|
Nas
minhas tantas vidas já tive muitas mães. Nenhuma, porém, se
compara a Landa, a melhor entre todas elas. Das outras eu recebi
amor, carinho e proteção. Dela também, recebi e ainda recebo, mas
a coisa mais importante que ela sempre me deu foi liberdade.
Deus
deu liberdade ao homem,
o que prova que este é um dom fundamental. Afinal, Ele não
presentearia a sua criatura com uma coisa supérflua. Só com
liberdade o espírito humano pode enfrentar dificuldades, vencer
obstáculos e se desenvolver. Preso numa redoma, ao abrigo das
intempéries, ele definharia e desistiria de sua busca pelo ideal
divino.
Quando
penso nisso compreendo
a sabedoria de minha mãe. Ela nunca me impediu de cumprir meu
destino. Sempre me apoiou e me apóia, quando preciso de auxílio,
mas sem jamais cercear minha liberdade.
Uma
boa mãe, no sentido material, é aquela que luta e se sacrifica
para dar ao filho, por exemplo, condições de estudar e garantir
uma vida confortável. Já a mãe espiritual é a que assegura ao
filho os meios de que ele precisa para cumprir sua missão de
adquirir consciência e se desenvolver espiritualmente.
Hoje,
quando faço minhas reflexões, percebo que a coisa que eu mais
adquiri nesta vida foi consciência. E consciência é a única
coisa que podemos levar para além da vida. O resto todo se perde
com a morte.
Eu
sei que cresci espiritualmente porque fui e sou
livre, vivi e vivo a vida com intensidade e corri e corro
mundo, sem parada. Este mundo é uma escola e a vida um período
letivo. A liberdade é o melhor método de aprendizagem.
Noite
dessas sonhei com a mãe da Landa, minha avó Brasilina. Ela me
mostrou um menino, metade homem metade cavalo, e outro, metade homem
metade árvore e me disse que as plantas, os animais e tudo que
existe no universo faz parte de nossa ancestralidade. Me pediu para
sempre ser grato aos meus ancestrais e explicou que o meu
crescimento espiritual é compartilhado com todos eles.
Depois
disso me lembrei de outro sonho que tive na noite de 11 de abril de
2006, quando completei 51 anos e meu pai, Euclides, se fosse vivo,
completaria 100 anos. Ele estava sentado numa cadeira majestosa. Eu
me ajoelhei diante dele, coloquei as mãos sobre seu joelho direito
e, muito emocionado, agradeci pela oportunidade da vida que ele me
deu. Ele pousou a mão direita sobre minha cabeça e também me
agradeceu, por eu lhe
dar continuidade.
Pessoas
como a Landa e o Euclides vem ao mundo
com a missão de dar a outras pessoas as condições de que
precisam para cumprir suas próprias missões. Eu,
felizmente, pude contar com eles que me deram a liberdade tão
fundamental na busca de minhas metas.
(*)
Carlos Prado é jornalista e chefe de Redação do Novo Jornal (RN)
Email: carlosprado17@hotmail.com
|