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Misteriosas e
intensas pancadas soavam das paredes do barracão
de madeira, na aldeia de Hydesville, no Condado de Wayne,
Estado de New York. Era noite de 31 de março de 1848 e a família Fox se deitara mais cedo, pois havia três noites que não conseguiam conciliar o sono, em virtude dos misteriosos ruídos. O Sr. Fox resolveu verificar o interior e o exterior da pequena casa, mas nada encontrou que justificasse o mistério. Katie, a filha mais jovem, de nove anos de idade, muito esperta e já se acostumando ao acontecimento, pôs-se a imitar as pancadas batendo com os dedos sobre um móvel, enquanto exclamava em direção ao ponto de onde vinham os ruídos, para que esses a imitassem.
As pancadas então se fizeram, e paravam quando a menina também parava. Margaretta, de 12 anos, pediu que contasse junto com ela. Ao mesmo tempo em que batia com os dedos, a resposta em igual número de ruídos se dava. Naquela mesma noite, várias perguntas foram feitas pelos donos da casa e por vários vizinhos ali chamados, obtendo-se sempre através de certo número de pancadas respostas exatas.
O
comunicante invisível forneceu ainda sua história:
fora um antigo vendedor ambulante assassinado havia uns
cinco anos, por antigos moradores, para lhe furtarem o dinheiro que trazia, e que seu corpo se achava sepultado no porão, fato confirmado posteriormente ao ser encontrado no local assinalado um esqueleto humano em um baú de ferro. Estabelecia-se, assim, a comunicação entre os vivos e os mortos.
AS MESAS GIRANTES
Em 1854, um fato chamou a atenção do pesquisador e pedagogo francês Hypollite Léon Denizard Rivail. Na época, realizavam saraus nos mais elegantes salões europeus, onde as mesas girantes eram motivo de curiosidade, pois moviam-se, erguiam-se no ar e respondiam perguntas com batidas no chão, através de uma convenção alfabética, ou seja, cada letra representava um número de batidas.
Fluente em diversos idiomas, autor de livros didáticos e adepto de formas rigorosas de investigação científica, Rivail não aceitou de imediato o fenômeno. Estudou-o profundamente, aplicou métodos de experimentações, comparou, procurando sempre a razão e a lógica. Descobriu que a força inteligente que as movia eram espíritos dos homens que haviam morrido.
Depois das mesas, surgiu a escrita com lápis preso em uma cesta de vime e, finalmente, com a mão de médiuns. Servindo-se desses meios, Rivail elaborou a
Codificação do Espiritismo.
O MARCO
Na manhã de 18 de abril de 1857, chega uma carruagem na Livraria Dentu na Galerie d'Orleans, no Palais-Royal, em Paris. Trazia 1.200 exemplares da primeira edição de
O Livro dos Espíritos. Era o dia do lançamento da obra, composta num perfeito encadeamento de idéias, organizada metodicamente pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que em virtude de seu nome ser muito conhecido e respeitado pela comunidade científica à época da publicação, optou pelo pseudônimo Allan Kardec para que esta fosse conhecida não em virtude do seu nome e, sim, pelo conteúdo.
A primeira edição trazia 501 perguntas e respostas. Em 18 de março de 1860 foi publicada a segunda edição, definitiva, revisada e ampliada, com 1.019 perguntas e respostas, trazendo ensinamentos que conduzem o homem à redescoberta de si mesmo, fornecendo-lhe recursos para que compreenda, sem mistérios, quem é, de onde veio, e para onde vai.
O Livro dos Espíritos contém os princípios fundamentais da Doutrina Espírita em seus três aspectos: científico, filosófico e religioso, tais como transmitidos pelos próprios espíritos, seus autores. Assim, não se considera a obra de um homem, Allan Kardec, mas da espiritualidade, cabendo a Kardec, o Codificador, a incumbência de classificar, selecionar e organizar os itens em uma seqüência lógica, com bom senso e espírito crítico.
OS DIAS ATUAIS
O Brasil é o país com o maior número de espíritas em todo o mundo. De acordo com o Censo 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são quase 2,4 milhões de adeptos, formando o terceiro maior grupo religioso. Estima-se em 30 milhões o número de simpatizantes do Espiritismo no País.Vinculadas à Federação Espírita Brasileira (FEB) através das Federativas Estaduais, há cerca de 12 mil instituições espíritas.O mercado editorial espírita no País ultrapassa quatro mil títulos editados e mais de 90 milhões de exemplares vendidos.
A imagem dos espíritas está fortemente associada à prática da filantropia. Em todos os Estados brasileiros, as instituições espíritas mantêm lares, creches, hospitais, escolas e outras organizações de assistência e promoção social para pessoas carentes.
Com o objetivo de comemorar o Sesquicentenário, a FEB promoveu entre os dias 12 e 15 de abril o 2º Congresso Espírita Brasileiro, em Brasília (DF), com o tema central
O Livro dos Espíritos na Edificação de um Mundo
Melhor. Durante o evento, os Correios lançaram um Selo Personalizado e um Carimbo Obliterativo alusivos aos 150 anos da publicação de
O Livro dos Espíritos. Sessões solenes em Assembléias Legislativas de vários Estados também estão sendo realizadas em comemoração à data.
Aqui no Estado, a Federação Espírita do Rio Grande do Norte (FERN) realizou a 1ª Conferência Espírita com o tema central
Espiritismo 150 Anos Esclarecendo e Consolando. Desde 1996, no dia 18 de abril comemora-se o Dia do Espírita, instituído através de projeto do deputado Nélter Queiroz, sancionado pelo então governador Garibaldi Filho.
MOSSORÓ
O Espiritismo se faz presente em Mossoró há muitas décadas, bem antes da primeira instituição, a Sociedade Espírita de Mossoró, fundada em 19 de março de 1977. Conforme dados do Recenseamento Geral de 1950, dos 40.681 habitantes da época, 41 declararam-se espíritas, numa sociedade preconceituosa, onde 97% dos habitantes eram católicos.
A cidade atualmente conta com oito Centros Espíritas: A Sociedade Espírita de Mossoró, localizada no bairro Aeroporto; Centro Espírita Auta de Souza, no Planalto 13 de Maio; Centro Espírita Seareiros de Jesus, no Bom Jardim; Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec, nas Barrocas; Fundação Francisco Cândido Xavier, no Santa Delmira; Núcleo de Estudos Espíritas Casa do Caminho, no Nova Betânia; União Espírita Cristã, no Centro; e Centro Espírita Léon Denis, no bairro Belo Horizonte. Afora os Centros, há também duas instituições espíritas que desenvolvem assistência e promoção social a pessoas carentes: a Fundação Casa do Caminho e a Casa Assistencial André Luiz.
Além das reuniões públicas em todos os Centros Espíritas, eventos como seminários e workshops são promovidos ao longo do ano, sendo o maior deles a Semana Espírita de Mossoró, sempre no mês de outubro.
(*) Francinaldo
Rafael é jornalista, escreve uma coluna sobre
Espiritismo no jornal O Mossoroense e publicou
originalmente esta reportagem no jornal Gazeta,
de Mossoró-RN.
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LE:
base da
doutrina |
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Espiritismo em
5 livros
Espiritismo ou Doutrina Espírita consiste em um conjunto de princípios e leis reveladas pelos espíritos superiores, contidos nas obras publicadas por Allan Kardec, que constituem a Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.
Trata da natureza, origem e destino dos espíritos e suas relações com o mundo corporal. Ao trazer conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, a Doutrina Espírita toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento humano, com o propósito de abrir uma nova era para a regeneração da humanidade. A doutrina pode e deve ser estudada, analisada e praticada em todos os aspectos fundamentais da vida, como científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social, entre outros.
(FR)
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Kardec,
o codificador
Onde
estudar
o Espiritismo
A Federação Espírita do Rio Grande do Norte (FERN) é a instituição que coordena o movimento espírita no estado. Além
das atividades junto aos centros espíritas de Natal e do interior, a FERN realiza reuniões públicas, onde são ministradas palestras sobre o Espiritismo, reuniões de assistência espiritual e cursos sobre filosofia espírita e mediunidade. A instituição funciona na Av. Rodrigues Alves 779, no bairro Tirol, em
Natal, tel. 3211-8518.

Sede
da FERN, Natal
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Sandra Borba, presidente da FERN
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