Ano VI // Nº 299
Texto publicado na edição de Janeiro de 2001 da revista
SUPER
Leia mais:
O
poder da mente vazia
Para
meditar bem
|
Por
uma mente mais clara
Meditar é
simples. Mas só com a prática disciplinada se chega aos
melhores resultados . É quando se alteram a percepção e os
níveis de consciência
Por CACO
DE PAULA (*)
Há
metafísica bastante em não pensar em nada, nos ensina
Fernando Pessoa. Depois de meditar, ninguém é mais a
pessoa que era antes. Eu não sou. E só tenho a agradecer
por isso. Observar a respiração, entoar mantras ou
simplesmente ouvir o próprio silêncio são ótimos meios
de trazer a mente para casa e agir com maior atenção e
serenidade. Submetidos a uma visão mais clara, alguns
problemões são reduzidos à sua real insignificância.
Dissolvem-se como sal na água. Eis porque cada vez mais
pessoas descobrem os benefícios das práticas meditativas.
Os níveis de consciência e percepção que se pode atingir
são muito variáveis. Sou apenas um principiante, mas o
pouco que experimentei já foi suficiente para mudar minha
vida. Comecei há alguns anos com ch´an tao, ou zazen, a
meditação sentada. Depois, tive a alegria de conhecer um
pouco de budismo tibetano, com sua riqueza de símbolos,
mantras, movimentos de mãos, visualização de imagens e
cores. Os vazios do zen, os signos múltiplos do tantra, as
surpresas da meditação ativa e tantas outras técnicas
levam a um só caminho: o auto-reconhecimento que nos
permite desenvolver um bom coração e buscar uma vida com
maior consciência e compaixão. Em muitas delas, pode-se
dispensar totalmente os rituais. A meditação é algo muito
mais simples do que parece. Sob certo aspecto, é reconhecer
as próprias emoções e transformá-las. Sob outros, é
apenas ser inteiro em tudo o que se faz. A meditação não
funciona quando se fala dela. Funciona quando praticada. A
prática é tudo. O meditador só se aprofunda se quiser se
transformar, localizar sua luz interna (todos nós já
viemos com uma, de fábrica – com manual de instruções
incluso). Observar-se nem sempre é fácil, mas os
benefícios são extraordinários. Há muitos
obscurecimentos que tornam as pessoas impacientes, raivosas,
incapazes de perdoar a si mesmas e aos outros. A meditação
nos deixa menos vulneráveis a esses comportamentos
venenosos que, desatentos, repetimos mecanicamente. Perceber
isso é um bom ponto de partida para buscar uma mente mais
clara.
(*) Caco de Paula,
editor da revista Veja São Paulo, pratica meditação há
cinco anos
|