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Ano VIII / Nº 321

Texto publicado 
na revista Super  edição de aniversário,  setembro de 2002

 

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Você é feliz e não sabia - complemento

Felicidade nos genes?

Por Jomar Morais    

É improvável que, no futuro, alguém venha a comprar felicidade na farmácia, como nos livros de ficção. Mas é quase certo que, dentro de alguns anos, os remédios destinados a regular o humor serão mais seguros e menos nocivos do que hoje em dia. Pesquisadores do chamado "ponto fixo de felicidade", a média dos humores de um indivíduo, admitem que o fenômeno é parcialmente biológico – e, assim, suscetível à ação de novas drogas.

Estudo realizado com 400 pares de gêmeos, pelos geneticistas David Lykken e Auke Tellegen, da Universidade de Minnessota, EUA, sugere que a influência dos genes no temperamento e nos níveis de bem-estar pode ser maior do que se supõe. Mesmo criados em ambientes separados, os gêmeos pesquisados exibiam capacidade de controle emocional idêntica, apresentando pequenas variações apenas nos níveis de satisfação, talvez em razão de diferenças de renda e outros fatores. "A experiência nos permitiu calcular que o fator hereditário responde por 80% do ponto fixo de felicidade", diz Lykken. Outros estudos associaram a ocorrência de psicose maníaco-depressiva a um grupo de genes danificados durante a fecundação.

Desde a década de 70, quando surgiram os antidepressivos, os distúrbios do humor vêm sendo tratados – além da psicoterapia - com medicamentos que regulam os níveis de serotonina e noradrenalina, hormônios neurotransmissores existentes no cérebro, ou que atuam somente sobre a serotonina, como no caso do campeão de vendas, Prozac. Todos produzem efeitos colaterais sobre vários órgãos, os reflexos e atividade sexual e, se não administrados corretamente, podem causar dependência. Por causa disso, eles ainda enfrentam a resistência de muitos psicólogos, pesquisadores e de quem acha que felicidade não tem a ver com bioquímica. Mas Stephen Braun, autor do livro Unlocking the mysteries of mood e um ex-usuário de antidepressivos, acha que não há razão para tanto medo. "Drogas como o Prozac apenas fornecem um suplemento neurobiológico que leva o cérebro a operar corretamente", diz Braun. " Funcionam como os óculos que permitem ao míope enxergar melhor".  Ou seja: elas apenas  ressaltariam o estado de felicidade já existente e não trariam em si a essência desse estado. A polêmica continua.

 

 

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Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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