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Eduardo Farah, doutor em administração pela Fundação Getúlio Vargas, é um dos diretores da Chama Azul Business Care,  consultoria que foca o auto-conhecimento, os valores humanos e as relações interpessoais. Entre seus clientes estão empresas como  Eurofarma, Johnson & Johnson e Natura

 

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Março/2007

 

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Feliz Dia dos Pais e dos Filhos

Celebremos, neste ano, o pai verdadeiro. Olhemos com honestidade para todos os sentimentos que essa maravilhosa e terrível figura nos evoca

por  Eduardo Farah

Sou pai de duas crianças, e criança de um pai. Diante de alguns anos de vida como pai e como filho, sei que hoje posso falar sobre a paternidade com um pouco de “conhecimento de causa”.

E minha experiência está muito distante das figuras sempre sorridentes dos comerciais. Não sou, em absoluto, um daqueles homens que sai em êxtase de um shopping, pronto para presentear “meu grande professor”, ou que mal pode esperar para ver que especial surpresa meus filhos perfeitos prepararam para mim. Não sou daqueles que apenas choram de amor e gratidão pelos seres que me trouxeram ao mundo. Meu choro, por ser humano, também pode vir carregado de raiva, tristeza, perdão, confusão e entendimento. E, até que eu alcance o estado iluminado (e creio, possível) de não mais odiar, mas apenas amar, esse será o teor de minhas lágrimas: um choro dinâmico, mas verdadeiro.

Pois seja qual for a verdade, somente ela pode trazer o amor. Não tenho nada contra as imagens de famílias felizes, ou contra dar e ganhar presentes belos e caros. Pelo contrário: minha crença é de que todos podemos e devemos alcançar um estado de puro amor, preservado de qualquer negatividade. Um estado em que a abundância emocional e material é inesgotável. Mas isso precisa ser verdade, e não um papel que desempenhamos para sentirmos que somos “legais” ou “bonzinhos”. E o fato é que, por trás de todo o discurso amoroso vendido nas TVs e bancas de jornal, pais e filhos sentem, além de amor, muita mágoa e rancor. Freud e Jung, entre outros, já mostraram isso na Psicologia.

E veja bem: isso nem mesmo é ruim - só é prejudicial enquanto é tratado como algo condenável, escondido embaixo do tapete. Quando trazida à tona, essa ambigüidade que nós, pais e filhos, sentimos é libertadora e profundamente amorosa. Não existe nada mais maravilhoso do que ver as coisas como realmente são, sem condenação ou julgamento. Tudo bem. Amamos e odiamos. Queremos estar perto e muito longe. Somos pais e filhos. E isso, por si só, já gera crescimento.

O Dia dos Pais deve ser um dia de comemoração, mas de verdade. Isso significa que não devemos ir para nenhum dos extremos, ou seja, nem o de fingirmos um amor que não existe, devido a nossa auto-condenação e repressão, nem o de colocarmos nossa raiva para fora, condenando e agredindo, como se o outro fosse responsável pela falta de amor que sentimos. A verdade pode ser, em alguns casos, dolorida, mas jamais será destrutiva. A verdade, a tal “verdade verdadeira”, segue um caminho contrário: ela une e constrói.

Por isso, gostaria de fazer um convite para celebramos, neste ano, o pai verdadeiro. Para olharmos com honestidade para todos os sentimentos que essa maravilhosa e terrível figura nos evoca. Para assumirmos que o pai não é uma figura limitada, que apenas orienta e sorri. Ele é bravo, e também suave. Pode ser amoroso, e também cruel.

E não há nada melhor que amar alguém por inteiro, pois do contrário, somente as crianças privilegiadas (e talvez inexistentes), aquelas que aparentam ter pais perfeitos, poderiam amar de verdade seus progenitores. Entretanto, quando praticamos um nível mais profundo de amor, compreendemos que os defeitos possuem tanto significado quanto as virtudes. Que mesmo aqueles pais que em alguns momentos machucaram trazem maravilhosas lições. E que podemos chorar de raiva por isso. E, em seguida, chorar de compaixão, perdão e, até, gratidão.

Sinto que o Dia dos Pais deveria ser uma data para valorizarmos a essência humana dentro de cada pai e de cada filho. Uma data para valorizarmos a verdade, com toda a sua natureza (mesmo que seja temporária) dual, bipolar. Por isso, seguindo o meu convite, faço uma sugestão: não vamos mais pensar que o presente especial é o melhor presente. Se existe alguma atitude, ou mesmo objeto, que nosso coração queira verdadeiramente dar ao pai, vamos oferecer esse presente. Se não houver, tudo bem. Vamos ser verdadeiros e dar o que realmente temos de amor. Vamos dar o nosso melhor.

E nós, pais, aqueles que talvez ganhem os presentes, vamos pensar na responsabilidade da nossa função. Em como temos, muitas vezes, sido provedores de alimento e sustento, como os animais, mas não de valores maiores, como os humanos. Vamos admitir plenamente nosso papel, grandioso e assustador, de servir de guia para uma alma, nessa jornada terrestre. Um pai de verdade é ativo, e também passivo. Ele é pai, e também mãe. Ele é tudo, e também é nada. Ele é inteiro, e só assim, verdadeiro, pode tocar o coração do seu filho.

É isso, ao menos, que tenho pedido ao Pai Maior. Ser um pai mais verdadeiro, para além do medo, da culpa e dos papéis sociais. Para além, enfim, do próprio egoísmo. Com esse espírito de verdade e amor, desejo a todos um Feliz Dia dos Pais (e dos Filhos).

 

Quer falar com o autor? >>> edu@chamaazul.com.br
www.chamaazul.com.br

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