Contamos com sua
parceria para
seguirmos em frente
Ano 21                                                                                                          Editado por Jomar Morais
 
BLOGUEIROS
do Planeta
Site de acolhimento e ação social do Sapiens
+ Blogs - Clique e acesse
Wescley Gama
Acesse a programação e assine nosso canal > www.youtube.com/sapiensnatal
Outro olhar sobre corpo e alma
Diálogo com Jomar Morais
e Ramos Coelho no Sapiens
PLANETA*Zap
Para receber envie "Sim" e seu nome via Whatsapp:
(84) 99983-4178

Guto de Castro
Outro Olhar,
por Jomar Morais
Atualização semanal

Oração
sem devotos
LIVREIRO SAPIENS
Acesse o nosso acervo


tv sapiens
diálogo fraterno


Planeta Jota é um site independente com um olhar diferenciado sobre temas essenciais.

Se você gosta de nossos conteúdos, doe qualquer valor e ajude-nos a prosseguir com esse projeto iniciado há 21 anos.
A cada doação você pode solicitar um livro digital ou um fac-símile da seção Documento

Doações recebidas este mês: R$ 190,00

TV SAPIENS
14º DIA
DE SILÊNCIO
3 junho 2017 | Saiba mais e se inscreva
Israel & Palestina
Uma viagem às raízes da fé ocidental e à área mais explosiva do conflito árabe-israelense. Textos, fotos e vídeos por JOMAR MORAIS
Jerusalém! Jerusalém!
JM gravando um vídeo junto à muralha de Jerusalém: "Eu não poderia morrer sem tê-la conhecido"
Diante de mim, a muralha imponente da Jerusalém
histórica, dourada pelos últimos raios de Sol. Não
é um monumento com a idade desta cidade de 3
000 anos, pois foi construída pelos otomanos no
século 16, mas se encaixa e se sobressai no
tesouro de registros da saga humana encravado
neste lugar. Na brisa fria da tarde de inverno, 
regozijo-me e, solitário, murmuro para o paredão:
shalom!

A expressão hebraica, usada entre os judeus
como saudação cotidiana, é densa de significados
e pode ser aplicada a pessoas e a nações. Quer
dizer paz, harmonia, prosperidade, conexão com
Deus.

Seja qual for o motivo - espiritual, histórico,
artístico -, a verdade é que ninguém fica indiferente
ante esta antiga vila canaanita que, conquistada
pelo rei Davi em 997 a.C., tornou-se capital de um
povo e um dos pilares do pensamento ocidental.
Shalom é o que ela me inspira com o seu passado
e o seu presente complexos, marcados pelas
paixões contraditórias.

Dentro da muralha, o espaço dividido em quatro
distritos onde judeus, cristãos, muçulmanos e
armênios vivem e zelam por relíquias ali plantadas
por seus ancestrais evoca  ambições e fúria - e
dores, muitas dores! - mas fala-nos também de
tolerância e esperança. A mesquita Al Aqsa, a
terceira mais importante do islamismo, colada ao
Muro Oeste (a parede que restou do segundo
templo de Jerusalém, altar sagrado para onde
peregrinam judeus de todo o mundo) e a Igreja do
Santo Sepulcro geminada à mesquita de Omar,
com o seu cartaz no qual versos do Corão citam
Jesus, reafirmam a proximidade de nossas
diferenças e a possibilidade de diálogo e respeito.

Diante do Dome of the Rock, a cúpula de ouro que
se destaca no Monte do Templo, penso na
insensatez que nos faz perder o senso da unidade
e nos atira às disputas mesquinhas. O domo, por
exemplo, remete a crenças  e tradições comuns.
O local, segundo os judeus, assinala o mítico
Jardim do Éden e o ponto onde Abraão teria
preparado o holocausto para sacrificar seu filho,
mais tarde sinalizado por um santuário erguido por
Davi, o qual deu origem ao primeiro templo (o de
Salomão, destruído em 586 a.C. pelos babilônios).
E é  sob a cúpula que está a pedra de onde,
segundo os muçulmanos - que veneram “pai”
Abraão e mesmo Jesus -, Maomé teria ascendido
ao Céu.

Em Jerusalém oro no muro com judeus e, no
mesmo local, sob a Lua cheia, partilho com eles
da alegria do sabbath. Sinto Jesus no lugar
provável de sua sepultura, segundo a tradição, e
me curvo diante de Alá junto à cúpula da Al Aqsa.
Mas também me entristeço com as vielas do
distrito muçulmano tomadas por soldados
israelenses no início da noite, sinal de que a
intolerância e a fúria ainda nos separa e nos
afunda nas ilusões que erguem a glória efêmera
dos dominadores, como aos romanos, cruzados,
otomanos, britânicos e todos os que algum dia
tiveram o mando desta cidade.

Então, para mim mesmo, repito Jesus:
“Jerusalém! Jerusalém!...”  Eu não poderia morrer
sem tê-la conhecido.

                  [ Publicado na edição do Novo Jornal de 26/01/16 ]
O esplendor da fé, de Abraão a Jesus
A joia oculta do
lado muçulmano
Galileia: descobertas
na trilha de Jesus
De Belém a Jericó: marcas cristãs na Palestina
Hebron, o drama palestino
numa cidade ocupada
Jafa, uma cidade cobiçada e seus 4 000 anos
Toda a beleza da Galileia de Jesus
O mar da Galileia visto de Cafarnaum: cenário dos grandes momentos e ensinamentos de Jesus
A Galileia conquistou o meu coração. Jerusalém
tem pompa e barulho, é exuberante. A Galileia é
simplicidade, natureza e, pelo menos nesta época
do ano - inverno e baixa estação turística - é
tranquila e quase silenciosa.

Jerusalém provocou-me e me fez perguntar,
comparar. A Galileia arrastou-me para dentro de
mim mesmo, onde encontrei as tardes suaves -
mas não menos impactantes - dos dias de Jesus e
seus amigos pescadores. Jerusalém me fez
pensar, a Galiléia me deixou ver e sentir.

Jerusalém enredou-me no mundo dos homens, do
ego, com suas normas, suas certezas e seus
temores e me levou a perceber, com clareza, a
impermanência de tudo. A Galileia me deu
liberdade e tirou-me a necessidade de perguntas e
respostas. Abandonei-me à vida e ao perfume dos
êxtases e dores da jornada das formas, na vivência
possível do aqui e agora.

Na Galileia tive a sorte de alojar-me de frente para o
lago (o Mar da Galileia!) e ao lado do Old Cemetery,
cenário de cerimônias noturnas junto a túmulos de
rabinos mártires (nos duros tempos da dominação
romana) e sábios que tiveram a acuidade de
reinterpretar a Torá e a tradição quando a vida
impôs seu movimento. Fui também abençoado
com a chance de percorrer as trilhas do Nazareno
em soledade e paz, o que me favoreceu a
meditação e o insight junto às águas do lago.

A Galileia. Ah! A Galileia. Meu momento culminante
nesse mochilão inesquecível, o segundo melhor de
minha vida, atrás apenas de meu primeiro périplo
através da Índia em 2006!
Afinal, por que Cafarnaum?
JM diante do Cardo romano (mercado) e da sinagoga de Cafarnaum: porque Jesus começou aqui
Depois do mochilão de 45 dias que realizei pela
Índia em 2006, nenhum outro mexeu tanto comigo
e com minhas referências quanto o que realizei há
pouco em Israel e Palestina. Andarilho solitário,
percorrendo lugares associados às nossas
crenças fora da agitação das temporadas
turísticas, pude viver também uma intensa
experiência introspectiva e, assim, enxergar além
do óbvio, chacoalhado pela sucessão de eventos
que vem em ondas como o mar.

Entrar em contato com a realidade atual dos povos
judeu e palestino fez-me perceber nuances que
não aparecem nos recortes imprecisos e, não
raro, ideologizados, do noticiário sobre as
complexas relações humanas no Oriente Médio.
Mais: abriu-me uma janela através da qual o
passado se me apresenta mais vívido e menos
adulterado pelas tintas aplicadas por doutrinas e
mitologias.

Jerusalém, por exemplo, provocou-me e me fez
perguntar, comparar, levando-me ao inevitável
porto da impermanência, cujo desconhecimento
nos atira frequentemente às dores das vaidades e
da avareza. A Galileia, porém, com sua
simplicidade e beleza natural, levou-me ao ápice
de minha andança. Em suas trilhas vazias junto ao
lago (o “mar” de apenas 21km x 12km, cercado de
montes verdejantes), encontrei bem mais que
marcos fisicos do Cristianismo nascente, resíduos
de uma época efervescente.

Jerusalém me fez pensar. A Galileia deixou-me
sentir. Jerusalém enredou-me no mundo dos
homens, do ego, com suas normas, certezas e
temores. A Galiléia ofereceu-me a liberdade e tirou-
me a necessidade de perguntas e respostas.

Galileia dos Gentios! Assim a chamava a elite
judaica de Jerusalém ao tempo de Jesus.
Ortodoxa e orgulhosa, ela não conseguia
compreender o caldeirão étnico e cultural que se
formara na fronteira dos domínios de Herodes
Antipas, onde judeus conviviam com a “raça
impura” dos estrangeiros.

Cafarnaum, a cidade que Jesus escolheu para
viver e realizar a maior parte de seu ministério, era
uma vila cosmopolita onde cerca de 1500 judeus,
gregos e dissidentes como Jesus e os 12
interagiam em debates que esquentavam tardes e
noites, enriquecendo a vida de perspectivas e
cores. Não há notícia de que Jesus tenha sofrido
ali alguma ameaça à sua liberdade ou à sua
integridade física, apesar do calor das discussões.

Tiberíades, o balneário hedonístico dos romanos,
16 quilômetros antes de Cafarnaum, seria mais
tarde refúgio para doutores da lei e sábios judeus
que, após a queda de Jerusalém e a destruição do
templo, encontrariam ali a paz e a tolerância
necessárias à reinterpretação do Judaísmo.

Passados 2000 anos, a Galileia dos Gentios
parece conservar o seu melhor traço. Em sua
paisagem serena, judeus e árabes israelenses
convivem bem entre si e com os poucos cristãos
que moram na área. O som de chifres de carneiro,
ecoado das sinagogas, mistura-se ao canto de
muezins das mesquitas e às badaladas dos sinos
das igrejas.

Então, em Cafarnaum, num domingo ensolarado,
ante o lago salpicado de pássaros, observo o local
onde um dia meu mestre pregou, inclusivo e
compassivo, e sinto vontade de bradar ao mundo:
A Paz do Cristo! Namastê! Om Mani Padme Hum!
Shalom! Salaam Aleikum! Axé!

                  [ Publicado na edição do Novo Jornal de 16/02/16 ]
Hebron, a dura realidade
da Palestina ocupada
Soldados garantem o assentamento de colonos judeus e restringem o movimento de palestinos
Percebi que estava indo para um lugar tenso e
perigoso tão logo embarquei no ônibus que parte
da Rodoviária de Jerusalém. Não há vidros comuns
nas janelas do veículo, mas uma dupla lâmina com
película escura. Não há paisagem a observar
durante 1h30 de viagem até Hebron, cidade de 183
mil habitantes na antiga Cisjordânia, território
palestino capturado por Israel na guerra de 1967.

Observo as poltronas e, então, compreendo o fato
insólito: o ônibus leva soldados que moram em
Jerusalém e trabalham em Hebron e podem ser
alvo de pedradas, apesar dos muros e dos check-
points que limitam a locomação de palestinos em
áreas ocupadas por colonos e o exército
israelenses.

Cidade de 5 mil anos, Hebron é o berço da religião
organizada para judeus, muçulmanos e cristãos. É
lá que estão as tumbas dos patriarcas Abraão,
Isaac e Jacob e suas mulheres (exceto Raquel),
encravadas entre uma mesquita e uma sinagoga
geminadas, de onde se pode vê-las através de
grades. E é lá que o conflito israelense-palestino
exibe uma de suas faces mais violentas e
degradantes, azeitado pelo fundamentalismo
religioso.

Hebron é o único lugar dos territórios ocupados
onde colonos  - a maioria judeus que acreditam
estarem vivendo tempos messiânicos - instalaram
um assentamento na área urbana, agora dividida
em H1 e H2. Ali, uma paz artificial é mantida ao
custo da movimentação permanente de milhares
de soldados com seus fuzis automáticos, muros e
check-points segregadores.

Para entrar e sair de suas casas, os palestinos
enfrentam catracas, raios X e, se necessário,
revistas feitas por militares. Em vielas antigas,
onde colonos apossaram-se de residências nos
andares superiores, os palestinos que insistem em
ficar embaixo com suas casas e lojas são
protegidos por redes de arame para conter pedras
e lixo atirados pelos invasores.

Todo esse aparato garante a Israel o controle
militar da Cisjordânia (o comando político é da
Autoridade Palestina, fruto dos acordos assinados
ao tempo de Yasser Arafat e Ytizak Rabin), mas é
insuficiente para conter a indignação dos palestinos
e os atos radicais, dos homens-bomba dos anos
80 aos ataques com faca dos dias atuais.

Depois da Faixa de Gaza (hoje uma enorme favela
de 1,8 milhão de habitantes, cuja infraestrutura foi
devastada por bombardeios israelenses em
represália a ataques do radical Hamas), Hebron,
onde o moderado Fatah é a força política
predominante, apresenta-se como o nó mais
complicado desse conflito interminável.

Lá, almocei com palestinos e tomei café com
colonos israelenses. Ambos operam argumentos
históricos para reivindicar a posse dessa terra
disputada por tantos há milhares de anos.

Nesse momento, o governo conservador de Israel,
incentivador dos assentamentos, está preocupado
com ataques praticados por jovens judeus
fundamentalistas contra a vida e o patrimônio de
palestinos (*). Jornais de Israel falam até na
aplicação de tortura pelas forças de segurança na
caça a esses extremistas.

Não há, contudo, nenhum sinal de que dias
melhores virão. Jerusalém (que israelenses e
palestinos reivindicam como sua capital), Hebron e
as desapropriações de terras invadidas por
colonos inviabilizam qualquer aceno de paz.

                   [ Publicado na edição do Novo Jornal de 02/02/16 ]
NOS DOIS LADOS DO MURO


Igreja das Beatitudes, erguida no lugar onde Jesus fez o Sermão do Monte, na Galileia
Ruínas da Mensa Christi: aqui Jesus encontra Pedro e outros apóstolos após a crucificação
Neste local, em Tabgha, Jesus realizou o prodígio da multiplicação dos pães e peixes
Tumba de rabino mártir em Tiberíades: veneração, pedidos e rituais noturnos


JM gravando vídeo no Santo Sepulcro,
no distrito cristão de Jerusalém
Celebração do início do sabbath junto ao Muro das Lamentações, em Jerusalém...
O domo já foi de ouro maciço, vendido para pagar dívidas dos califas. Hoje é só folheado
... e em Tiberíades, onde judeus cantam junto ao Yam Kinneret, o Mar da Galileia
Neste ponto da Via Dolorosa (à esquerda), Jesus foi julgado e condenado por Pilatos
Mesquita Al Aqsa, em Jerusalém: a terceira mais importante do mundo muçulmano
JM, à direita, ora no Muro Oeste: vibração pela fraternidade e a paz entre os homens


Vista da tumba do patriarca Abraão
a partir da mesquita de Hebron
Posto militar controla entrada e saída de palestinos em rua do centro de Hebron
Após chuva de granizo, soldados israelenses brincam sobre o gelo em rua de Hebron
Gruta da Natividade, em Belém:  2% dos palestinos da Cisjordânia são cristãos
JM na praça Almanara, no centro de Ramallah, sede da Autoridade Palestina
Monte da Tentação, em Jericó: aqui Jesus meditou e orou durante 40 dias e 40 noites
A figueira de Zaqueu: numa árvore como esta, neste local, ele subiu para ver Jesus
Ruínas da antiga muralha de Jericó, uma cidade que existe há 10 mil anos

JM em Jafa: 4 000 anos de história
Pôr-do-sol no Mediterrâneo visto de Tel Aviv
Orla central de Tel Aviv vista da colina de Jafa: mar tranquilo e praias que encantam europeus
Leia também os relatos dos mochilões de Jomar Morais na Índia, Nepal, Grécia, Colômbia,
Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, Marrocos, Canadá, Portugal, Espanha, Itália, Suiça,
França, Venezuela, Uruguai, Argentina, Ilha da Madeira, México, Bolívia, Cuba, Israel, Palestina

(*) Há também registro de ataques a templos cristãos.
Clique na imagem ao lado e deixe sua opinião no Fórum do Leitor.
Ou envie sua mensagem para planetajota@planetajota.jor.br