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Ano VIII / Nº 324

Texto publicado 
na revista Super, edição de dezembro de 2002

 

 

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Jesus era essênio?


Não existem provas conclusivas, mas há muitos sinais 
que sugerem uma relação de intimidade entre Jesus 
e os adeptos da seita esotérica judaica

Por Jomar Morais    

Jesus era essênio? A pergunta ressurge sempre que se tenta esclarecer a origem deste personagem cujos registros realmente históricos não excedem uma página de livro. Não há provas definitivas de que Jesus professava a seita esssênia, uma das vertentes mais importantes do judaísmo no século I, que se opunha às dos fariseus e saduceus. No entanto, quase não há mais dúvidas de que um elo mais ou menos forte une a doutrina e as práticas cristãs aos ensinamentos e costumes daquele grupo. Os essênios viviam em comunidades isoladas, tinham hábitos simples e adotavam normas morais rígidas, sob a liderança de um chamado Mestre da Justiça. Eles admitiam a reencarnação, a submissão dos seres à lei de causa e efeito e eram vegetarianos. A seita desapareceu por ocasião da diáspora judaica, a partir do ano 70, e foi no século XIX, após a descoberta de manuscritos essênios milenares, como "O Evangelho dos Doze Santos".

"Os essênios foram os primeiros discípulos de Yahshua (Jesus) e o aceitaram como o grande e último intérprete da lei, muito acima de Moiséis", diz Fernando Travi , um dos líderes da Igreja Essênia brasileira. Por outro lado, o próprio Cristo teria sido educado entre os essênios do Monte Carmelo, no norte de Israel, então conhecidos como nazarenos, que se diferenciavam dos eremitas da região de Qumram, no sul - em cujas cavernas foram encontrados em 1947 os polêmicos manuscritos do Mar Morto, com as regras da comunidade -, por sua postura menos radical. Nos manuscritos de Qumram não há nenhuma menção a Jesus, mas o que impressiona, segundo o arqueólogo inglês Lankester Harding, é a coincidência de práticas e terminologia antes julgadas exclusivas do cristianismo. Os essênios praticavam o batismo no estilo de João Batista e se reuniam para uma ceia litúrgica, de pão e vinho, como a que foi promovida por Jesus na véspera de sua prisão. Suas comunidades eram dirigidas por 12 "homens de santidade", à semelhança dos 12 apóstolos cristãos, e todos os bens individuais eram compartilhados, como foi hábito no Cristianismo primitivo. A identidade se repete em ensinamentos como o da não-violência e no costume de curar doentes, uma das principais práticas cristãs. Chama também a atenção o fato de não existirem, nos evangelhos, qualquer crítica aos essênios, ao contrário dos ataques de Jesus aos fariseus e saduceus.

Para alguns estudiosos, nada disso provaria o vínculo essênio do Cristo. "Não existe nenhum fato ou indício convincente", afirma o doutor em teologia e especialista em Novo Testamento, Archibald Mulford Woodruff, da Universidade Metodista de São Paulo. "Há apenas "paralelos" entre os manuscritos do mar Morto e o evangelho, o que não chega a configurar uma influência essênia sobre Jesus." O mais provável, segundo Woodruff, é que muitos essênios tenham aderido ao cristianismo depois que a Décima Legião romana arrasou a comunidade de Qumram.

 

 

Que achou da reportagem acima? Tem algo a dizer ao autor? 
Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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