesmo na multidão ou cercados de mimos fugazes e interesseiros.

O estudo de Harvard é uma advertência para todos os que, perdidos nas próprias ilusões de riqueza e poder, perderam de vista o essencial, aquilo que nos faz plenos e serenos: o amor.

[ Publicado na edição do Novo Jornal de 23/08/16 ]

Conheça as novidades da TV Sapiens >>> www.youtube.com/sapiensnatal

Para abrir a janela de comentarios, clique sobre o titulo do texto ou sobre o link de um comentario >>:
Para abrir a janela de comentarios, clique sobre o titulo do texto ou sobre o link de um comentario

Deixe um comentario
Seu nome
Comentarios
Digite o codigo colorido