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Na
tarde fria de outono, a voz estridente da negra esguia
é recebida com indiferença pelas pessoas que se
dirigem à vizinha estação do metrô e pelos turistas
aglomerados diante da imensa cratera que restou do que
fora um dia as torres gêmeas de Nova York.
A mulher
exaltada protesta com um discurso religioso, repleto de
frases sem sentido, ela própria uma amostra do que a
realidade pode produzir nas pessoas. Lembra os inocentes
sacrificados na manhã de 11 de setembro de 2001, quando
aviões seqüestrados por terroristas se transformaram
em mísseis, espalhando destruição e dor no Ponto Zero
da maior cidade americana. Grita e pede respeito
aos mortos e à sua sepultura escancarada. Mas no
local as obras para a construção da Freedom Tower
(Torre da Liberdade), que reeditará em 2010 o espetáculo
visual e simbólico das antigas torres do World Trade
Center, seguem aceleradas e o cotidiano da metrópole,
novamente colorido e vibrante, insiste em deixar no
passado aquela terrível manhã de setembro.
Nova
York diz a Nova York: o show tem de continuar. A vida não
pára. Há luzes, cores e sons como antes. As noites
continuam febris. O comércio acena com o paraíso do
consumo. A cultura transpira por todos os poros da
cidade que ama a liberdade e a diversidade... Mesmo
assim, a Nova York que reencontrei agora, cinco anos após
minha última visita – em 2001 ainda pude apreciar a
imponência das torres gêmeas, nove dias antes do
atentado –, já não é a mesma e certamente jamais
será, pelo menos para os meus olhos.
Junto
com os dois edifícios atacados, então um símbolo da
pujança americana e da ousadia nova-iorquina, ruíram
pedaços do espírito da cidade que talvez não saibamos
precisar em um texto, embora perceptíveis a olhos e
corações sensíveis. E retornar a Nova York como um
simples mochileiro, despojado e com pouco dinheiro,
certamente ampliou-me essa sensibilidade, por colocar-me
mais perto da cidade real, aquela das pessoas que vivem
o cotidiano, conhecem os códigos locais de sobrevivência
e captam através da empatia a expressão das almas
individuais e coletiva. Não, essa não é mais uma visão
sombria de um turista frustrado em sua ânsia de sensações.
Nova York está melhor! Ficou mais calorosa e humana,
mais pacata e cordial, seja por que o impacto do terror
ou a ressaca da beligerância americana, que sucedeu ao
ataque terrorista, revolveu valores adormecidos nos porões
de corações e mentes ou simplesmente por que, vista
agora por um brasileiro comum e descomplicado, a cidade
se revela além de seu concreto, aço e dólares.
Nova
York foi o ponto culminante de um roteiro que começou,
em 5 de outubro, no Canadá (etapa que será relatada na
próxima edição do Planeta Jota) e que incluiu
visitas a Boston e a Washington, além de paradas rápidas
pelo interior dos Estados Unidos. Cidade cosmopolita,
capital dos negócios e da cultura no ocidente, Nova
York está longe de ser a cara da nação americana.
Fora da metrópole, agitada e liberal, os Estados Unidos
mostram uma face um tanto modorrenta e conservadora, sob
a qual se esconde, a um só tempo, fé e generosidade, nacionalismo exacerbado, uma boa dose de preconceito
e o apego a uma tradição de encrencas e guerras. Mas
também esse pedaço maior da nação americana parece
refeito do impacto de 2001 e seus cidadãos cansados das
aventuras bélicas a que foram levados em nome da honra
e da autodefesa. Nas casinhas de campo enfeitadas para a
festa do Halloween e no contato apressado com pessoas
comuns em pequenas cidades, como Buffalo e Burlington,
percebi o anseio de paz e um certo resgate da ternura
essencial do ser humano - o que seria confirmado depois
pelo resultado das eleições para o congresso
americano, em novembro.
Aposentado
do jornalismo brasileiro, que ajudei a fazer durante
algumas décadas, e agora exposto ao seu noticiário
tenso, voltei aos Estados Unidos preparado para
enfrentar o medo e as reações neuróticas que lhe são
peculiares, sob a forma de desconfiança e
agressividade. E acabei encontrando a descontração e a
cordialidade escondidas, pelo menos nos caminhos que
percorri ao lado de Fátima, minha mulher. Talvez por
que, dessa vez, eu tenha entrado no país por terra,
através da fronteira tranqüila com o Canadá,
surpreendeu-me a serenidade que vi no posto do Serviço
de Imigração do outro lado do rio Saint Lawrence,
comparada à rotina dos oficiais da Imigração no
aeroporto Kennedy, em Nova York, onde às vezes se
acumulam vítimas de grosserias de funcionários
estressados. Na calma da madrugada – sim, como um bom
notívago entrei em território americano às 2h da
madrugada, com o meu jeitão de árabe-marroquino-indiano
-, apenas um dos passageiros do ônibus em que eu
viajava teve que se explicar a um agente. Tratava-se de
um estudante da Tunísia, a quem foi solicitado bem mais
do que responder à tradicional pergunta “por que
veio?”, colocar os dedos indicadores na maquininha
leitora de digitais e pagar uma taxa de seis dólares.
Surpreendeu-me
também a tranqüilidade em Washington, varrida nessa época
do ano por ventanias geladas que espalham folhas secas
junto com fofocas políticas. Um paradoxo quando nos
lembramos que é dali que parte o discurso oficial que
anuncia guerras preventivas e a necessidade de uma
rotina neurótica na vida dos americanos. É fato que as
medidas de segurança foram reforçadas, que mais câmeras
ocultas e olhos disfarçados espreitam visitantes, mas
é bom que isso aconteça de forma tão discreta que não
nos incomoda e nem chegamos a perceber. Em torno do
Capitólio, o Congresso americano, há tantos seguranças
ostensivos quanto na Câmara e no Senado do Brasil. Em
frente à Casa Branca há, talvez, menos guardas
uniformizados do que em torno do Palácio do Planalto,
em Brasília. Nas rodoviárias e estações de trem, os
procedimentos de segurança e detecção de armas não
excedem o limite do que já conhecemos aqui.
Uma
rajada de cultura novaiorquina parece espraiar-se,
disfarçada, pelo interior e pela periferia dos Estados
Unidos. Uma onda que potencializa as tendências de
viradas em estados importantes, como o rico
Massachusetts, onde estão a cidade de Boston e suas 36
universidades (seriam quase 70 na região
metropolitana). Nesse estado, depositário de marcos da
história americana e das tradições irlandesas, pela
primeira vez um negro – o democrata Deval Patrick – foi
eleito governador, em novembro último. Se ele tivesse
perdido a eleição, o resultado também teria sido inédito,
pois pela primeira vez uma mulher, a republicana Kerry
Healey iria
governar o estado. É bom que tudo isso aconteça em um
dos melhores momentos dde Nova York, uma metrópole de 8 milhões de
habitantes que nunca dorme, como lembra a canção
imortalizada por Frank Sinatra e Liza Minelli. Mas
certamente coisas assim não surgem do nada.
Nova
York carrega esse simbolismo muito antes de existir como
cidade. Há 11 mil anos, Manhattan, a ilha que é a cara
da metrópole – por abrigar os cartões postais da
cidade em seus múltiplos aspectos – já era habitada
por indígenas que reconheciam a magia do lugar.
Manhattan deriva da palavra nativa Manahactanienk,
que significa “ponto da embriaguez”,
uma coisa que até hoje Manhattan faz muito bem
com visitantes e com os que se instalam em suas ruas bem
traçadas. Quem não se embriaga, afinal, com o cenário
boêmio do Greenwich Village, o bairro mais popular de
Nova York, em
cujos bares, restaurantes, teatros, livrarias e galerias
passaram nomes célebres da contra-cultura dos anos 60 e
70? Sempre que fui à cidade me instalei por lá, embora
já tenha dividido o tempo de permanência com o Harlem.
O Village ainda transpira a poesia rebelde de Bob
Dylan e Jimi Hendrix e seus prédios antigos combinam
com o colorido dos jovens e alternativos de todas as
idades, muitos deles alunos da Universidade de Nova
York, junto à Washington Square. Nas ruas próximas à Christopher
Street fervilha também a irreverência de gays
novaiorquinos.
A
classe média consumista certamente preferirá
inebriar-se em lojas de departamentos como a
Bloomingdale´s ou a Macys e suas roupas e jóias de
grife. Ou serpenteará pelas lojinhas de eletrônicos,
brinquedos e souvenirs nos arredores da reluzente
Time Square, o coração de Manhattan. Ou ainda se
perderá no comércio barato da Canal Street e arredores
no bairro chinês, o Chinatown. Musicais nos
teatros da Broadway, a enorme rua que corta a ilha no
sentindo longitudinal, continuam lá, deslumbrando e
divertindo gente de todas as classes. As centenas de
museus e galerias de arte, em toda a cidade,
podem deixar zonzo quem se deleita com cultura. E
é, sobretudo, o caldeirão cultural novaiorquino,
produto da mistura de raças e nacionalidades na mais
cosmopolita das cidades, que está por trás da magia
que exala não apenas em Manhattan, como supõe o
turista superficial, mas em todo o entorno onde Nova
York finca sua marca.
Para
um latino, como eu, Nova York acena com um algo mais que
se acentua a cada ano: a sensação de que, estando em
outro mundo, não se está tão longe de casa quanto se
imagina. A cidade está muito mais latina do que em
1986, quando estive lá pela primeira vez. Há décadas
que a presença massiva de caribenhos, sul-americanos e,
claro, brasileiros, vem miscigenando a cultura americana
num eixo que alcança, nas extremidades, as cidades de
Miami e Boston. Isso explica a existência já há algum
tempo na cidade – e agora em outras partes dos Estados
Unidos - de canais de rádio e TV que transmitem em
espanhol, milhares de anúncios, serviços de
atendimento ao consumidor e telefones automáticos que
se expressam no idioma imigrante.
Mas a impressão recente é de que falta pouco
para, pelo menos Nova York tornar-se um enclave bilíngüe
no centro do império americano.
Na
situação atual, arriscaria dizer que se alguém,
necessitado de ajuda, gritar em espanhol – ou mesmo em
português – em qualquer área de Manhattan será de
pronto atendido por alguém que entenderá o seu pedido.
Afinal, não é mais o inglês a língua materna de
tantos entregadores, motoristas de táxi, vendedores, técnicos
diversos e donos de groceries, as pequenas
mercearias presentes em quase todo quarteirão. Um rápido
passeio por algumas ruas do Harlem, o bairro negro e
pobre na área norte de Manhattan, fortaleceu em mim
essa impressão. Áreas enormes, onde há pouco menos de
20 anos só se viam jovens rappers e aposentados
afro-americanos, jogando conversa fora e palitando os
dentes sob escadas de incêndio externas, estão hoje
tomadas por mexicanos e caribenhos (muitos
salvadorenhos). E seus restaurantes, suas lojas de cds,
e suas banquinhas de camelô espalhando o
ritmo latino no ar, seus estudantes adolescentes de pele
mestiça brincando e lançando provocações em...
espanhol.
Vi
algo parecido, há cinco anos, no distrito do Queens,
fora de Manhattan, onde há tantos brasileiros. E não
me surpreenderei se, dentro de alguns anos, uma espécie
de Braziltown (à maneira do bairro Chinatown) se
estabelecer nas proximidades da rodoviária de New
Jersey, a vizinha de Nova York onde brasileiros e
portugueses conquistam espaços e abrem seus negócios.
A latinidade que emerge nos Estados Unidos, que mete
medo em conservadores, nacionalistas e trabalhadores
americanos puro-sangue, manifesta-se agora na força política
que mais de 8 milhões de trabalhadores migrantes acabam
de expressar nas ruas de Nova York, com os seus
protestos contra o endurecimento das leis de imigração
proposto pelo governo Bush. Assisti a um desses comícios,
na Union Square, em Manhattan, em que desfilaram
oradores de todos os matizes, estrangeiros combatendo a
discriminação e a exploração de sua força de
trabalho e clamando por direitos amplos – uma
manifestação que realça o lado mais luminoso da América
e de Nova York: a liberdade de expressão.
Por
tudo isso, que para
mim é mais significativo do que os roteiros comerciais
de agências turísticas, Nova York vale a viagem. Os
Estados Unidos, nesse momento de autocrítica e revisão,
merecem ser conhecidos, curtidos. No quadro ao lado,
ofereço algumas anotações e dicas para quem deseja
aventurar-se como mochileiro pelo país do Tio Sam. Elas
não são propriamente um serviço turístico. Isto você
pode obter em um bom guia turístico, entre eles o singelo USA
& Canada on a shoestring, edição especial do
respeitado Lonely Planet voltada aos mochileiros
mais despojados e duros, como eu. Minhas notas
apresentam algumas impressões de viagem e dicas baratas
(e até gratuitas!) para quem curte o prazer de viajar
por viajar e conhecer pessoas e culturas diferentes das
suas, com liberdade e alguma criatividade, sem
submeter-se a roteiros comerciais e dispendiosos nem
sempre gratificantes.
Então,
o que estamos esperando? Come
along!
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ANOTE AÍ
*
É barato se locomover em Nova York. Desde que você use a cabeça. Um bilhete único de metrô (subway) custa 2,50 dólares (5,30 reais em outubro/06). Mas um passe de sete dias custa apenas 24 dólares e dá direito a trafegar quantos vezes vocs quiser, nesse perído, no metrô e em todos os ônibus
urbanos. O metrô cobre praticamente toda a cidade, mas vale a pena usar o ônibus (sempre
lento) para conhecer a paisagem e ter acesso a alguns pontos importantes, como a sede das Nações Unidas. Você não precisa de taxi nem mesmo para sair do aeroporto John Kennedy. Um ônibus gratuito leva os passageiros do aeroporto à estação mais próxima do metrô. Não esqueça de pegar no guichê do subway o mapa gratuito das linhas e estações de metrô e trens. É o suficiente para orientar-se na cidade.
* Na Time Square, procure o Visitor Center (ao lado da McDonald´s). Lá tem poltronas para você repousar, banheiros e Internet gratuita. Lá também |
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NEW,
NEW YORK
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um
outro olhar |
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Armas
e liberdade
No fim de tarde, no Battery Park,
pode-se ver a Estátua da Liberdade por entre os contornos da bota da estátua do
veterano da guerra da Coréia. À direita há outras esculturas e a estação dos ferryboats que levam a Ellis Island, onde está
Miss Liberty, por 10 dólares. É melhor seguir para a esquerda, onde se
encontram o monumento aos veteranos da guerra do Vietnã e a estação pública dos ferrys para Staten
Island. São barcos enormes
e confortáveis que passam ao lado da Estátua da
Liberdade
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- e ninguém paga nada por isso.
Desde 2001, devido aos procedimentos de
segurança pós-atentado, ninguém mais tem acesso à coroa de Miss
Liberty, a grande motivação para descer em
Ellis Island.
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Jazz com
hamburguer
Nova York consagrou o rock, inventou o rap e tem barulho de buzina e sirenes em toda
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parte (hoje bem menos do que há 20 anos,
quando havia mais criminalidade em Manhattan). Mas tem
também o seu lado light e elegante que se pode apreciar até em lanchonetes, como essa
Mc Donald´s aí, na Broadway, 160. À tardinha, combina-se hamburgueres com jazz e baladas numa happy hour com direito a
cantora afinada e piano no mezanino. Em tempo:
esse trecho da Broadway corta o distrito
financeiro de Nova York. |
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Na
casa do King Kong
Com a queda das torres do World Trade Center, o Empire State voltou a ser o edifício mais alto de Nova York, com os seus 102 andares. Resultado: o acesso ao mirante virou um pandemônio, com filas para entrar em filas. A cada noite a torre iluminada exibe uma cor diferente.
Um espetáculo. Mas é duro brincar de King
Kong, o gorila que no cinema escalou o
edifício. Para ver as luzes da cidade em meio a ventos gélidos, ficamos por quase três
horas esperando a chance
de |

entrar no elevador. Vi muitos idosos desistirem. E ainda se
paga 16 dólares por pessoa.
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A loura do parque
Aproveite para ver todo o Central Park do alto do Empire State. Não há como percorrer em um dia os seus 340 hectares de área verde.
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Quem não curte caminhar, pode pegar uma carruagem na entrada da rua 59 (Columbus Circle) para um
breve passeio sem a delícia de pisar na grama, espreguiçar-se sob árvores, conhecer os lagos e o Strawberry
Fields, dedicado a John Lennon, que morava
pertinho dali, ou aventurar-se em patinação no gelo. No verão há apresentações artísticas gratuitas em diferentes áreas do
parque. A pé também pode-se trombar com personagens fantasmagóricos, como essa loura aí de cabeleira descomunal e seu
auxiliar com capa de vampiro. |
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Arte
e ousadia
A arte transpira por todos os poros de Nova York. Há centenas de museus e galerias de arte (estas, principalmente na área do SoHo), dos quais os mais conhecidos são o MoMA - Museu de Arte Moderna e o Metropolitan Museum of Art. Mas há outros bons museus, muitos gratuitos, como o Museu Nacional do Índio Americano, na Bowling Green, próximo à Bolsa de Valores. Nos túneis
das maiores estações do metrô - Time Square,
Port Authority, Grand Central, Penn
Station e outras -, pode-se |

apreciar obras ousadas, como
essa escultura do artista Oterness.
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A grande esquina
A Times Square e sua vizinhança é uma festa. Mesmo sem música, a multidão está lá, eufórica, barulhenta, atraída pelas
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luzes e
cores dos anúncios, pelo comércio, hotéis, cafés, teatros, pela MTV e pelas figuras exóticas circulando de patins entre carros, fazendo protestos e, às vezes, engabelando algum turista. Na área está o Visitor Center onde se pode adquirir ingressos e também acessar internet gratuita. Aqui já teve mais prostituição e assaltos, reduzidos pela política de tolerância zero na segurança. Turistas adoram posar ao lado dos bonecos de cera do Museu Madame Tussauds, na rua 42. A Fátima não resistiu. Olha ela aí, ao lado
do ator Samuel Jackson. |
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Surpresas do Village
Já me hospedei no coração do Greenwich Village, ao lado da Washington Square, em tempos de muita agitação e
drogas por lá. Anos depois, conheci certa tranquilidade no East Village. Dessa vez, com menos dólares,
pousei no limite entre o Village e o Litte Italy e
a oito quadras de Chinatown. Aí estou em frente ao Bowery´s White House Hotel, minha pousada. Não
a recomendaria a meus pais nem a um viajante de fino trato. Mas jovens mochileiros certamente
se sentirão confortáveis em seus quartos minúsculos e na privacidade quase zero proporcionada por paredes de madeira prensada e telhadinho de ripas
num casarão do tempo em que a área ainda era
vila rural. |

Se for, não se assuste
ao ouvir alguém ao celular às 3h da madrugada, e se
outro, incomodado, berrar do AP: "Are you crazy, guy? I want to sleep!". Ainda assim, você estará no
Village - boêmio, intelectual, cercado de pequenos teatros, bares, discotecas, gente nas ruas. E o
Village, o bairro mais popular de Nova York nunca pára de surpreender.
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Clique
e veja o vídeo
de New York City
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WASHINGTON,
DC
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outono
verde |
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A colina do poder
Ir a Washington e não visitar o Capitólio, a sede do Congresso dos Estados Unidos situada na colina que tem esse nome, é o mesmo que ir a Roma e não conhecer o Vaticano. Mas
desde o 11 de setembro não é
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fácil ver
de perto a rotina de senadores e deputados. Agora só há tours guiados e é preciso madrugar numa fila para conseguir um ticket gratuito. Contentei-me em ver o prédio por fora e clicar sua bela arquitetura, descendo depois para um momento de relax no Jardim Botânico Nacional, o primeiro de uma série de monumentos e museus do National Mall, a super-avenida que vai do Capitólio ao rio Potomac, onde está o obelisco George Washington. O passeio pelos jardins do Mall e as paradas em museus gratuitos vale a pena. Chegando ao obelisco, avista-se a Casa Branca, a
uns 500 metros à direita. |
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1600 Pennsylvania
Ave.
Este é o endereço dos presidentes americanos desde 1800. É escritório onde o chefe de estado e governo exerce suas funções e também residencia presidencial. Antes do 11 de
setembro, era possível visitá-la nos fins de semana. Agora, nem pensar. Ainda bem que não proibiram as fotos que a turistada
faz junto à cerca do jardim bem cuidado. |

A minha é esta. Boa notícia:
a segurança ostensiva é bastante discreta.
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Arte na capital
Às margens ou na vizinhança do National Mall há vários museus, entre os quais o National Air & Sapce Museum,
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um dos mais populares do mundo, onde
estão réplicas e originais de engenhcoas que voaram nos últimos dois séculos.
Uma das atrações é o módulo de comando da Apollo 11, a primeira missão tripulada à Lua. Outras referências são o Museu Nacional de História Americana e
o Hirshhorn Museum, com uma bela coleção de arte moderna e contemporânea
e esculturas em seus jardins, como esta à esquerda. |
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Relaxe e
aprecie
Washington tem seus encantos e merece ser descoberta, mas se você tem apenas um dia para conhecer o que é mais simbólico na cidade, saiba que as principais atrações (monumentos e museus) podem ser alcançadas a pé, seguindo-se os eixos do National Mall e o da avenida Pennsylvania. No final da tarde, cansado da maratona, dá para relaxar e curtir a paisagem verde do Mall - do |

Capitólio ao Potomac -, como eu e a Fátima, aí
acima, fizemos em uma sexta-feira.
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e veja o vídeo
de Washington, DC |
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BOSTON
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terra
em transe |
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Espelho da cidade
O centro de Boston concilia prédios históricos, como a Igreja da Trindade,
à direita
|
na
foto, e vielas do século XIX, repletas de casas
e sobrados geminados, com a ousadia da arquitetura
contemporânea. O edifício John Hancock, o mais alto da
cidade, com 60 andares, se destaca por refletir
nas paredes envidraçadas a sua vizinhança. A Igreja da
Trindade foi ofuscada
pelas torres gêmeasdo Hancock e isso é até hoje
motivo de críticas estéticas, mas os turistas ganharam um motivo para
abrir a boca diante do gigantesco espelho vertical. |
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Capitólio dourado
O parlamento de Massachusetts foi também erguido sobre uma colina, na região central de Boston, e sua arquitetura lembra
a do Capitólio de Washington. As grandes diferenças
são as paredes cor-de-rosa e sua cúpula dourada. O prédio foi construído em 1798 e está pertinho do Memorial Robert Gould Shaw, dedicado ao líder do primeiro batalhão de negros a lutar pela União na guerra civil americana. Hendrick Melo (à direita), brasileiro radicado em |

Boston desde a década passada, explica a importância histórica do lugar.
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Amigos
requintados
Aí estão, ao lado da Fátima (direita) os queridos amigos Mackenzie Melo, seu irmão Hendrick e a esposa
Daniele (de olho no pequeno Pietro, no carrinho), todos residentes em
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Massachusetts.
Ao fundo, o Turner Fisheries, um sofisticado restaurante de Boston onde nos deliciamos com uma clam chowder, a sopa de marisco mais famosa do mundo, especialidade da cozinha da região da Nova Inglaterra. Eu não apareço na foto por um bom motivo: Mackenzie e Hendrick pagaram a conta salgada e eu tinha de clicá-los assim, sorridentes, para agradá-los de algum modo... (rs rs) |
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Passeio pela história
Andar pela área do Beacon Hill, no centro de Boston, é um passeio pela História. A arquitetura dos séculos XVIII e XIX está preservada em muitas ruas e, além do Parlamento e do Memorial Robert Shaw, o
bairro abriga o Museu Afro-Americano, o Museu da Ciência e
a Biblioteca Pública (com internet gratuita), além do agradável Boston |

Common, o mais antigo parque público dos Estados Unidos, inaugurado em 1634, palco de superconcertos no verão.
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Clique
e veja o vídeo
de Boston |
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TÚNEL
DO TEMPO |
antes
e agora |
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Outubro/2006
No lugar onde existiam as torres gêmeas do World Trade Center, um Memorial com fotos dramáticas do atentado e os nomes das vítimas lembra a tragédia de
setembo de 2001. |

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Outubro/1986
Na cobertura da torre norte do World Trade Center, a segunda a ser derrubada no ataque de 2001, JM observa Nova York. A
mais de 500 metros de altura, uma visão que suscita reflexões sobre a pequenez e a grandiosidade da espécie humana. |
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Agosto/2001
JM faz a circunavegação da ilha de Manhattan numa tarde quente e nublada. Ao fundo vê-se as silheutas da torres gêmeas no Ponto Zero. Dias depois, elas seriam derrubadas
por terroristas da Al-Qaeda, no maior atentado da história. |

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Setembro/2010
Uma torre de vidro de 82 andares e uma colossal antena esculpida no topo. Assim será a Freedom Tower, o edifício que está sendo construído no local das antigas torres gêmeas. O prédio, de 541 metros de altura,será uma estrutura monolítica de vidro que vai refletir o céu, uma perene exaltação à liberdade. O projeto original foi refeito depois
por sugestão de especialistas em segurança. |
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você pode adquirir ingressos para todos os grandes espetáculos nos teatros da Broadway e
vizinhança e tíquetes para diferentes tours e outras atrações da cidade. No mesmo local pegue gratuitamente o seu exemplar da revista
Time Out New York, com a programação de lazer da semana em
vários bairros. Se preferir, pode pagar 2,99 dólares pelo exemplar na banca de revista mais próxima (rs rs)
* A grana está curta e não dá para comer todo dia em restaurantes com preço salgado e gorjeta de 15%? Não, a saída não é só hamburguer. Há redes self-services
populares em muitas áreas da cidade. Na rede Deli Plus (tem na estação Port Authority, na rua 46, esquina
com a Time Square e outras) um almoço com comida simples, mas variada (incluindo salmão!) custa pouco mais que um Big Mac: 8 dólares.
* É possível instalar-se em hotéis simples, seguros e decentes em boas áreas de Manhattan pagando 100 dólares a diária no AP duplo.
Este é o preço médio no Hotel Larchmont, onde pousei em 2001, numa área tranquila do East Village. Se a opção é hostel, os dorm bed (quartos coletivos) variam de 25 a 37 dólares e os duplos variam de 65 a 90 dólares.
*Quer
esticar até Washington (4h30 de viagem) ou a Boston (3h de
viagem)? Procure um ônibus da rede Chinatown Buses (uma associação de
empresas), na esquina da Canal Street com a
Bowery, no bairro Chinatown. O preço fica em torno de 50% do que é cobrado pela famosa Greyhound. Em outubro, a viagem para Boston pela Chinatown custava 15 dólares; para Washington, 17,50 dólares. |
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