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Liberdade

Deus deu liberdade ao homem, o que prova que este é um dom 
fundamental. Afinal, Ele não presentearia a sua criatura com uma coisa supérflua. Só com liberdade o espírito humano pode se desenvolver.

por Carlos Prado (*)

 

Nas minhas tantas vidas já tive muitas mães. Nenhuma, porém, se compara a Landa, a melhor entre todas elas. Das outras eu recebi amor, carinho e proteção. Dela também, recebi e ainda recebo, mas a coisa mais importante que ela sempre me deu foi liberdade.

Deus deu  liberdade ao homem, o que prova que este é um dom fundamental. Afinal, Ele não presentearia a sua criatura com uma coisa supérflua. Só com liberdade o espírito humano pode enfrentar dificuldades, vencer obstáculos e se desenvolver. Preso numa redoma, ao abrigo das intempéries, ele definharia e desistiria de sua busca pelo ideal divino.

Quando penso nisso  compreendo a sabedoria de minha mãe. Ela nunca me impediu de cumprir meu destino. Sempre me apoiou e me apóia, quando preciso de auxílio, mas sem jamais cercear minha liberdade.

Uma boa mãe, no sentido material, é aquela que luta e se sacrifica para dar ao filho, por exemplo, condições de estudar e garantir uma vida confortável. Já a mãe espiritual é a que assegura ao filho os meios de que ele precisa para cumprir sua missão de adquirir consciência e se desenvolver espiritualmente.

Hoje, quando faço minhas reflexões, percebo que a coisa que eu mais adquiri nesta vida foi consciência. E consciência é a única coisa que podemos levar para além da vida. O resto todo se perde com a morte.

Eu sei que cresci espiritualmente porque fui e sou  livre, vivi e vivo a vida com intensidade e corri e corro mundo, sem parada. Este mundo é uma escola e a vida um período letivo. A liberdade é o melhor método de aprendizagem.

Noite dessas sonhei com a mãe da Landa, minha avó Brasilina. Ela me mostrou um menino, metade homem metade cavalo, e outro, metade homem metade árvore e me disse que as plantas, os animais e tudo que existe no universo faz parte de nossa ancestralidade. Me pediu para sempre ser grato aos meus ancestrais e explicou que o meu crescimento espiritual é compartilhado com todos eles.

Depois disso me lembrei de outro sonho que tive na noite de 11 de abril de 2006, quando completei 51 anos e meu pai, Euclides, se fosse vivo, completaria 100 anos. Ele estava sentado numa cadeira majestosa. Eu me ajoelhei diante dele, coloquei as mãos sobre seu joelho direito e, muito emocionado, agradeci pela oportunidade da vida que ele me deu. Ele pousou a mão direita sobre minha cabeça e também me agradeceu,  por eu lhe dar continuidade.

Pessoas como a Landa e o Euclides vem ao mundo  com a missão de dar a outras pessoas as condições de que  precisam para cumprir suas próprias missões. Eu, felizmente, pude contar com eles que me deram a liberdade tão fundamental  na busca de minhas metas.

(*) Carlos Prado é jornalista e chefe de Redação do Novo Jornal (RN)

Email: carlosprado17@hotmail.com 

 

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