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Ano
X
Nº 343
Especial
Planeta Jota
Fevereiro
2005
Outras reportagens
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Na Europa,
de mochila
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Lazer
máximo,
gasto mínimo
De
Lisboa a Paris, um roteiro de beleza, aventura e baixo
custo. Um périplo com liberdade, emoção e orçamento
de menos de 5 mil reais, incluindo passagem aérea
Por
Jomar Morais |

No alto
do Arco do Triunfo, JM, seus pais e o espetáculo de
luzes da Torre Eiffel
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Observe
a foto acima. Ela foi tirada por um turista americano, a meu pedido,
por volta das 23h de 29 de janeiro passado, tão logo eu e os
anciãos ao meu lado – meus pais, Tidão e Maria de Jesus –
alcançamos o topo do Arco do Triunfo, na avenida Champs Elysées,
em Paris. Esqueça os personagens e se concentre na imagem ao fundo:
a majestosa Torre Eiffel, cintilando multicor numa noite de inverno,
anunciando ao mundo um tempo de esplendor na Europa. Desde a virada
do milênio, a cada 15 minutos a torre de 7 000 toneladas de aço
pisca em tons diversos, enquanto de seu cimo holofotes girantes
lançam raios poderosos sobre a chamada cidade-luz. Inesquecível!
A
cena exuberante reafirma o charme e o poderio histórico e cultural
de uma Paris encantadora, mas é também emblemática do prazer de
passear, hoje em dia, pela maioria dos países europeus.
Fortalecidos com a sua reunião em uma comunidade econômica, quase
todos restauraram monumentos centenários, ampliaram circuitos
culturais e passaram a oferecer ao visitante um diferencial de
tecnologia aliada à qualidade de vida – a começar por Portugal,
cujas imagens atuais são em tudo diferentes das que vi, pela
primeira vez, em 1982.
A
Europa está mais rica e mais bonita. E mais cara, bem mais cara,
por causa do euro, a moeda comum que bateu o dólar e cuja unidade
equivale, neste início de ano, a 3,60 reais. Mas isso não é
obstáculo para quem tem a firme intenção de atravessar o
Atlântico e não dispõe de uma grana gorda. Lá como aqui, hoje
como ontem, o faro de um bom mochileiro sempre encontra alternativas
aos preços altos, tornando possível o satisfação de viajar
gastando pouco.
Foi
o que comprovei nos últimos 13 meses, período em que retornei duas
vezes ao continente europeu em férias – portanto, sem as regalias
de uma viagem profissional. Em janeiro de 2004, estirei o périplo
até o Marrocos, no norte da África,
acompanhado de minha esposa, Fátima. Em janeiro último, arrastei
comigo meus pais, setuagenários, e eles adoraram os 12 dias de
aventura entre Lisboa e Paris, desembolsando o mínimo e se
divertindo muito, sob uma onda frio que chegou a 6 graus negativos
na França e nos surpreendeu com uma nevasca
no lado espanhol dos Pirineus. Comemos bem, hospedamo-nos com
dignidade e pude mostrar aos velhos quase tudo o que um turista
espera da Europa em sua primeira vez. Quanto custou? Menos de 5 mil
reais por pessoa, passagem área incluída.
A
seguir, um resumo de nosso roteiro com imagens atuais e algumas
fotos de viagens anteriores, a fim de que você perceber como a
Europa está mais bela.
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LISBOA,
UM CASO DE AMOR
O
Lonely Planet, talvez o melhor guia internacional dos
viajantes independentes – os mochileiros – afirma que, nos
últimos anos, Lisboa transformou-se na “namoradinha da
Europa ocidental”, esbanjando charme num mix de azulejos
decorados, calçadas de pedrinhas, arquitetura manuelina (da
época do rei D. Manuel, no século XVI) restaurada, a
melancolia do fado e uma vibrante e moderna cidade com
edifícios high-tech, shoppings, cinemas, teatros, cafés,
excelente sistema de transporte público e uma enorme
diversidade cultural.
Para
nós, brasileiros, Lisboa é mais: é um doce mergulho em
nossas origens e nos laços profundos que unem Portugal e
Brasil, tornando a terrinha de lá uma extensão de nossa
casa, com direito a novela, MPB e literatura brasileira. A
cidade, espraiada entre sete colinas na margem norte do rio
Tejo, tem cerca de 600 000 habitantes. A maioria de suas
atrações histórico-culturais estão próximas ao centro e
podem ser alcançadas a pé, uma das melhores coisas a fazer
em Lisboa.
Instalamo-nos
junto à Praça Saldanha, uma região aprazível, cercada de
bancos, comércio chique, bares, restaurantes e hotéis a
preços razoáveis – e ainda assim tranqüila e arborizada.
O metrô à porta e os diversos ônibus (ou autocarros, como
se diz lá) deixam-nos a menos de 10 minutos de áreas
históricas como o Rossio-Restauradores, Alfama, Chiado e o
boêmio Bairro Alto. Ônibus especiais levam e trazem
passageiros ao aeroporto Portela do Sacavém por apenas 3
euros. Na área tem Ibis, um hotel econômico da rede francesa
Accor, mas o meu preferido é o Vip Residencial da rua Fernão
Lopes, opção econômica da rede Vip Hotels, com serviço
completo, razoável conforto e precinho camarada para o
padrão local: 47 euros o AP duplo e 66 o triplo, incluído o
café da manhã, que os portugueses chamam de pequeno almoço.
Apesar
das 11 horas de viagem, a partir de São Paulo, e da companhia
de setuagenários, pude dispensar a cama na chegada e
aproveitar Lisboa já na primeira tarde. Na ida, a diferença
de 3 horas no fuso é a favor, o dia é menor para quem chega.
Uma boa opção é circular pela elegante área do Chiado,
parar no café A Brasileira para uma bebida quente e uma foto
junto à escultura do poeta Fernando Pessoa e depois descer ao
Armazém do Chiado, onde se pode curtir a happy hour no café
da sofisticada loja Fnac, com direito a show gratuito de
artistas locais. Na própria Fnac há venda de ingressos para
teatro e shows de música, mas a poucos minutos a pé, no
Rossio-Restauradores pode-se conferir a programação de
vários teatros, assistir a algum musical ou comédia no
tradicional Politeama (o balcão custa, em média, 10 euros) e
encerrar a noite saboreando variações de bacalhau e outros
pescados em restaurantes da rua Jardim Regedor.
Para
um brasileiro, é quase obrigatório iniciar o roteiro
histórico pelo bairro de Belém. É lá que estão, junto ao
Tejo e a belíssimos jardins de oliveiras e ciprestes, o
Mosteiro dos Jerônimos, que abriga o túmulo do herói Vasco
da Gama, a antiga Torre de Belém, símbolo das glórias
marítimas de Portugal, e o imponente Monumentos dos
Descobridores, erguido nos anos 90 no exato local de onde
partiam, no passado, as caravelas dos desbravadores do
Atlântico, inclusive Pedro Álvares Cabral. Na mesma área
estão o moderno Centro Cultural Belém, sempre repleto de
mostras de artes plásticas, shows e debates culturais, e o
Museu da Marinha com suas réplicas perfeitas das caravelas. O
programa deve incluir as confeitarias junto ao mosteiro, onde
se saboreia o festejado “pastel de Belém”, um pequeno
doce de nata.
Na
volta, é melhor pegar o elétrico 15, um superbonde, e
desembarcar na Praça do Comércio para o segundo capítulo da
viagem no tempo. Era lá que os navegantes despejavam as
especiarias (temperos) trazidas do Oriente, o que no século
XVI valia fortunas. Das janelas do elétrico pode-se apreciar
a modernização da área das docas, onde velhos armazéns
foram transformados em restaurantes, discotecas e casas de
shows. A Praça do Comércio é o ponto terminal da Cidade
Baixa, em cujos calçadões de ruas como a Augusta fervilha um
comércio variado, muitas docerias e onde está o Elevador
Santa Justa, um mirante privilegiado da cidade, construído em
1902 por Gustave Eiffel, idealizador da famosa torre francesa.
Em janeiro, quando a temperatura em Lisboa oscila entre 3 e 12
graus, uma atração à parte é comer castanhas portuguesas,
assadas na hora nas esquinas da Baixa.
Com
um único cartão Sete Colinas recarregável, ao preço de
2,90 euros por dia, tem-se passe livre no metrô e em ônibus
e bondes da Carris que, praticamente , cobrem toda a cidade.
Assim, já que estamos na Baixa, o bom é tomar o bondinho 28
e seguirmos para Alfama, o bairro medieval que concentrou a
população árabe durante o domínio mouro em Portugal, e
onde se encontram a Sé de Lisboa, a Igreja de Santo Antonio,
padroeiro da cidade, o mirante de Santa Luzia e o fantástico
Castelo de São Jorge, erguido sobre a colina de mesmo nome
há mais de 10 séculos. O acesso ao castelo passou a ser pago
no ano passado (3 euros), mas os maiores de 60 anos são
isentos. Nas suas ladeiras e vielas, Alfama esconde
restaurantes, adegas e cafés tranqüilos e recheados de
tradição.
De
metrô ou ônibus, chega-se rápido à Gare do Oriente,
estação de rodoferroviária que é um símbolo da
modernidade lisboeta, erguida no local onde em 1998 foi
realizada a Expo 2000, evento que acelerou a expansão e a
modernização de Lisboa. O metrô leva também a shoppings
sofisticados, como Centro Comercial Colombo, e aos estádios
do Sporting e do Benfica, suntuosos após serem reformados
para a Eurocopa de 2004.
Não
dá para não ir ao Bairro Alto, o velho point da noite de
Lisboa que não se intimida com as novíssimas atrações do
Parque das Nações e da beira-rio. É hora, então, de pegar
o bondinho da Glória (na verdade um elevador tipo plano
inclinado, junto à praça Restauradores) com o mesmo passe de
metrô e perambular pelas ruas estreitas do bairro boêmio, em
busca de uma opção boa e barata de fado e pratos típicos
numa das adegas locais, regados a vinhos do Porto e do
Alentejo. A Adega do Machado é muito conhecida por seu show
de fado e danças folclóricas. Estive lá no passado. A Luso
é tradicional por ter lançado grandes cantores de fado. Mas
há opções mais baratas, onde o consumo mínimo, válido só
para bebidas, varia de 15 (Adega do Mesquita) a 10 euros por
pessoa (Adega do Ribantejo, onde estivemos dessa vez).
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EM
2005

No
Mosteiro dos Jerônimos: túmulo de Vasco da Gama

Padrão
dos Descobrimentos, no Tejo: Cabral partiu daqui

No Santa
Justa, com Alfama, o bairro mouro, ao fundo
NO
PASSADO

JM na
respeitável Faculdade de Direito de Coimbra, em 2004...

...com
Fátima, junto à secular Torre de Belém, em 1998...

...e com
a cantora de fados Florinda Maria, no show folclórico da
Adega Machado, em 1982.
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DO
ESTORIL A FÁTIMA
Estando
em Lisboa é quase impossível não esticar até o Estoril e
Cascais, praias lindas e bem freqüentadas. É só pegar o
trem na da estação Cáis do Sodré, integrada ao metrô. Ida
e volta por não mais de 3 euros, valor que se torna
insignificante tão logo deparamos com o belo pôr-do-sol no
encontro do Tejo com o oceano, a altura de Oeiras, e depois
com as luzes do Cassino do Estoril, no nosso caso numa linda
noite de Lua cheia.
O
santuário de Fátima, a pouco mais de 100 quilômetros de
Lisboa, pode ser alcançado em ônibus que partem a cada hora
do terminal Sete Rios, junto à estação Jardim Zoológico do
Metrô, ao preço de 8 euros. No inverno, o pátio dos
peregrinos está vazio, mas há orações duas vezes ao dia na
Capelinha da Aparição, erguida no exato local onde os
pastores viram a Virgem. É lá, e não basílica ao lado, que
se pode perceber um toque maior de espiritualidade, capaz de
emocionar as pessoas sensíveis.
Fátima
está na metade do caminho de Coimbra, uma encantadora cidade,
famosa por sua universidade secular e pelo mosteiro de Santa
Clara, a velha. No ano passado estive lá, com minha esposa e
pudemos saborear os passeios por suas ladeiras e o convívio
com estudantes. Agora não deu, mas sentimos o gostinho de
estacionarmos por alguns minutos na cidade, na ida e na volta
da França.
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Estação
do Estoril: junto às
luzes do cassino

No
santuário de Fátima, espiritualidade
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EMOÇÃO
NOS PIRINEUS
O
trem sempre foi o meio de transporte preferido dos mochileiros
na Europa. Conforto e precinho camarada. Mas isso é passado.
As tarifas dos comboios, como são chamados em Portugal,
estão lá em cima (às vezes mais caras que as de aviões
regulares) e o jeito é optar pelos ônibus, com razoável
conforto (ainda que sem toaletes, como é tradição na
Europa) e preços que beiram à metade das tarifas de trens.
Para quem quer curtir o interior europeu, os ônibus oferecem
ainda a vantagem de serpentear pelo centro de cidades
tradicionais e vilas aconchegantes. Em Portugal, há também
um desconto substancial no preço dos bilhetes para
passageiros maiores de 60 anos. Na Intercentro de Lisboa,
associada à famosa Eurolines, o bilhete ida-e-volta a Paris
custou-me 144 euros. Meus pais, setuagenários, pagaram só
130.
Nossa
viagem deveria durar 24 horas, numa trajetória em diagonal
que cortaria o norte de Portugal, o centro e o norte da
Espanha (até o país Basco) indo até o centro-norte da
França, onde está Paris, passando assim por cidades históricas como Salamanca, Valladolid
(lembram de Cristóvão Colombo?), Tordesilhas (lembram das
aulas de História e Geografia?), além de Burgos, Bilbao e
San Sabastian (na área basca), Bordeaux (terra de bons vinhos
franceses), Tour e Versalhes, onde está o colossal Palácio
do rei Luis XIV. Deveria, pois uma nevasca nas montanhas dos
Pirineus e no país basco provocou o bloqueio da estrada,
após alguns acidentes, e o nosso ônibus teve que regressar
à bela Vilar Formoso, no lado português da fronteira com a
Espanha, onde ficamos retidos por 24 horas.
O
imprevisto virou atração, pois pudemos desfrutar da emoção
de dormir numa pequena pousada, sob 5 graus negativos, e
saborear pratos regionais numa adega típica – tudo por
conta da Intercentro. Ao retomarmos a estrada, deliciamo-nos
com a paisagem da neve cobrindo montanhas e casas, cintilando
sob os raios da Lua. O ponto final da viagem foi a estação
Gallieni, em Paris, de onde seguimos de metrô para o nosso
hotel fazendo apenas uma conexão na estação Saint-Lazare
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Estação
de trens de Vilar Formoso: 5 graus abaixo de zero

Burgos,
Espanha: nevasca
no País Basco
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PARIS
ETERNA E LUMINOSA
Paris
fascina a qualquer hora, mas em algumas áreas da cidade, a
noite é imperdível. Por exemplo, na charmosa avenida Champs
Elysées, no Quartier Latin, na região da Bastilha e, claro,
na Torre Eiffel com o seu jogo de luzes inaugurado na virada
do milênio. Praticamente todos os locais de interesse
turístico e cultural são servidos pela vasta rede do metrô
parisiense. O bilhete único custa 1,30 euro (melhor comprar
10 por 10,50 euros), e pode ser usado sucessivamente em
qualquer outro meio de transporte (o trem RER, os trams ou
bondes elétricos e ônibus comuns da área urbana) durante o
período de uma hora. Como perdemos um dos três dias
dedicados à cidade, tivemos que ser ágeis, inclusive para
aproveitarmos as opções noturnas possíveis.
Ao
descer na estação Champs Elysées-Clemenceau, junto à
estátua de Charles De Gaulle, depara-se à esquerda com o
trecho mais luminoso e fervilhante da célebre avenida (o
outro, em direção à Praça da Concórdia, deve ser
percorrido durante o dia), com seus cafés, cinemas e
restaurantes. Vale a pena caminhar cerca de dois quilômetros
até alcançar o Arco do Triunfo, no final. O monumento de 55
metros de altura, em cujos pilares estão inscritos nomes de
heróis, sábios e artistas franceses, foi idealizado por
Napoleão Bonaparte, para marcar suas vitórias militares, mas
só foi concluído em 1836, anos após a morte do
conquistador. Mesmo à temperatura de 6 graus negativos, às
22h45 de uma sexta-feira subimos ao topo do arco (o acesso
custa 7 euros), a fim de apreciarmos o espetáculo da Champs
Elysées e avenidas próximas e o espetáculo maior da Torre
Eiffel, do outro lado do rio Sena, piscando luzes em cores
prata e rubi a cada 15 minutos.
Na
noite seguinte, fomos à Torre Eiffel, também por volta das
22h (o acesso de turistas encerra-se às 23h), horário em que
fomos beneficiados pela ausência das filas quilométricas
durante o dia. O terceiro estágio da torre, próximo ao topo,
há anos está fechado ao público, mas a visita ao segundo
(por 7 euros) é o que basta para se ter uma vista
inesquecível do Palácio de Chaillot, junto ao Sena, e de
toda a cidade. Os que preferem
subir só até o primeiro estágio (por 4,50 euros)
são prejudicados pelo visual limitado, mas têm a vantagem de
desfrutar de um restaurante requintado. Para chegar até a
torre usa-se o metrô (estação Bir-Hakeim) ou o trem RER (o
que fiz, descendo na estação Champs de Mars). Caminha-se
então por uns 200 metros não muito iluminados, mas repletos
de visitantes e vendedores de bugigangas.
Quando
se tem pouco tempo, a seleção entre dezenas de opções é
crucial. Deixei de apresentar os meus velhos a muitas coisas
que me deliciaram nos anos 80 e 90, mas não os poupei de uma
visita essencial à Ile de la Cité, o local onde Paris
começou há mais de dois milênios, onde puderam assistir à
missa das 18h de sábado na Catedral de Notre Dame de Paris,
com direito a concelebração especial e o ecoar de sinos.
Depois, um passeio sem pressa, em direção ao Quartier Latin,
margeando o Sena e seus barcos multicores cheios de turistas.
A
visita ao Museu do Louvre é obrigatória, mas como é
necessário pelo menos um turno para que se possa apreciar uma
única ala do maior museu do mundo, dessa vez contentei-me em
contemplar sua entrada e o majestoso Jardin des Tuileres que,
margeando a rua do Rivoli, deságua na Praça da Concórdia,
início da Champs Elysées.
Chegamos
ao Louvre caminhando após uma visita à Ópera de Paris, o
conservatório imponente nas cercanias do boulevard Haussmann,
local onde mesmo um mochileiro despojado não resiste à
tentação de entrar na famosa Galeries Lafayette, o
gigantesco templo de consumo que ocupa meia dúzia de
quarteirões, com acesso pela estação Chausée
d´Antin-Lafayette. Janeiro é o mês dos
"soldissimos", uma superliquidação.
Em
Paris, os mais simples hotéis classificados costumam impor
diárias em torno de 100 euros, mas o sexto sentido de um
viajante independente sempre acaba identificando opções
sóbrias, mas dignas, a preços camaradas. Ficamos hospedados
no Formule 1 (a opção super-econômica da rede Accor) de
Saint-Denis, nas proximidades do Stade de France (onde o
Brasil perdeu a Copa de 98) e da Universidade Saint-Denis,
próximo ao metrô e ao tram, pagando incríveis 32 euros, com
café da manhã à parte, a 3,40 euros por pessoa.. Tudo
limpo, estilizado e automatizado, mas também pequeno demais
se comparado ao próprio Formule 1 de São Paulo. Mas que
importa? O hotelzinho aconchegante só nos acolhia entre 2h da
madruga e 9h da manhã. O resto do tempo passamos na rua,
curtindo a cidade-luz. Foi pouco, muito pouco, mas valeu. E
como valeu!
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EM
2005

Torre
Eiffel: show de luzes prata e rubi na noite de Paris

O trio
Morais, na base da torre, antes da subida

Entrada
do Louvre: a arte da pirâmide invertida

Em paz,
no fim da tarde, no
Jardin des Tuilers
NO
PASSADO

JM
navegando o Sena, à noite, com Fátima, em 1998...

...e
junto ao Arco do Triunfo, na Champs Elysées, em 1982
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PARA
SE DAR BEM
Gostou?
E aí, vai encarar a aventura? Se essa é a sua opção, aí
vão mais algumas dicas:
*
Lisboa
é uma cidade tranqüila, mas tem lá seus perigos. “Cuidado
com os carteiristas”, dizem os avisos em bondes e ônibus.
*
O Aerobus, o ônibus que sai do aeroporto Portela do
Sacavém, faz o circuito dos principais hotéis (caros e
baratos) até à Praça do Comércio. Consulte o motorista.
Custa só 3 euros.
*
Ao chegar, compre logo o seu passe Sete Colinas, no metrô
ou no posto da Carris, na Praça da Figueira. É muito
prático e barato para usar metrô, ônibus e bondes.
*
Não tente ser espertinho nos metrôs de Lisboa e Paris,
onde há várias estações sem catracas. Além da
vigilância eletrônica, a segurança costuma promover blitz
nos túneis para verificar se os passageiros portam bilhetes
válidos. Consulte horários de funcionamentos das
diferentes linhas: algumas param à meia-noite, outras a 1h
da madrugada.
*
Atenção: em Lisboa, consulte antes os horários de ônibus
para Paris, no Terminal Sete Rios. Há dias em que o
serviço não é oferecido.
*
Cuidado com os trombadinhas na linha 1 do metrô de Paris,
no horário de pico, mas não se deixe tomar pelo pânico.
Apesar do agito (Paris tem 10 milhões de habitantes), a
cidade é bem mais segura que São Paulo e o Rio. Dá para
andar à noite. Na Torre Eiffel, uma placa adverte sobre os
batedores de carteiras.
*
Em
Paris, fale inglês. Os nativos já não torcem o nariz para
quem não fala francês. Mas não se surpreenda: nas ruas,
poucos sabem ou gostam de se expressar na língua de
Shakespeare; outros entendem a pergunta, mas respondem em
francês. Aí, você tem de se virar. Em hotéis e serviços
públicos, há sempre alguém pronto para entender e
auxiliar o visitante. Ao chegar, pegue logo seu mapa da
cidade e do metrô. A sinalização da cidade é muito boa.
No metrô, mantenha a calma para direcionar-se em meio aos
muitos túneis e escadarias
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