A
imaginação criativa na Idade Média não se limitou a
conceber uma figura horripilante para Satanás. O inferno,
espaço de trevas e sofrimento a que o adversário do
Criador foi relegado, teve suas regiões geográficas e
departamentos minuciosamente retratados pela demonologia e
pela arte cristãs.
No início o
reino infernal era habitado, segundo os doutores da Igreja,
por exatos 133 306 668 anjos corrompidos. Isso
corresponderia à terça parte do contingente de quase 400
milhões de anjos criados por Deus, originalmente
distribuídos em nove ordens, cada uma delas composta por 6
666 legiões que, por sua vez, são grupos formados por 6
666 indivíduos. Para administrar tantos demônios em seu
trabalho de espalhar o mal, o Diabo delegou poderes a
auxiliares, às vezes confundidos com o próprio chefe.
A seguir,
alguns nomes influentes no organograma do inferno:
Diabo
– o rei, o chefão. O nome deriva do grego diábolos, que
significa aquele que leva a juízo. Trata-se de Lúcifer, o
ex-arcanjo preferido de Deus, expulso do céu por causa de
seu orgulho e ambição. Sua pretensão é ser o deus da
Terra. É também conhecido vulgarmente como Satã (em
hebraico, aquele hostiliza, acusa e calunia), mas alguns
demonólogos vêem aí uma diferença: Satã seria apenas
uma manifestação, uma personagem do Diabo e não o Diabo
propriamente dito.
Belzebu
– é o príncipe dos demônios, segundo o Novo Testamento.
A origem do nome é Baal-Zebu, o deus filisteu da cidade de
Ecrom, que em hebraico quer dizer "senhor das moscas".
É descrito na obra Paraíso Perdido, de Milton, como
um rei autoritário que irradia sabedoria. Ao lado de
Leviatã, estimula o orgulho e a heresia entre os homens.
Asmodeu
– demônio hebreu
da ira e da luxúria que, segundo o Livro de Tobias, matou
os sete primeiros maridos de Sara, filha de Raquel, no
próprio dia do casamento. Teria sido um serafim no céu.
Virou superintendente das casas de jogo do inferno.
Astaroth
– marido de
Astartéia, deusa fenícia da Lua. Ex-querubim, é tido como
o tesoureiro do inferno, inspirador da preguiça na Terra.
É representado como um anjo nu, fedorento, montando um
dragão.
Baalberith
– demônio do
assassinato e da blasfêmia, era líder dos querubins
celestes. Tornou-se secretário de Lúcifer.
Belial
– seu nome deriva
do hebraico bellhharar, que significa "inútil".
É considerado o demônio da arrogância e da loucura por
uns e o patrocinador da sodomia por outros. Há quem o veja
como a besta do Apocalipse, marcada com o número 666.
Abramalech
– responsável pelo
guarda-roupa de Lúcifer, espécie de mordomo. Tem a forma
de uma mula com busto humano e rabo de pavão.
Nergal
– demônio
sumeriano que no inferno cristão assumiu o comando da
polícia.
Pazuzu
– demônio assírio considerado o rei dos
espíritos malignos que vêm com o vento sudeste. É
representado como um homem alado e com chifres enormes.