Charles
Darwin não foi o primeiro biólogo a trabalhar com a idéia
da evolução e do parentesco entre todos os seres vivos. O
principal concorrente de Darwin, na vertente evolucionista,
foi o biólogo francês Chevalier Lamarck, cuja teoria,
apresentada no século XVIII, teria peso semelhante à de
Darwin, não fosse um detalhe insólito: Lamarck tratava a
evolução com o princípio do uso e desuso, segundo o qual
as partes de um organismo usadas com freqüência aumentam
de tamanho (como acontece quando exercitam os músculos
específicos), ocorrendo o inverso com aquelas mantidas em
ociosidade. Para ele, essas alterações seriam passadas às
gerações futuras, detalhe que jamais foi comprovado. No
começo do século XX, o fenômeno da mutação genética
foi descrito pela primeira vez. Logo cientistas famosos como
Wilhelm Johannsen, inventor do termo "gene", e
Thomas Morgan, pai da teoria cromossômica da
hereditariedade, deduziram que novas espécies surgiam de
uma única grande mutação e não da seleção natural.
Outro geneticista, o japonês Motoo Kimura, deu uma roupagem
molecular a uma antiga concepção evolucionista: a teoria
neutralista. A idéia é a de que a maioria das mudanças
evolutivas, no âmbito da genética molecular, são neutras
– portanto, não dependentes da seleção natural.
Uma das mais recentes teorias
rivais de Darwin – encarada como uma teoria complementar
por muitos darwinistas – surgiu em 1972 nos Estados Unidos,
formulada pelos paleontólogos Stephen Jay Gould, da
Universidade de Harvard, e Niles Eldredge, do Museu de História
Natural de Nova York. Para eles, a evolução acontece em
saltos rápidos, quando populações pequenas desenvolvem,
em períodos de não mais que 10 000 anos, novas características
para se adaptar a um certo ambiente. Depois disso, as espécies
tendem a se manter constantes por milhões de anos. O modelo,
chamado equilíbrio pontuado, oferece uma explicação à
ausência de fósseis que mostrem claramente a mutação das
espécies ao longo de bilhões de anos, de acordo com a
teoria darwiniana.