|
TEXTO
ESPECIAL
a
a
Julho/2011
a
a
Leia
mais:
JM
na Grécia
JM
na Colômbia
JM
na Nova Zelândia
JM
na Austrália
JM
no Canadá
JM
Nos Estados Unidos
JM
e as
torres gêmeas
JM
na Índia
JM
no Marrocos
JM
na Europa
JM
na Venezuela
a
Outras
reportagens
|
|
|
| Funchal, a capital da Madeira, vista do alto do
Forte da Pontinha e, à esquerda, o casario de uma
rua da Cidade Velha, onde há restaurantes e bares típicos e são preservadas tradições
seculares |
|
|
Um
paraíso no coração do Atlântico
|
|
A Ilha da Madeira é um pedaço de Portugal,
próximo ao norte da África, que se
destaca por suas belezas naturais e o clima ameno. Aqui, Cristóvão Colombo
descansou, antes de seguir na aventura que culminou na descoberta da América.
E até hoje milhares de europeus preferem refugiar-se do inverno na ilha.
por
Jomar Morais
|
|
LIÇÃO
DO EXÍLIO
Texto escrito em
Lisboa na manhã de 02/02/2010 e publicado na edição do
Novo Jornal do dia seguinte
A ilha da Madeira é um paraíso. No inverno, velhinhos europeus
deslocam-se para a linda Funchal em busca de temperaturas amenas.
No verão, jovens aventureiros chegam para desbravar as montanhas e
apreciar sua rica fauna. Na semana passada, estive nesta jóia portuguesa
no Atlântico mas, além de apreciar os seus encantos naturais,
detive-me a meditar sobre um brasileiro que ali morreu, solitário
e deprimido, após ajudar a escrever uma das páginas relevantes de
nossa história. Diante do penhasco onde brilha há 116 anos o Hotel
Reid – hoje um spa luxuoso – lembrei-me de André Pinto Rebouças,
o baiano tímido e reservado, que por mérito conquistou a amizade
do imperador Pedro II, tornando-se importante articulador no
processo de libertação dos escravos.
Ao falarmos da abolição, costumamos citar tribunos, como
Joaquim Nabuco, mas esquecemos os que sustentaram a campanha
nos bastidores, com recursos financeiros e um programa ideológico,
como é o caso de André Rebouças. Para ele, não bastava a alforria
dos negros. Era preciso uma reforma agrária que lhes assegurasse o
acesso à terra e ao trabalho. A elite escravocrata certamente tentaria
perpetuar a subjugação por meio da exclusão social.
Negro, celibatário e “excêntrico”, André
sentia na pele o que é conviver numa sociedade preconceituosa e utilitarista. Jovem,
tornara-se brilhante engenheiro militar,
mas foi o único a não obter o custeio oficial de uma viagem de estudos à Europa, financiada,
afinal, por seu pai, o rábula Antonio. Ao formular o plano que
solucionou o abastecimento de água no Rio de Janeiro e construir
portos no país, enfrentou o boicote da burocracia racista e corrupta,
sem jamais deixar-se corromper. Muitos de seus projetos feneceram no
nascedouro, sob sabotagem velada ou explícita.
André era ético, autêntico e transparente. E tinha na amizade um de
seus valores mais caros. Foi assim que, ao contrário de seus companheiros,
preferiu abjurar o pragmatismo político e ficar ao lado de Pedro II,
quando este foi deposto em nome da República. Optou pelo exílio em
Lisboa, de onde passou a incomodar os novos governantes republicanos
com os seus artigos no The Times, de
Londres. Depois, perambulou pela África e, por último, em Funchal, instalou-se no Hotel Reid, onde
permaneceu até morrer, sozinho e amargurado.
Na noite de 8 de maio de 1898, André despencou do penhasco sobre
o qual vivera seus últimos sete anos. Sua morte mereceu notas de não
mais que oito linhas nos jornais locais, com a ressalva de que “o infeliz
apresentava sinais de desequilíbrio intelectual”, fato confirmado por seu
amigo Carlos Gomes. Dois dias depois, os mesmos jornais dedicariam
páginas inteiras a Campos Sales, o novo presidente do Brasil, que
aportara em Funchal a caminho da Europa... O mundo continuava
em seu cotidiano non sense, mas, em todos os tempos, princípios éticos
como os de André Rebouças, sempre ressurgem da escuridão.
|

|
| Acima,
reprodução de quadro da galeria
histórica do atual spa: imagem do Hotel Reids no início da década de 1890, pouco depois de sua construção sobre o penhasco onde
André Rebouças, à direita,
iria encontrar a morte, em 8
de maio de 1898. |

|
|
|
|
ONDE
FIQUEI
|
EM
FUNCHAL
|
|
Residencial
Pina, Trav. do Pina, 8. A 500 m. da orla, vista excelente da baía,
ap. confortável com banheiro, piscina, internet
grátis, bom café da manhã. Diária: 38 euros.
|
|
|
Na próxima edição
>>>
|
JM recorda vida
passada na Madeira
|
|
|
|
ISTO
É MADEIRA
[ Clique aqui para ver o filme ]
|
|

|
|
JM na Cidade Velha e, ao fundo, a Fortaleza de São Tiago, construída no século XVI para proteger
o Funchal dos ataques de piratas. Atualmente abriga o Museu de Arte Contemporânea.
|
|

|
|
Acima,
o Paço do Concelho, no centro, exibe edifícios históricos com
sua bela arquitetura do século 16.
Ao lado, uma escultura de Vênus no jardim
da Câmara Municipal. |

|
|
|

|
|
A tradição e a modernidade convivem em harmonia nas ruas da Madeira. Neste calçadão do Funchal esculturas seculares dividem espaço com as ousadias de artistas contemporâneos.
|
|
|
|
Antigo meio de transporte para descer a montanha até o Funchal, surgido em 1850, os carrinhos de vime ("carrinho do monte") agora deslizam a 48km por hora conduzindo turistas que curtem aventura.
|
|
|
|
JM no forte da Ilha da Pontinha. O ilhéu foi vendido por Portugal à família inglesa Blandy, em 1903.
O atual proprietário, Renato Barros, quer que a área seja reconhecida como um principado.
|
|
|
|
Acima, a fachada preservada do Hotel Reids, que
abriga um spa luxuoso com diárias de até 2200 euros. Ao lado, a orla vista da Fortaleza de São Tiago.
No penhasco ao fundo, fica
o Reids. |

|
|
|
|
|
|