|
A
visão planetária de Obama
O
presidente eleito dos Estados Unidos resgata idéias da
filosofia teosófica e acena com uma era de mais
respeito ao homem e à diversidade
por
Carlos Cardoso Aveline |
Em
nossa casa, a Bíblia, o Alcorão e o Bhagavad
Gita
ficavam na prateleira juntamente com os livros
da
mitologia grega, norueguesa e africana. Na
Páscoa ou no
Natal minha mãe me arrastava para
a igreja, assim
como para templos budistas, para a
celebração do Ano
Novo chinês, para santuários
xintoístas
ou para antigos locais de rituais havaianos.
Barack Obama
A teosofia é uma filosofia planetária e a sua meta
primeira é despertar a compreensão e a vivência da fraternidade
universal. Assim como o movimento teosófico, ela é
independente de rótulos, nomes pessoais, ideologias ou organizações.
O que define o verdadeiro campo de ação da teosofia clássica e
do seu estudante são fatores muito reais mas intangíveis como a
compreensão das leis da natureza, a consciência ética e uma
solidariedade para com todos os seres.
Ter acesso à sabedoria divina é um assunto de almas e não de
corporações ou instituições. William Judge, um dos
principais fundadores do movimento esotérico moderno, escreveu:
“Como o Movimento Teosófico é contínuo, ele pode ser
encontrado em todos os tempos e todas as nações. Onde
quer que o pensamento venha lutando para ser livre, onde
quer que as idéias espirituais tenham sido promulgadas em oposição
às formas e ao dogmatismo, lá o grande movimento pode ser
percebido.” [1]
Deste ponto de vista, um cidadão de boa vontade e visão ampla
pode ser considerado um verdadeiro teosofista, ainda que não seja
membro de qualquer agrupação teosófica. Não importa se ele é
cristão, judeu, budista, muçulmano ou seguidor de
uma ou de outra filosofia. Na medida em que ele compreende a
universalidade da ética planetária, sua vida ajuda a abrir
espaço para a percepção da fraternidade universal, e ele é um
verdadeiro teosofista, no plano da alma.
Este talvez seja o caso do senador Barack Obama, eleito presidente
dos Estados Unidos em novembro de 2008 e que agora se
prepara para assumir a liderança do país mais influente do nosso
processo civilizatorio. Examinando fatos da vida de Obama e
fragmentos dos livros que escreveu, poderemos avaliar o
tamanho da afinidade entre ele e a ética e a sabedoria
universais.
Derrubar
os Muros Entre Povos, Raças e Religiões
Em julho de 2008,
Barack Obama falou em Berlim, Alemanha, para uma multidão
calculada pelas autoridades policiais em duzentas mil pessoas. Ele
abriu o evento sem precedentes esclarecendo que estava ali na
condição de “cidadão do mundo” – uma expressão
que contém em si mesma a idéia da cidadania planetária e de um
mundo sem fronteiras. Ali estava um cidadão em campanha
eleitoral nos Estados Unidos, falando em manifestação de rua em
país europeu. Em seguida, Obama formulou a sua proposta de
cooperação entre todos os povos. Referindo-se indiretamente à
derrubada democrática do Muro de Berlim, em 1989, ele
disse:
“A solidariedade e a cooperação entre as nações não é uma
escolha. É o único caminho, o único caminho, para
proteger a nossa segurança comum e fazer avançar a nossa
humanidade comum. É por isso que o maior de todos os
perigos seria permitir que novos muros nos dividam um dos outros.
Os muros entre os velhos aliados dos dois lados do Atlântico não
podem ficar de pé. Os muros entre os países que têm muito e os
países que têm muito pouco não podem ficar de pé. Os
muros entre raças e tribos; nativos e imigrantes; cristãos e muçulmanos
e judeus, não podem ficar em pé. Estes são, agora, os
muros que nós devemos derrubar. Nós sabemos que eles caíram
antes. Depois de séculos de conflito, os povos da Europa
formaram uma união promissora e próspera.”
E prosseguiu:
“Aqui, na base de uma coluna construída para marcar a vitória
na guerra, nós nos encontramos no centro de uma Europa em paz.
Muros caíram não só em Berlim, mas eles vieram abaixo em
Belfast, onde os protestantes e os católicos descobriram uma
maneira de viver lado a lado; nos Balcãs, onde a nossa aliança
Atlântica terminou as guerras e apresentou criminosos de guerra
à justiça; e na África do Sul, onde a luta de um povo corajoso
derrotou o apartheid. Assim, a história nos faz lembrar do
fato de que os muros podem ser derrubados. Mas a tarefa nunca é fácil.
A verdadeira cooperação e o verdadeiro progresso requerem um
trabalho constante e um sacrifício contínuo. Eles exigem que se
compartilhe as responsabilidades do desenvolvimento e da
diplomacia; do progresso e da paz. Eles requerem aliados que
escutam uns aos outros, que aprendem uns dos outros, e,
sobretudo, que confiam uns nos outros.” [2]
Libertar
o Mundo Das Armas Nucleares
Barack
Obama acrescentou:
“Este é o momento em que devemos renovar a meta de um mundo sem
armas nucleares. As duas superpotências que olhavam uma
para a outra através do muro desta cidade estiveram demasiado
perto, por um tempo demasiado longo, de destruir tudo o que nós
construímos e tudo o que amamos. Com o final daquele muro, nós não
necessitamos ficar parados sem fazer nada, olhando para a
proliferação da energia atômica mortal. (...) Este é o momento
de começar a trabalhar em busca da paz de um mundo livre de armas
nucleares.”
Depois ele falou vigorosamente da necessidade de paz no
Oriente Médio, e abordou a questão da ecologia planetária.
Obama disse:
“Este é o momento em que devemos unir-nos para salvar este
planeta. Devemos tomar a decisão de que não deixaremos para
nossos filhos um mundo em que os oceanos se elevam, e a fome
se espalha, e tempestades terríveis devastam as nossas
terras. Devemos decidir que todas as nações – inclusive a
minha própria – agirão com a mesma seriedade de propósito que
a sua nação [a Alemanha], e reduzirão o carbono que colocam na
atmosfera. [3] Este é o momento em que devemos
devolver às nossas crianças o futuro que pertence a elas. Este
é o momento para agirmos em unidade.” [4]
A
Intenção de Refazer o Mundo
Obama parece saber o que deve fazer. E não pode ser acusado
de possuir metas demasiado pequenas. Filho de um queniano, e
nascido Havaí, ele concluiu o seu principal discurso fora
dos Estados Unidos com estas palavras:
“Povo de Berlim – povo do mundo – este é o nosso momento.
Esta é a nossa vez. Eu sei que meu país não tem se aperfeiçoado.
(...) Nós temos a nossa quota de erros. (...) Mas também
sei que (...) durante mais de duzentos anos, nós temos nos
esforçado (...) com outras nações, [por] um mundo com mais
esperança. Nosso compromisso nunca foi com qualquer tribo
ou reino especificamente – na verdade, todas as línguas são
faladas em nosso país; todas as culturas deixaram sua marca na
nossa cultura; e cada ponto de vista é expressado em nossas praças
públicas. O que sempre nos uniu – o que sempre mobilizou
o meu povo – o que atraiu o meu pai para o território
norte-americano, é um conjunto de ideais que correspondem a
aspirações compartilhadas por todos os povos: a crença de que
podemos viver livres do medo e de necessidades materiais graves;
de que podemos dizer o que pensamos, e reunir-nos com quem
quisermos, e seguir a religião que acharmos melhor. (...)
Povo de Berlim – e povo do mundo – a escala do nosso desafio
é grande. O caminho à frente será longo. Mas venho dizer
a vocês que somos herdeiros de uma luta por liberdade. Que somos
um povo de esperanças improváveis. Com o olhar voltado para o
futuro, com decisão em nossos corações, que possamos lembrar
desta história, fazer frente ao nosso destino e refazer o
mundo mais uma vez.”
Muito antes do discurso de Berlim, Obama já tinha esta clareza de
metas.
Em fevereiro de 2007, ao fazer o discurso de lançamento da sua
candidatura, ele assumira um compromisso com a mudança ética e
ecológica em escala planetária:
“Sejamos
a geração que finalmente liberta a América do Norte da tirania
do petróleo. Podemos usar combustíveis alternativos, produzidos
localmente, como o etanol, e aumentar a produção de carros com
mais eficiência energética. Podemos estabelecer um sistema de
fixação de gases que produzem o efeito estufa. Podemos
transformar esta crise de aquecimento global em uma oportunidade
para inovar, e para criar empregos, e para incentivar
empreendimentos que servirão de modelo para o mundo. Sejamos a
geração que faz com que as futuras gerações tenham orgulho do
que nós fizemos aqui.” [5]
Sem receio de assumir metas visionárias – e olhando muito além
das eleições norte-americanas –, ele disse naquela ocasião
inaugural:
“E se vocês se somam a mim nesta luta improvável, se vocês
sentem o chamado do destino, e vêem, como eu vejo, que o momento
de acordar e de abandonar o medo é agora, assim como o momento de
pagar a dívida que temos diante das gerações passadas e
futuras, então estou pronto a assumir esta causa e marchar com
vocês, e trabalhar com vocês. Juntos, a partir de hoje,
que completemos o trabalho que necessita ser feito, de trazer para
esta Terra um novo nascimento da liberdade.” [6]
A
Regra de Ouro
A proposta de Obama para os Estados Unidos e o mundo é
acusada por seus adversários de ser vaga e ambígua. Ele chegou a
ser qualificado como “pouco norte-americano”. A
verdade é que ele tem uma visão mais complexa e mais profunda do
que meras bandeiras eleitorais ou nacionalistas. A base
do seu discurso é simultaneamente inter-religiosa, ética e filosófica.
Está na famosa Regra de Ouro, um velho princípio da filosofia clássica
grega e da antiga sabedoria oriental, que foi ensinado por Confúcio
nos “Analectos” e adotado mais tarde pelo cristianismo. Este
princípio ético milenar poderia ser chamado, corretamente,
de “lei do bom carma”.
Obama esclarece:
“No final das contas, o que se necessita é nada mais, nada
menos, que aquilo que todas as grandes religiões do mundo exigem
– que façamos aos outros aquilo que queremos que eles façam a
nós. Devemos proteger o nosso irmão, como a escritura diz.
Devemos proteger a nossa irmã. Devemos encontrar aquele interesse
comum que todos temos uns nos outros, e fazer com que a nossa política
reflita este espírito.” [7]
O
Espírito de Aloha
O que será que existe de
autenticamente teosófico na vida real de Barack Obama, e que
possa explicar o seu constante discurso de adesão e de
compromisso com a Ética Universal presente em todas as
religiões? Qual é a sua formação, do ponto de vista da
visão universalista da vida? Em que atmosfera Obama foi criado?
Ele nasceu em agosto de 1961 no Havaí. Não por casualidade a sua
vida e suas idéias parecem expressar, até certo ponto, o espírito
de “Aloha”.
A palavra “Aloha” é um verdadeiro mantra
sagrado na cultura havaiana, famosa mundialmente por sua
abertura mental e fraternidade em relação a todos os povos.
É uma saudação e um conceito universalista. O termo
é considerado equivalente à palavra sânscrita “Namastê”
(“a divindade em mim saúda a divindade em você”); mas
também significa “Shalom”, “Paz”, assim como “Compaixão”
e “Amizade”.
O chamado “espírito de Aloha” implica um estado mental de paz
consigo mesmo e com todos os seres. A filosofia, o discurso
e a prática de Barack Obama parecem expressar alguma coisa
deste mantra e desta cultura presentes em sua juventude.
Os avós maternos de Barack, que tiveram um papel central na
educação do garoto, não só viviam no Havaí com o
neto mas foram influenciados em determinado momento pela Igreja
Unitária Universalista. Esta era uma igreja que
buscava a confraternização das religiões e que mantinha laços
estreitos com a Sociedade hinduísta Brahmo Samaj. A
pensadora russa Helena Blavatsky escreveu extensamente sobre o
movimento Brahmo Samaj, elogiando seu fundador e criticando
os erros cometidos por seus líderes posteriores. [8]
Barack Obama escreveu, sobre seu avô materno:
“Ele gostava da idéia de que os Unitários estudavam as
escrituras de todas as grandes religiões”.
Para o avô, segundo Barack, era “como ter cinco religiões em
uma”. [9]
Um Avô
Que Era Curandeiro Africano
Quanto ao avô paterno
de Barack Obama, Hussein Onyango Obama, ele foi um
curandeiro africano do Quênia, um muçulmano com poderes de cura
e imerso nas tradições da cultura local. [10]
O pai de Barack Obama, africano e negro, também se chamava
Barack. Este foi seu mestre e seu herói. Barack, o pai,
deixou na vida de Barack, o filho, uma presença
transcendente e uma influência mítica. No mundo infantil
de Barack, o mundo intangível em que seu pai existia se
misturava de algum modo com as origens do cosmo.
Cabe lembrar que a origem e o destino do universo é um tema
teosófico por excelência.
Na sabedoria esotérica oriental, o assunto se relaciona com o
caminho das grandes iniciações. Ao longo da sua obra “A
Doutrina Secreta”, H. P. Blavatsky faz um estudo comparado das
principais narrativas da origem do universo e do homem,
mostrando os pontos em comum que há entre os relatos dos caldeus,
da Bíblia, do Popol Vuh centro-americano, dos Puranas hindus, da
Cabala judaica e de muitos outros povos. Barack Obama
enfrentou este tema cósmico em sua infância, junto ao tema do
pai-mito.
Em um dos seus livros, ele confessa, não sem humor:
“... O caminho da vida do meu pai ocupava o mesmo terreno
que um livro que minha mãe comprou uma vez para mim, um livro
chamado “Origens”, uma coleção de histórias da Criação de
todas as partes do mundo, histórias de Gênese e da árvore na
qual havia nascido o homem, Prometeu e o presente do fogo, a
tartaruga da lenda hindu que flutuava no espaço, sustentando o
peso do mundo sobre as suas costas. Mais tarde, quando fiquei mais
acostumado ao caminho estreito para a felicidade a ser encontrado
na televisão e nos filmes, eu ficava perplexo com várias
questões. Em que se apoiava a tartaruga? Por que motivo um Deus
onipotente permitiu que uma serpente causasse tamanho sofrimento?
Por que meu pai não voltava? Mas com cinco ou seis anos de idade
eu estava satisfeito com deixar estes mistérios distantes
intactos...”. [11]
Mãe
Universalista e Anti-Dogmática
Foi a mãe de Obama,
branca e norte-americana, que lhe transmitiu na
vida diária a visão inter-religiosa e universalista, assim como
o hábito diário do auto-treinamento e da auto-disciplina.
Ela mantinha uma distância crítica das religiões dogmáticas,
assim como faz a teosofia clássica e original, enquanto a
pseudo-teosofia, lamentavelmente, cria versões próprias da
religiosidade exotérica, com seus dogmas e sacerdotes.
Barack
escreve que seus avós passaram à sua mãe uma combinação de
racionalismo com jovialidade, e acrescenta:
“As
próprias experiências de minha mãe como criança sensível e
amiga dos livros, que crescia nas pequenas cidades do Kansas,
Oklahoma e Texas, apenas reforçaram o ceticismo que
herdara. As lembranças dos cristãos que povoavam sua juventude não
eram das mais agradáveis. Ela ocasionalmentese recordava dos
pregadores que baniam três quartos da população mundial
por considerá-los pagãos ignorantes condenados a passar a vida
eterna em maldição – e que insistiam que a terra e o céu
foram criados em sete dias , com todas as provas geológicas e
astrofísicas dizendo o contrário. Lembrava-se das mulheres
respeitáveis da igreja, sempre tão rápidas em evitar as pessoas
que não correspondessem aos seus padrões de decência, apesar de
elas próprias ocultarem segredinhos sujos; dos pastores que
proferiam epítetos raciais e ludibriavam os trabalhadores para
tirar deles todo o dinheiro que conseguissem.”
Tal
mediocridade “religiosa” não ocorria por acaso. Há
um contexto maior em torno deste tipo de estreiteza de horizontes,
que não é um fenômeno local, mas constitui na verdade um
problema de escala global, combatido de frente pelos estudantes da
teosofia original.
A
verdadeira religiosidade não pode ser transformada em prisioneira
de uma instituição ou ritual, nem pode distanciar-se por
um momento da filosofia ou da ciência. Ela deve, isto sim, avançar
inter-disciplinarmente, unida ao livre-pensamento.
Na
famosa Carta 88 de “Cartas dos Mahatmas” (Ed. Teosófica,
Brasília, dois volumes) , um mestre dos Himalaias – um
raja-iogue – afirma que dois terços do sofrimento
humano são causados pela falsidade e pelas ilusões
provocadas pelas religiões dogmáticas e sacerdotais.
Barack
Obama prossegue:
“Para
minha mãe, a religião organizada muito frequentemente esconde
sua mentalidade limitada sob o manto da piedade; e a crueldade e a
opressão, sob o da honestidade. Mas isso não quer dizer
que ela não me transmitiu valores religiosos. Para minha mãe, o
conhecimento de pontos importantes das grandes religiões do mundo
era uma parte necessária de uma educação impecável. Em nossa
casa, a Bíblia, o Alcorão e o Bhagavad Gita ficavam na
prateleira juntamente com os livros da mitologia grega,
norueguesa e africana. Na Páscoa ou no Natal [minha mãe] me
arrastava para a igreja, assim como para templos budistas, para a
celebração do Ano Novo chinês, para santuários xintoístas ou
para antigos locais de rituais hawaianos. Mas fui educado para
entender que isso não exigia nenhum compromisso de longo prazo da
minha parte, nenhum esforço introspectivo maior ou autoflagelação.
Para minha mãe, a religião era uma expressão da cultura humana;
ela não explicava a origem da humanidade, era apenas uma das
muitas formas – e não necessariamente a melhor maneira – de o
homem tentar controlar o desconhecido e entender as mais profundas
verdades sobre nossa vida. Em suma, minha mãe via a religião
pelos olhos da antropóloga que ela viria a ser; era um fenômeno
a ser tratado com respeito, mas também com desapego. (.....)
E, apesar do seu secularismo, minha mãe era de muitas formas a
pessoa mais espiritualizada que conheci. Tinha um instinto
inabalável para a bondade, a caridade e o amor, e passou grande
parte da sua vida agindo de acordo com estes instintos, às vezes
em detimento de si mesma. Sem a ajuda de textos religiosos ou
autoridades externas, trabalhou muito para transmitir a mim os
valores que muitos norte-americanos aprendem na escola dominical:
honestidade, empatia, disciplina, capacidade de postergar a
gratificação pessoal e trabalho duro. Enfurecia-se com a
pobreza e a injustiça, e desprezava aqueles que eram indiferentes
a ambas.” [12]
Uma
Visão Racional e Universalista
Barack
construiu sua vida sobre este alicerce filosófico e emocional,
intelectualmente profundo mas também inseparável de
atitudes práticas e concretas.
Em
suas obras, o leitor encontra passagens em que ele faz, de várias
formas, uma declaração de princípios.
Não
é difícil perceber que o raciocínio de Barack está baseado em
uma visão ampla e universal que pode ser qualificada de
claramente teosófica no sentido clássico da palavra. Ele
afirma:
“...
Dada a diversidade crescente da população norte-americana, os
perigos do sectarismo nunca foram maiores. O que quer que já
tenhamos sido, não somos mais apenas uma nação cristã; somos
também uma nação judaica, muçulmana, budista, e uma nação de
descrentes.”
E
prossegue:
“Mas
presumamos que só tivéssemos cristãos dentro dos limites das
nossas fronteiras. Que cristianismo ensinaríamos nas
escolas? (....) Que passagens do Evangelho deveriam
guiar nossa política pública? Deveríamos seguir o Levítico,
que sugere que não há nada de errado com a escravidão e que
comer moluscos é uma abominação? E quanto ao Deuteronômio, que
sugere apedrejar seu filho caso ele se desvie da fé? Ou
deveríamos nos limitar apenas ao Sermão da Montanha – uma
passagem tão radical que é duvidoso que nosso Departamento de
Defesa sobrevivesse à sua aplicação?”
Definitivamente,
a crença cega na letra morta deve ser abandonada.
Os
princípios essenciais devem ser percebidos, e eles estão além
das formas visíveis. Obama conclui propondo a opção pelo bom
senso:
“O
que nossa democracia deliberativa e pluralista exige é que
pessoas motivadas religiosamente traduzam suas preocupações para
valores universais, não determinados pela religião. Isto exige
que suas propostas estejam sujeitas a discussões e abertas à razão.”
[13]
NOTAS
[1]
“Theosophical Articles”, William
Q. Judge, The Theosophy Co., Los Angeles, 1980, edição em
dois volumes, ver vol. II, p. 124.
[2]
“Change We Can Believe In - Barack Obama’s Plan to Renew
America’s Promise”, livro com o programa de
governo e sete discursos de Obama, publicado por Three
Rivers Press, New York, 2008, 274 pp., ver pp. 265-266.
[3]
A Alemanha é um dos países do mundo em que há mais consciência
ambiental. A própria Chanceler atual, Angela Merkel, têm
uma longa trajetória pessoal de compromisso com a preservação
do meio ambiente.
[4]
“Change We Can Believe
In”, obra citada, p. 267 a 269.
[5]
“Change We Can Believe
In”, obra citada, pp. 198-199.
[6]
“Change We Can Believe In”, obra
citada, pp. 201-202.
[7]
“Change We Can Believe In”, obra
citada, p. 228.
[8]
Veja, por exemplo, “The
Collected Writings”, Helena Blavatsky, TPH, Índia, volume
III, pp. 55-61 e pp. 286-287. E também “The Collected
Writings”, volume IV, pp. 439-443, entre outros
textos.
[9]
“Dreams From My Father”,
Barack Obama, Three Rivers Press, 1995 e 2004, New York,
458 pp., ver p. 17.
[10]
“Dreams From My Father”,
Barack Obama, obra citada, ver p. 09.
[11]
“Dreams From My Father”,
obra citada, p. 10.
[12]
“A Audácia da Esperança”, Barack Obama, Larousse do
Brasil, SP, 2007, 400 pp., ver pp. 221, 222 e 223. Nesta
citação, segui a edição original em língua inglesa nos casos
em que a versão brasileira está inexata. Ver
“The Audacity of Hope”, Three Rivers Press, 376 pp., 2006,
pp. 203-204.
[13]
As citações feitas nestes últimos parágrafos vêm de “A
Audácia da Esperança”, obra citada, pp. 236-237.
Sobre
a transição mundial e a renovação do atual processo
civilizatório, veja o texto “Al Gore e a Tradição
Esotérica”, de Carlos Cardoso Aveline, na seção
“Crise Climática Global e Mudança de Civilização” do
site www.filosofiaesoterica.com.
O link direto do artigo é: http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php.?id=470
.
Al
Gore foi vice-presidente dos EUA e é um dos vencedores do Prêmio
Nobel da Paz de 2007.
|