Webaholics
de todo o mundo, Kimberly Young está na
rede. Doutora em Psicologia, KImberly é
especialista em identificar náufragos no
oceano de bits e promete traze-los de volta
à terra firme em, no máximo, 18 sessões de
terapia. A operação resgate não poderia
ser mais cômoda, pelo menos para quem não
consegue desligar o modem: tudo é feito
através da própria Internet. O interessado
só precisa acessar o site
www.netaddiction.com e estar disposto a
desembolsar 25 ou 89 dólares por consulta,
conforme a opção por email ou conversa
on-line de 50 minutos.
Kimberly
descobriu a face escura do mundo virtual numa
madrugada de 1994. O telefone tocou e, na
outra ponta da linha, sua irmã Marsha
desabafou. Estava decidida a divorciar-se
porque o marido, um internauta que já
naquela época teclava até à madrugada, a
havia trocado pelo computador. Três anos
mais tarde, após pesquisar 500 usuários
pesados da Internet, Kimberly publicou Caught
in the Net (algo como Enroscado na Rede),
livro que acabou virando uma espécie de
bíblia para estudiosos do problema e,
principalmente, suas vítimas. A obra, já
traduzida para o alemão, o italiano e o
dinamarquês, contém afirmações
peremptórias e, às vezes, polêmicas.
Há
quem discorde do método de pesquisa da
psicóloga - os dados foram levantados
principalmente por meio da Internet - e de
suas conclusões, tidas como alarmistas pelos
críticos. Apesar disso, Kimberly é
reconhecida como autoridade no assunto e
presta seus serviços a empresas e entidades
governamentais como a Motorola, a CIA e o
Departamento de Saúde do estado de Nova
York. Seu estilo afirmativo está presente
nesta entrevista à SUPER:
A Internet pode ser uma ameaça à
saúde?
Sim. Cerca de 5 a 10% dos usuários da rede
se enquadram na categoria dos dependentes, à
semelhança dos viciados em álcool. Mas
felizmente a maioria dos usuários consegue
integrar a Internet às suas vidas de forma
positiva.
Que áreas e atrativos da Internet
são potencialmente mais perigosas nesse
sentido?
Aquelas que são mais interativas, como as
salas de bate-papo e sexo on-line e os sites
múltiplos onde há jogos e outras
aplicações interativas.
Profissionais que usam intensivamente
a Internet no trabalho estão mais propensos
a desenvolver dependência?
Qualquer pessoa com um computador e um modem
é um candidato em potencial ao problema.
Espere aí. Então uma pessoa normal,
sem qualquer transtorno psicológico prévio,
pode se tornar dependente digital?
Claro. Os estudos feitos até agora mostram
que 50% dos webaholics têm histórico de
distúrbios psiquiátricos, mas a outra
metade era psicologicamente sadia. Muitas
vezes o comportamento patológico
manifesta-se sob a forma de um romance
virtual ou na prática de sexo on-line. O
acesso fácil, a sensação de poder e
disponibilidade e, sobretudo, o anonimato
proporcionados pela Internet são um
estímulo a essa situação.
Na sua pesquisa em Pittsburgh,
constatou-se que havia mais mulheres de
meia-idade do que homens entre os dependentes
de Internet. As mulheres seriam mais
vulneráveis aos atrativos da rede?
Sim. Num grupo de 396 dependentes, 239 eram
mulheres maduras. Os homens costumam exercer
um certo controle sobre suas emoções e
fantasias. As mulheres, não.
A senhora se propõe a tratar de
pessoas viciadas em Internet através da
própria Internet. Isso não é
contraditório?
Não. Ao contrário das dependências
físicas, como o alcoolismo, o processo de
cura da dependência digital não exige
abstinência. De qualquer modo, em nosso
Center for On-line Addiction oferecemos
também o tratamento tradicional, em
consultório.
De quanto tempo um webaholic precisa
para se livrar da dependência?
Dependendo da situação do paciente, o
tratamento dura de três a 18 sessões.