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Ano V // Nº 288

Texto publicado na edição de 05 de abril de 2000 da revista Exame.

Mais megawatts?
A Koblitz concorre com os gigantes da energia

Por JOMAR MORAIS, de Recife

"Ou o Brasil consegue gerar mais 40 000 megawatts de energia elétrica, nos próximos 10 anos, ou as fábricas vão parar". A frase é do engenheiro Luiz Otávio Koblitz, dono da Koblitz, empresa especializada em oferecer soluções de energia para indústrias.

Sem pânico. A Koblitz, localizada em Recife, olha para a crise energética do país e enxerga oportunidades de negócio. Seu trabalho é atender à demanda por quilowatts de fábricas que não querem correr o risco de ver suas máquinas parar exatamente no momento em que precisarem produzir mais. Esse temor dos industriais tem fundamento. Se a previsão de crescimento da economia de 4% este ano e de 5% em 2001 se confirmar, é bastante provável que os 67 000 megawatts que o país produz não dêem conta do recado. Em fevereiro, o governo se antecipou e fez com que as empresas concessionárias de energia se comprometessem a construir 49 usinas termelétricas que, juntas, produzirão 13 000 megawatts, a partir de 2003, o equivalente a uma nova hidrelétrica de Itaipu.

A crise energética não é novidade no Brasil. A novidade, trazida por empresas como a Koblitz, é que a iniciativa privada não quer mais esperar por soluções oficiais e está resolvendo por conta própria suas dificuldades nessa área.
A empresa de Koblitz, 51 anos, um maranhense filho de um químico austríaco naturalizado brasileiro, projeta, monta e, na maioria dos casos, opera usinas geradoras, em geral movidas a gás natural e biomassa. Sua marca está presente em mais de 40% das 500 geradoras implantados em indústrias brasileiras - algo que já corresponde a cerca de 20% da produção de Itaipu.

Atualmente, a Koblitz está construindo 15 centrais de geração de energia para indústrias de arroz do Rio Grande do Sul. Tanto quanto os arrozeiros gaúchos, os demais clientes da Koblitz querem resolver seus problemas de energia com sistemas autônomos sem precisar desviar sua atenção e seus recursos do foco de seus negócios. O projeto no Rio Grande do Sul, orçado em 120 milhões de reais, deve gerar 110 megawatts por dia, usando como combustível a própria casca de arroz.

Os clientes da Koblitz não costumam gastar um centavo com a construção das centrais. No caso gaúcho, por exemplo, caberá à Koblitz e às suas sócias no empreendimento - a portuguesa Companhia Geral de Distribuição Elétrica (CGDe) e a Companhia de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul - entrar com os recursos financeiros. Se o negócio dá lucro? O faturamento anual das centrais, daqui a três anos, é estimado em 40 milhões de reais.

A Koblitz acabou de desenvolver também um projeto para a Refrescos Guararapes, franqueada da Coca-Cola em Recife, cuja nova fábrica, inaugurada em outubro do ano passado, é abastecida por uma central de geração a gás construída e administrada pela Koblitz e CGDe. A Guararapes, segundo seu diretor executivo, Ricardo Franco, ganhou duas vezes ao fechar o negócio com a Koblitz: "Economizamos os 2 milhões de reais que gastaríamos construindo uma subestação para receber energia da rede pública e ainda nos livramos das variações de tensão, problema sério para uma indústria como a nossa, que opera com equipamentos sensíveis."

A produção independente de energia no Brasil avança apoiada em grupos internacionais que só recentemente descobriram o potencial de negócios nessa área. A CGDe e a americana Energyworks, são as principais parceiras da Koblitz. Elas garantem a captação de recursos externos para os projetos; a Koblitz entra com a prospecção de clientes e operação das centrais.
A Koblitz tem 200 funcionários fixos em Recife e em Piracicaba, no interior São Paulo, e, apesar de seu faturamento ainda modesto - a previsão para este ano é de 30 milhões de reais -, briga de igual para igual com gigantes como a Siemens e a Asea Brown Boveri. Uma prova de que, para explorar oportunidades e nichos de mercado, não é preciso tamanho. Bastam boas idéias e competência para levá-las a cabo.

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