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Ano VII / Nº 316

Texto publicado na revista Super de março de 2002


Leia mais:

Satã vive

O Diabo e as religiões

Quem é quem no inferno

 

 


O apagão do anjo

Por Jomar Morais    

Era uma vez um arcanjo belo e luminoso. Daí o seu nome, Lúcifer, que na origem latina significa portador da luz. Era o preferido de Deus, espécie de assessor direto numa época em que o Criador andava muito ocupado com a criação do universo. Era também sábio e envolvente, conhecia os segredos da vida. Algo assim tão extraordinário que o nobre ser celeste nem teve tempo de perceber o perigo.

Segundo Dante, na Divina Comédia, a glória de Lúcifer durou somente 20 segundos. Foi o tempo necessário para que o orgulho lhe subisse a cabeça, levando-o a se opor aos desígnios divinos. Na primeira tentativa de golpe de estado de que se tem notícia, o arcanjo convenceu um terço dos habitantes do céu a rebelar-se contra o Criador. Houve guerra nas alturas, mas Lúcifer perdeu feio. Batidos por tropas angelicais comandadas pelo arcanjo Miguel, ele e seus aliados foram precipitados nas profundezas do mundo, onde formaram um reino dissidente mais conhecido como inferno.

E assim nasceu o Diabo, o senhor do mal, orgulhoso, vaidoso, astucioso, eternamente rebelado contra tudo que o que consta dos planos divinos, aí incluindo-se o homem e as virtudes que o aproximam do Criador.

Esta história não está no Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, que descreve a criação do céu e da Terra. Nem poderia. A narrativa acerca de Lúcifer surgiu na literatura popular judaica, foi reproduzida em escritos apócrifos e só muito tempo depois associada ao mito de Adão e Eva no paraíso. (Foi então que a fala da serpente a Eva passou a ser vista como uma intervenção do Diabo, com o objetivo de corromper a nascente humanidade.) Os cristãos a incorporaram à sua doutrina, enriquecendo-a com detalhes apocalípticos. O Novo Testamento informa que Lúcifer e seus aliados voltarão a guerrear contra os anjos de Deus no fim dos tempos e dessa vez o Diabo não terá colher de chá. O Tinhoso e suas tropas serão definitivamente derrotados.

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Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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