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Quanto
tempo passamos em nossa vida querendo, conscientemente, ser felizes?
Na verdade, a grande maioria de nós busca essa felicidade de uma
forma totalmente inconsciente. Confundimos felicidade com
esfuziantes manifestações de alegria, com festas, danças, paixões,
etc., que esconde cada vez mais a verdadeira e perene felicidade,
que é um estado de inabalável paz interior, que se reflete
externamente.
Na
realidade temos um manancial interno inextinguível de paz, de silêncio,
de vazio...
Mas como não percebemos isso, incessantemente seguimos nossa vida
perturbando e agitando esse manancial interno de paz, na busca de um
movimento de energia intenso que julgamos ser felicidade, pois
achamos que a felicidade está em algum lugar e que temos que buscá-la.
Passamos uma parte de nossas vidas a buscá-la em coisas externas e
depois passamos a buscá-la em coisas internas. Na verdade enquanto
houver busca não haverá encontro, pois não existe nada a ser
buscado pois nunca perdemos nada... Somos, ao mesmo tempo, o
buscador, a busca e a coisa buscada.
Não
precisamos buscar a felicidade, precisamos SER a felicidade, não
precisamos buscar a paz, precisamos SER a paz... Mas como SER a
felicidade? Como SER a paz? Então voltamos, novamente, a ser
buscadores de métodos, de ferramentas, de dicas, doutrinas,
conhecimentos, etc., que nos ensinem a SER algo, ou alguém...
Novamente achamos que temos que fazer algo, conhecer algo, buscar
algo... Mas o sábio fala sobre o não-fazer, sobre a nuvem do não-conhecer...
Ele nada fala sobre o não-sentir... Em nossa busca de fazer e de
conhecer, esquecemos de sentir! Sentir é fazer sem fazer! E
o sentir é fundamental na percepção da felicidade, da paz... não
precisamos buscar, mas apenas perceber; observar.
Mas,
enquanto isso, a vida segue o seu fluxo natural, em movimentos contínuos
de fluxo e refluxo, idas e vindas: “nada do que foi será, de novo
do jeito que já foi um dia... a vida segue em ondas como o
mar...”, diz o Santos poeta. Se fluirmos junto com os
movimentos de ida e vinda da natureza, encontraremos a paz (leia-se
felicidade). Mas para fluir junto com os movimentos da natureza,
precisamos perceber esses movimentos; em suma, precisamos senti-los.
Conhecer essas duas forças que regem esses movimentos não é a
mesma coisa que sentir e perceber essas forças. Há-se não-fazer
para poder não-conhecer, pois só assim sentiremos para podermos
verdadeiramente saber...
Fluxo
e refluxo... O amor é a força básica de refluxo, um fluxo retrógrado
que (re-)une toda a criação novamente à Unidade. E nisso também
tem um equívoco de interpretação nosso, pois, nesse sentido, até
o ódio é uma manifestação do amor, na medida em que em estamos
unidos mentalmente pelo nosso objeto de ódio por não conseguimos
parar de pensar no outro...
Enquanto
o amor é a força da natureza que une (refluxo)... a criação é a
força da natureza que separa (o fluxo)... Muitas vezes também é
difícil entendermos isso. Quando criamos algo, separamos de nós
mesmos (de nossa mente) algo ao que damos uma individualidade e
existência própria, separado de nós mesmos. Criar um filho é
dar-lhe uma individualidade... toda a criação é um fluxo, uma
forma de manifestar individualidades... pluralidades... que estão
unidas pela outra força básica (a do amor) e por isso anseiam por
se unirem novamente (refluxo)...
E
o que tem isso com a minha vontade, consciente ou inconsciente, de
ser feliz?? Em geral usamos forças opostas para aquilo a que nos
propomos. Criamos coisas e não queremos lhes dar uma
individualidade (nos separar delas)... queremos amar e ser amados
mas não nos rendemos à força de fusão do amor (temos muitos
medos)... Ninguém, na prática, quer se fundir com o outro (embora,
inconscientemente, possamos até ansiar com isso) por medo de uma
‘auto-aniquilação’ que não existe... Por isso não temos paz
nem felicidade. Agitamo-nos internamente, buscando obter algo que não
é natural, uma relação baseada em algo totalmente contraditório...
Buscamos paz querendo nadar no sentido contrário ao do fluxo do rio
da vida.
Numa
relação, enquanto ansiamos por sermos amados, o principal medo é
que isso não aconteça. Na realidade, antes de desejar ser amado,
temos muito medo de não ser amados, o que inverte totalmente a relação,
que deixa de ser baseada no amor para ser baseada no medo. Quando
uma manifestação de amor não tem êxito, o problema nunca está
no outro nem em nós mesmos, mas está no tipo de relação que se
estabelece. Em vez de se construir uma relação baseada na
busca do amor a centramos no medo do não amor.
E
esse medo de não ser amado, na prática, é um medo de ser julgado
pelo outro, em nossos pensamentos emoções e ações. É a velha
questão de querer fazer sempre o que ‘eu acho que o outro acha
que é certo’... e quando eu não sei o que o outro acha certo (ou
errado) eu fico paralisado, pois tenho medo de não acertar e ser
julgado pelo outro ( e conseqüentemente não serei aceito nem amado
pelo outro...).
Ficamos
inconformados quando alguém diz algo que nós não fizemos. Mas se
não o fizemos porque a indignação? E se realmente o fizemos
porque a indignação? A auto imagem, ah! a ilusão de uma
auto-imagem que construímos de acordo com o que achamos o ideal
para sermos aceitos e, conseqüentemente, amados. De novo baseado no
medo (de sermos rejeitados) e não no amor. Construímos uma
auto-imagem e não queremos que nada a desconstrua!
E
seguimos, com a nossa mente construindo padrões sobre padrões,
crenças sobre crenças, hábitos sobre hábitos, num turbilhão
mental quase inexpugnável de onde não conseguimos sair. Não há
nada que possamos fazer, e se tentamos entender, nos perdemos nos
labirinto do próprio pensamento. De novo repito, não há nada a
fazer, não há nada a saber, mas há tudo a sentir... a verdadeira
chave do perceber e do agir... Se não sentirmos, não perceberemos
nem agiremos, mas, pobremente , limitar-nos-emos a reagir e
conhecer.
Resumindo,
pensamos demais nas coisas e nas pessoas... a paz é um processo
mental de silêncio, de harmonia entre as forças criativas e
amorosas da natureza. É o Caminho do Meio, o Caminho da Integração
dos opostos. É onde reside a nossa verdadeira força de
Observadores, é onde reside o Ser, Aquele que É... não aquele que
faz, nem aquele que ama...
Amor
e Criação, fluxo e refluxo, ondas da vida...
Nesse
período de (re)nascimento do Sol, onde comemoramos o
(re-)surgimento da energia Crística de amor, ocorrido há mais de
2000 anos atrás:
que
possamos realmente saber o que é o Amor...
que
possamos realmente SER Um com o Amor... SER o Amor...
que
possamos realmente saber o que é a Criação...
que
possamos realmente SER Um com o Criador... SER no Criador
que
possamos realmente saber o que é Felicidade...
que
possamos realmente SER Um com a Paz... Ser a Paz...
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(*)
Visite o novo Portal Órion,
de Cláudio Azevedo:
http://www.orion.med.br
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