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Ano VIII / Nº 317

Texto publicado na revista Super de junho de 2002


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Por Jomar Morais    

Charles Darwin não foi o primeiro biólogo a trabalhar com a idéia da evolução e do parentesco entre todos os seres vivos. O principal concorrente de Darwin, na vertente evolucionista, foi o biólogo francês Chevalier Lamarck, cuja teoria, apresentada no século XVIII, teria peso semelhante à de Darwin, não fosse um detalhe insólito: Lamarck tratava a evolução com o princípio do uso e desuso, segundo o qual as partes de um organismo usadas com freqüência aumentam de tamanho (como acontece quando exercitam os músculos específicos), ocorrendo o inverso com aquelas mantidas em ociosidade. Para ele, essas alterações seriam passadas às gerações futuras, detalhe que jamais foi comprovado. No começo do século XX, o fenômeno da mutação genética foi descrito pela primeira vez. Logo cientistas famosos como Wilhelm Johannsen, inventor do termo "gene", e Thomas Morgan, pai da teoria cromossômica da hereditariedade, deduziram que novas espécies surgiam de uma única grande mutação e não da seleção natural. Outro geneticista, o japonês Motoo Kimura, deu uma roupagem molecular a uma antiga concepção evolucionista: a teoria neutralista. A idéia é a de que a maioria das mudanças evolutivas, no âmbito da genética molecular, são neutras – portanto, não dependentes da seleção natural.

Uma das mais recentes teorias rivais de Darwin – encarada como uma teoria complementar por muitos darwinistas – surgiu em 1972 nos Estados Unidos, formulada pelos paleontólogos Stephen Jay Gould, da Universidade de Harvard, e Niles Eldredge, do Museu de História Natural de Nova York. Para eles, a evolução acontece em saltos rápidos, quando populações pequenas desenvolvem, em períodos de não mais que 10 000 anos, novas características para se adaptar a um certo ambiente. Depois disso, as espécies tendem a se manter constantes por milhões de anos. O modelo, chamado equilíbrio pontuado, oferece uma explicação à ausência de fósseis que mostrem claramente a mutação das espécies ao longo de bilhões de anos, de acordo com a teoria darwiniana.

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Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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