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Ano VII / Nº 313

Texto publicado na revista Super de janeiro de 2002

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MEDICINA - complemento

Como se faz um remédio homeopático

Por Jomar Morais    

A preparação de uma remédio homeopático começa com a medição das substâncias, na proporção de uma parte da essência medicinal para 99 partes de um diluente. O processo compõe-se de quatro etapas. Para entendê-lo, tomemos por modelo a fabricação da arnica, um dos dez remédios homeopáticos mais usados no Brasil, receitado em casos de traumatismos, feridas e choque emocional. O medicamento é produzido a partir da planta de mesmo nome, cultivada sob controle na Europa.

  1. Trituração – Uma parte de arnica (no caso, fragmentos da planta inteira moída), é adicionada a 99 partes de lactose, o açúcar do leite, e a seguir macerada durante alguns minutos. Imagine-se que dispomos de 1 grama de arnica; assim, ela deve ser misturada a 99 gramas de lactose. Essa etapa é dispensável quando a substância básica é líquida. Então, já no início obtém-se uma tintura-mãe com uma solução de água destilada e álcool, obedecendo-se sempre a proporção centesimal.
  2. Diluição – Uma parte da mistura arnica-lactose é agora dissolvida em um frasco com 99 partes de solução alcoólica, permitindo que se faça a primeira sucussão. Isto é, a agitação da mistura em 100 movimentos verticais que têm por objetivo dinamizar o remédio, de acordo com o jargão homeopático. Até hoje ninguém sabe dizer por que Hahnemann estabeleceu esse número de movimentos, mas ele é obrigatório para que se atinja a dinamização adequada.
  3. Novas diluições – Repete-se, então, o ritual da diluição e da sucussão, juntando-se uma parte da substância medicinal dissolvida a outras 99 de uma nova solução de água e álcool . Outras dinamizações serão feitas conforme a potência que se queira dar ao remédio. A partir da 12ª diluição, a química afirma não mais existirem no líquido quaisquer resquícios da substância original mas, segundo a homeopatia, restaria nas moléculas alteradas da água a "imagem"da molécula do princípio ativo, que irá sensibilizar os receptores orgânicos. Quanto mais dinamizações, mais forte o medicamento, dizem os homeopatas. Alguns remédios chegam a ser diluídos 1 000 vezes.
  4. Veiculação – A fórmula está pronta e agora é preciso escolher o suporte pelo qual ela chegará ao usuário. Ode ser em forma de gotas, glóbulos de açúcar (impregnados pelo líquido dinamizado), tabletes e cremes. O número seguido da sigla CH (centesimais de Hahnemann), que aparece na embalagem, indica o grau de dinamização do medicamento. Por exemplo: 36CH significa que a aquela porção original de arnica foi diluída 36 vezes, sendo submetida a 3 600 movimentos durante o processo.

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Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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