Ano VI // Nº 302
Texto publicado na edição de Maio de 2001 da revista
SUPER
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medicina doente
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Continuação
da reportagem de capa - A medicina doente
Ai!!!
A dor ainda
é um dos maiores desafios à medicina
e aos médicos, que não sabem lidar com ela
Por JOMAR MORAIS
A
dor é o sintoma patológico que mais leva pessoas aos
médicos. Só no Brasil 80% das consultas são relacionadas
a esse fenômeno biológico, o mais explícito dos sinais do
organismo. Recentemente, a dor foi considerada o quinto
sinal vital. Apesar disso, a incapacidade dos médicos de
lidar com a dor de seus pacientes continua a ser um dos
pontos críticos da medicina moderna. Como a dor não pode
ser medida objetivamente, a exemplo da pressão do sangue e
dos níveis de colesterol, é difícil para a maioria dos
profissionais avaliar sua extensão e efeitos sobre o doente.
O tema tem sido enfocado em congressos internacionais e,
neste mês, será debatido em São Paulo durante o Simpósio
Brasileiro e Internacional sobre Dor, organizado pelo
especialista Cláudio Fernandes Correa.
Há alguns avanços nesse campo. O dolorímetro, aparelho
que capta ondas infravermelhas produzidas pelo calor do
corpo, já permite ao médico obter uma medida aproximada da
intensidade da dor física. Outra técnica menos sofisticada,
mas eficaz principalmente em crianças, é a escala de dor
– uma faixa contendo cores, números ou figuras com
expressões que vão do sorriso à careta. O paciente,
então, é solicitado a dizer qual ícone ou número
expressa com mais exatidão a sua dor. Mesmo diante de um
número concreto, o médico deve ponderar que a percepção
da dor varia de paciente para paciente. Problemas
psicológicos podem aumentar em até 20% a sensação
dolorosa de uma pessoa. Por outro lado, dores crônicas
costumam gerar depressão e problemas de relacionamento.
Em clínicas especializadas, como a do Hospital Nove de
Julho, em São Paulo, a cura da dor é tentada com a
utilização de eletrodos para bloquear as vias nervosas que
transportam a sensação desagradável ao cérebro. Os
terapeutas holísticos acham isso um erro. "A dor é a
luz vermelha que nos adverte. Suprimi-la com remédios ou
outros recursos é como tapar a boca de quem está se
afogando", diz o psiquiatra e terapeuta holístico
Wilhelm Kenzler.
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