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JOMAR MORAIS É doido. Para ele, é muito simples: toda vez
que alguém caminha na contramão é maluco. Portanto, nada
mais justo que absorver o predicado. Jornalistas são doidos
porque doida é a vida dos jornalistas. Mas Jomar Morais é
um pouco mais doido
que o normal. Além de jornalista, também é escritor. E os
escritores, por natureza, assim como os jornalistas, também
andam na contramão. Uma contramão presente no olhar que
procura respostas num lugar distante do senso comum. Onde
está a informação que
se não servir para a pauta do dia pode muito bem servir
para a vida.
Os motivos da loucura do jornalista Jomar Morais são
conhecidos pelos mesmos doidos que o admiram. São crenças
particulares que tem origem em experiências acumuladas no
jornalismo, em viagens pelo país e pelo mundo como
mochileiro e, principalmente, na meditação e no silêncio.
Jomar Morais crê no silêncio como uma oportunidade de
autoconhecimento. Através da meditação, chegou a ficar
dez dias em silêncio absoluto. Saiu melhor do que entrou,
diz. Parte desse mix de crenças materiais e espirituais está
em ‘Viver – Outro olhar sobre o amor, a dor e o
prazer’, livro que o jornalista lança hoje, a partir das
19h, nalivraria Siciliano do Midway. Ao todo, são 57 crônicas,
publicadas muitas delas originariamente na coluna Plural,
que assina todas das terças-feiras no NOVO JORNAL.
A coruja, símbolo da sabedoria e da filosofia para
diferentes correntes de pensamento, aparece na capa do livro
porque, para ele, tem um signiicado semelhante a essa fase
da vida. “Para mim é um convite a um voo no escuro. O
trabalho dela é à noite. O povo ica correndo atrás de
felicidade, mas isso é bobagem. Você só é feliz se você
se autoconhecer. E só obtém isso com um voo no escuro. As
pessoas costumam procurar as coisas apenas onde tem luz, na
superfície. Os
meus achados, porém, estão nos vôos da coruja”,
reflete.
O jornalista, escritor e mochileiro Jomar Morais recebeu o
NOVO JORNAL na sede em reforma do grupo Sapiens, em Candelária,
onde desenvolve um trabalho de estudos da meditação e de
textos filosóicos desde 2001. Uma conversa de duas horas e
mais alguns
quebrados que poderiam se estender por outras tantas,
tamanha a quantidade de histórias e o prazer com que
relembra e narra fatos marcantes da história do país que
viveu. Durante anos, Jomar foi um dos grandes da reportagem
política brasileira. Uma época em
que cobriu o processo de transição democrática pela Folha
de São Paulo depois de já ter passado pelo Estadão,
Jornal da Tarde, Jornal do Brasil e revista Veja.
De uma simplicidade que chama a atenção do observador mais
distraído, Jomar alterna a timidez da voz e do riso preso
com o olhar que vagueia entre o foco no repórter e o encalço
no tempo que resgata lembrando a própria história. Do
passado, não denota qualquer
saudosismo. Tem orgulho em ter sido o primeiro jornalista
brasileiro a escrever uma coluna na internet. Trabalha com
desenvoltura com as ferramentas atuais e brinca chamando de
“coisa de velho” esse
amor pelo
jornal de
papel. “Acho que todos os jornais vão ter a
sorte do JB. É só questão de tempo”, diz em referência
ao im da versão impressa do jornal onde trabalhou por um
ano e quatro meses.
Durante os 39 anos de carreira, colecionou amigos, fontes nas
coxias e nos gabinetes da República e lições. Para falar
da carreira, iniciada surpreendentemente aos 13 anos de
idade no jornal ‘A Ordem’, em Natal, lembra do filósofo
alemão Arthur Schopenhauer. “Ele costumava dizer que,
quando se olha para trás, a impressão é de que a vida da
gente foi escrita por um excelente romancista que
desencadeou tudo porque tudo foi muito bem costurado e você
se pergunta: ‘como é que eu cheguei até aqui?’ A
partir dessa indagação muda a perspectiva, que é o que a
experiência vai te proporcionar”, ensina.
INÍCIO
Um romance que, fosse contado em livro, começaria narrando a
história do encontro no Rio Grande do Norte entre um
mossoroense João Tavares de Morais, o Tidão, jogador de
futebol e um dos ídolos da história do ABC, com uma
maranhense, nos anos 50. Por conta da profissão do pai,
Jomar nasce em Recife. A referência dentro de casa, porém,
não desperta o garoto que dispensa a bola pelo rádio e os
jornais que o pai comprava todo im de tarde. Essa ligação
é tão forte que aos 13 anos Jomar decide procurar emprego.
“Faltava um mês para eu completar 14 anos. Meu
sonho era ser o contínuo de jornal. Voltando da biblioteca
do Instituto Histórico, passei na praça onde está a
catedral hoje e ouvi o barulho de umas máquinas. Subi na
janela e vi os linotipos, era a sede do jornal ‘A Ordem’
e eu nem sabia. Perguntei pelo gerente e me apresentaram o
secretário de redação Tarcísio Monte. Era sexta-feira e
ele mandou que eu fosse na segunda-feira. Mas no sábado o
mercado municipal, onde hoje é o Banco do Brasil, pegou
fogo. E fui por conta própria, cobri a minha primeira matéria”,
lembra o jornalista que, na segunda-feira, recebeu a missão
de entrevistar o governador Walfredo Gurgel, o prefeito
Agnelo Alves, o reitor da UFRN, Onofre Lopes, e o rei Momo
Paulo Moreira. Hoje, olhando para trás, compara a profissão
com o livro que lança agora. “O jornalismo me deu muito
prazer, bastante dor, mas sempre fiz com amor”.
DA
“ORDEM”, MORAIS FOI PARAR EM SÃO PAULO
Após o início prematuro, aos 13 anos de idade, no finado
semanário ‘A Ordem’, Jomar Morais rodou pelas redações
da Tribuna do Norte e Diário de Natal, no Rio Grande do
Norte, antes de se mandar para São Paulo. A ideia era
concluir uma pósgraduação em jornalismo, mas logo
encontraria alguém para colocá-lo de volta nos trilhos das
redações. Após aceitar o convite de Gaudêncio Torquato,
professor da USP, para trabalhar numa empresa de comunicação
que, entre outras coisas, produzia um caderno voltado para
jornalistas e estudantes da área, foi indicado para a redação
do Estadão pelo jornalista Manoel Carlos Chaparro, que também
fazia parte da equipe e tinha trabalhado nos bons tempos de
‘A Ordem’. Sem vaga naquele momento, Jomar terminou
aceitando uma vaga no Jornal da Tarde, do grupo Estado,
depois passar tanto no teste do Estadão como no da Folha de
São Paulo. “Fiquei três dias na editoria de Cidades até
ser efetivado. Seis meses depois, o Miguel Jorge me chama
para o mesão do Estadão, onde se fazia a primeira página
do jornal. Do mesão fui transferido para a editoria
Internacional, em 1979, porque aderi à greve dos
jornalistas”, lembra.
Estar no lugar certo na hora certa foi mais uma vez
fundamental para Morais subir mais um degrau. Indicado pelo
secretário de redação do Estadão Gabriel Manzano, foi
parar ao lado do jornalista Augusto Nunes na revista Veja.
Comparando as principais empresas por onde
passou, demonstra um carinho especial pela editora Abril.
“A ‘Abril’ foi a melhor empresa em que já trabalhei.
Não estou lá porque não quero. Os amigos ainda insistem
para que eu
volte, é uma empresa muito correta. Quando saí fizeram
acordo, tenho a porta aberta. Mas a Folha, no jornalismo político,
me deu mais projeção. Levei muito furo para o jornal. Foi
a (empresa) que me projetou melhor. Mas a Folha é mão de
vaca, embora valorizasse muito o repórter. Lá eu
trabalhava fora da pauta e minha obrigação era levar
informação de bastidor”, disse.
Jomar Morais se orgulha quando relembra o fato de, nas
empresas que trabalhou, só ter sido demitido uma única
vez. O episódio aconteceu no Jornal do Brasil, em meio às
discussões sobre a transição política do país da
ditadura para a democracia. E mesmo assim, quando o grupo
que forçou a saída dele deixou o jornal, a empresa o quis
de volta. “Da (editora) Abril entrei e saí quatro vezes.
Da Folha, três vezes. Apesar da confusão, o JB me chamou
de novo quando os chefes depois saíram. Fui sincero comigo.
Para exercer um cargo
de editor político, num ambiente tumultuado e em guerra de
facções, teria que ter muita habilidade política. Mas a
minha sempre foi a habilidade do coração”.
NO
FIO DA NAVALHA DA COBERTURA POLÍTICA
A editoria política foi a toca de Jomar Morais durante
a maior parte da carreira que, somente em redação, durou
35 anos. E em todos os veículos, enfrentou dificuldades
pelo destaque que foi conquistando. Na Folha de São Paulo,
por exemplo, teve um embate com a Agência Folha, que
costumava desmentir todos os furos de reportagens que
publicava no impresso. Nesse caso, Morais cita a importância
de repórter e editor andarem afinados no dia-a-dia.
“Ali (primeira metade dos anos 80) a Folha tinha cinco repórteres
especiais: Ricardo Kotcho, Ricardo Brito, Galeno de Freitas,
Clóvis Rossi e eu. Revezávamos-nos também no comentário
da página 2, até que icou só o Clóvis Rossi. Houve uma
reação da agência Folha em relação ao meu trabalho. Eu
levava a matéria e no dia seguinte vinha um desmentido. Aí
entra a importância de você estar ainado com o editor. Se
o seu editor não é bem informado e fica só na cozinha do
jornal, não vai ter boas fontes. Mas o meu tinha. Primeiro
foi o Oton e depois o Boris Casoy. Chegava a reclamação,
ele checava com as fontes dele e dizia: ‘ah! sua matéria
é quente’. Aí fui ganhando prestígio”, recorda.
Problema semelhante ele teve com uma das fontes mais
complicadas para os repórteres da área política: o
candidato derrotado nas últimas eleições à presidência
da República José Serra, que costumava pedir a cabeça de
‘jornalistas’ aos donos de jornais. “Eu estava na Veja
e o Serra me falou do cerco que estava fazendo ao prefeito
de Diadema e publiquei essa matéria. Isso deu uma confusão
danada. Ele foi para o Elio Gaspari (editor de política da
revista) para dizer que eu estava errado. Na Veja, uma
informação da área política em que você prova que o repórter
foi desonesto significava demissão. Se você se enganou,
tudo bem, porque todo mundo se engana, mas provar que foi
desonesto, não. Mas felizmente, o Élio sabendo da minha
trajetória não foi na dele. Mas era hábito do Serra, todo
mundo sabe disso, que ele ia aos donos de jornais. Informação
de cocheira ele ia por cima”, conta.
CLIMA
TENSO NO JORNAL DO BRASIL
Para
entender o que se passou no Jornal do Brasil, naquele inal
de década de 70, é preciso lembrar que o velho JB, apesar
de já em crise, ainda era, na época, um dos jornais mais
inluentes do país, ao mesmo tempo em que não se pode
esquecer o clima tenso vivido com a transição política
que sairia de 20 anos de ditadura para a democracia. Apesar
de o ex-presidente Ernesto Geisel prometer uma transição
‘gradual, lenta e segura’, o sucessor dele, João
Batista Figueiredo, aquele que preferia o cheiro dos cavalos
ao do povo, não dava garantias de nada. Nesse meio tempo, o
JB era acusado de fazer um acordo com o pré-candidato da
Arena Paulo Maluf e, no meio desse vendaval de informações,
contra-informações e especulações, a redação sofreu um
baque quando, o secretário, o chefe e o editor de política,
todos do Rio de Janeiro, foram substituídos por jornalistas
de São Paulo.
Jomar Morais estava no olho do furacão. “Fiquei um ano e
quatro meses no Rio, quando editei política no JB. Foi o único
jornal de onde fui demitido. O jornal estava vivendo um
momento difícil, mas ainda era muito inluente. E crise de
jornal é sempre grana. Na redação, todo mundo era
carioca, ou era mineiro que se tornou carioca. E de repente
vem o secretário de redação, o diretor de redação e o
editor de política de fora. Houve um choque. Ainda tinha
aquela ideia de que o jornal estava fazendo um acordo com o
Paulo Maluf. Não sei se houve, mas acredito que sim. O
Maluf estava tentando se aproximar do Mario Andreazza (que
acabou perdendo para Maluf na convenção do PDS). Isso foi
em 1984. Quando eu briguei, voltei para a Folha de São
Paulo e fui para Brasília pegar o filé, que foi a transição”,
conta.
O jornalista potiguar recorda que nem a hierarquia entre os
‘paulistas’ era respeitada, como o secretário de redação
José Nêumane Pinto mandando mais que o chefe Chico Vargas.
“Isso dava curto circuito todos os dias, era muita confusão.
Ainda consegui levar algum tempo, o problema todo é quando
era sucessão presidencial. O resto era de boa, mas a sucessão
era complicada”, disse.
AS
GRANDES REPORTAGENS
Jomar dispensa um espaço generoso da memória para guardar
as grandes experiências da carreira de repórter nos
principais jornais e revistas do país. Se engana, porém,
quem pensa que a estante das grandes reportagens tenha lugar
somente para as matérias de repercussão política que
escreveu. Tudo bem que o grande furo da vida dele, dividido
com o concorrente Jornal do Brasil em 1984, tenha sido
cobrindo política em Brasília, quando soube de uma reunião
entre o candidato do MDB Tancredo Neves e o ministro do Exército
Walter Pires, que selaria de vez, e com paz, a transição
política do governo militar para o democrático.
No rol de reportagens inesquecíveis
de Jomar Morais aparecem coberturas de aventura, como
o desbravamento de Rondônia, onde não havia acesso de
asfalto no inal dos anos 70. “Fiquei 22 dias produzindo
essa matéria, Rondônia não tinha asfalto. Alugamos um
helicóptero que servia a uma empresa que abriu uma clareira
no local, dormimos na floresta, andamos de canoa, foi
marcante pela aventura”, disse. Em matéria de perigo, no
entanto, nenhuma reportagem se comparou à experiência na
Colômbia para descobrir as conexões entre o tráico de
drogas e a falsiicação de dólares pelo cartel de Medellín.
A dica havia sido passada pela revista Newsweek. Disfarçado
como professor, Morais foi descoberto no segundo dia de
apuração e, para não morrer, deixou a cidade. “Fiquei
hospedado no hotel onde, segundo a revista, os traficantes
faziam os negócios. Foi uma bobagem e aprendi uma lição.
Estava sem fotógrafo e não tinha câmera escondida. Entrei
no hotel e, no segundo dia, já sabiam quem eu era.
Arrombaram minha mala e colocaram a matéria em cima. Tive
que agir rápido para voltar para Bogotá, onde peguei mais
detalhes da matéria no serviço secreto”, conta com
sorriso no rosto o jornalista que chegou a montar campana
para perseguir torturador do DOI CODI em favelas da zona Sul
de São Paulo.
“Tem lados da vida de repórter que marcam, foram histórias
legais, como cobrir aquele momento de transição democrática,
o Lula fazendo greve no ABC, levar gás lacrimogêneo no
rosto, mas meu grande momento, que vejo como o desfecho de
ouro, foi essa das Índias, que fiz em 2006, onde fiquei 40
dias andando de riquixás, trem, ônibus de segunda classe
apertado como uma sardinha, vivendo como um indiano. A
abertura daquela matéria coloco no livro. Pude fazer numa
revista utilitária um texto poético que não tivesse 100%
com objetivo de mero serviço”, disse.
MEDITAÇÃO,
SILÊNCIO E MOCHILA
O desejo de largar a rotina das redações já estava
sacramentado na cabeça de Jomar Morais, quando a editora
Abril o convida para integrar um grupo que teria uma missão
simples:
substituir o recheio acadêmico da revista Super
Interessante por uma publicação mais solta e moderna. A
experiência para o jornalista, no entanto, iria bem além
do ofício. Ali, a partir do ano 2000, Morais tem contato
com a meditação. E se já dividia o tempo de repórter com
o lado espiritual, Jomar entraria de vez numa nova fase onde
a qualidade de vida faria mais sentido que qualquer furo de
reportagem.
“A questão da espiritualidade se intensificou de 2000 para
cá quando trabalhei na Super Interessante para mudar a
revista. Tinha saído da revista Exame e já estava aqui em
Natal.
Na Super Interessante ficava dois meses preparando uma matéria.
Fui para lá com uma equipe para mudar porque ela estava
muito agarrada ao academicismo, não estava alinhada a essa
sociedade integrada funcionando em rede. Você não tem
conhecimento sério só na academia, que é apenas uma
vertente do conhecimento. Então lá escrevi capa sobre
meditação e outra questionando alguns procedimentos da
medicina. Era uma revista que batia com o modelo anterior.
Antes, o que a academia falou estava falado”, conta.
O início dos estudos aprofundados pela meditação começa
ali mesmo e dá origem ao Sapiens, grupo de estudo que
fundou em Candelária para meditar e discutir livros e
conceitos sobre o tema. É também partir dessa experiência
que Jomar Morais passa a valorizar o silêncio como
ferramenta para o autoconhecimento. O jornalista já chegou
a ficar dez dias em silêncio absoluto.
“Já passei dez dias em silêncio absoluto.
Tentamos evitar a comunicação gestual, inclusive. É uma
possibilidade de aprofundar a prática meditativa e de
permitir um mergulho dentro de você. Muitas coisas podem
acontecer, nenhuma é miraculosa. Tudo o que você
experimentar vai ser uma radiografia de você mesmo, do seu
eu interior”.
Na mesma época em que a meditação e o silêncio surgem além
da pauta diária para o jornalista, as viagens pelo mundo
também se intensificam. Jomar passa a fazer frilas
(jargão jornalístico para trabalhos eventuais) para
revistas, principalmente de turismo, e aproveita o tempo sem
trabalho para conhecer outros países. Nessa brincadeira
foram 28 nações diferentes nos cinco continentes do
planeta. “Senti a necessidade de virar a página. Estava
de saco cheio. Nenhum de nós é apenas jornalista. Eu também
sempre tive o outro lado e foi o que me sustentou também. O
jornalismo sempre me consumiu muito,então chegou o momento
em que eu estava cansado da rotina do jornalismo. Queria
intensificar coisas quem me dão prazer. Se eu quero dormir,
durmo. Se quero viajar, viajo”.Na viagem mais recente,
deixou o avião de lado, pegou um ônibus e foi parar na
Argentina. No domingo, lembrou que tinha que escrever a crônica
de terça-feira do NOVO JORNAL. Sentado ao lado do Obelisco,
em Buenos Aires, abriu o palm top e escreveu sobre a próxima
parada: Montevidéu, no Uruguai. “O problema é que eu não
tinha conexão. Aí olhei para o lado, vi um Mc Donald´s,
vi que tinha rede wi-fi e mandei (risos). Hoje eu vivo
assim”, diz caindo na gargalhada.
Antes de encerrar a entrevista, pede para responder a única
pergunta que havia ficado sem resposta. O repórter quis
saber o que de melhor o jornalismo deu a esse pernambucano
que nasceu em Recife por obra e graça do futebol, mesmo sem
saber o que é um impedimento, mas deve a Natal todo o
reconhecimento da carreira. Para quem abraça essa profissão
tão incoerentemente polarizada entre a alegria e a
tristeza; o orgulho e a decepção; e o sucesso e o
fracasso, a resposta parece a senha do tripé de que tanto
fala Jomar Morais. “A melhor coisa do jornalismo é nos
abrir para a vida. O exercício do jornalismo não combina
muito com a noção de gueto. Se você se fechar, não
consegue ser repórter. O jornalismo me ajudou a entender
melhor a condição humana. O jornalismo é a mistura de
amor, dor e prazer”.
Leia
aqui sobre o lançamento do livro Viver: outro olhar
sobre o amor, a dor e o prazer
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