Planeta Jota

Espaço Livre

 


José Hermógenes de Andrade (*)

08-12-03

A ética incontestável

Há uma considerável variedade de concepções propostas para a palavra ética. Mas, não é qualquer concepção de ética que tem o fantástico poder e a augusta incumbência de redimir o homem e o mundo.

Qual é então aquela que devemos cultivar?

A etimologia poderá esclarecer-nos.

O termo “ética” (do grego ethikos), significa a ciência da moral. E “moral”? O termo vem de mores(latim) e significa costumes, isto é, comportamentos tidos por normais e portanto aceitos pela comunidade ou sociedade. Conforme se vê, as regras da moral, de fato, só podem ser relativas, pois um ato que se taxa de “mau” em nossa comunidade, deste lado da fronteira, na comunidade vizinha, do lado de lá, pode não ser e pode até ser aceito como sendo “bom”. Num grupo de terroristas, por exemplo, a maior virtude é a perversidade mais hedionda.

Com razão, teóricos ocidentais recusam aceitar tais conceitos de “moral” e de “ética”, mas alguns filósofos ocidentais os consagra. Os primeiros denunciam a falta de fundamentos perenes, definidos e incontestáveis.

Que é o “bem? Que é o “”mal”? Quem é bom? Quem é mau? Que valor pode ter uma ética cujos conceitos de “bem” e de “mal” são voláteis, incertos, relativos, variáveis, contraditórios? Qual seria o fundamento de uma ética incontestável, perene e universalmente válida e bem definida?

A resposta é Dharma. O Dharma é o “bem” ou a virtude porque é tudo que promova e mantenha a Vida. O “mal” é o oposto. Chama-se adharma porque é tudo que A desestabiliza e destrói. Dharma é virtude. Adharma, pecado. Como todos naturalmente desejamos a perenização da Vida, somos levados a praticar o que o Dharma nos preserve e fugimos de tudo que A ameace. Tais são as bases de eterna validade para a verdadeira ética. Adiante voltaremos a refletir sobre este assunto, que ainda temos muitos aspectos e ângulos a serem examinados.

Por agora aceitemos que há somente uma ética, incontestável, inquestionável e de validade absoluta. É a ética do Dharma, isto é, a Lei gravada nas escrituras e nas lições dos Avataras e dos grandes Mestres. É a ética que constitui a essência e o fundamento de todas as formas de religiosidade austera. Os santos e sábios a conhecem, seguem e ensinam com suas vidas exemplares. Amar, doar, perdoar, servir, purificar-se, abnegar-se..., são “virtudes” válidas em qualquer recanto, em todas as eras e, portanto, em todas as verdadeiras religiões. Por quê? Porque promovem e dão sustento à Vida. Mentir, odiar, trair, drogar-se, furtar, enganar, agredir, indiscutivelmente são pecados, não importa onde nem quando. Por quê? Porque são anti-Vida. Precisamos explicar? Não. Já o fizemos. Lembra?

Os cristãos verdadeiros conhecerão à Lei Eterna (o Sanathana Dharma) se estudarem, com “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, o Sermão da Montanha, mas, acima de tudo, se o praticarem. Os budistas a conhecerão se entenderem e praticarem a nobre lição que o Iluminado ensinou no Dhamapada. Os hinduístas a viverão se compreenderem e cumprirem o que Krishna explicou e propôs na “Bhagavad Gita”. Os judeus, se viverem fiéis à Torah.Os muçulmanos pautarem suas vidas pelo Alcorão.O mesmo se pode dizer quanto aos adeptos do sufismo, jainismo, zoroastrismo, da fé Bahai, quanto aos devotos de Sathya Sai Baba.

A ética que inspirou as vidas exemplares dos grandes santos de todas as eras e de todas as religiões foi o cumprimento do Dharma, ou seja a Ética da Vida. Em nosso tempo, Madre Thereza, Luter King, Mahatma Gandhi, Chico Xavier, Frei Fabiano de Cristo, Dr. Bezerra de Menezes, Albert Shweitzer, Irmã Dulce, Betinho, e tantos outros heróis do “praticar o bem”, fazendo parte da “Comunhão dos Santos”, são santos porque viveram para promover a Vida.

A ética que salvará o mundo e o homem está no âmago de todos os homens e na profundidade abissal de todas as religiões.

                     (trecho de ensaio do autor publicado na Internet)

(*) José Hermógenes de Andrade é iogue, escritor, filósofo e terapeuta
O ensaio completo está em www.unicrio.org.br/Textos/dialogo/jose_hermogenes_de_andrade.htm

 

 


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