Ano VIII / Nº 322
Texto
publicado
na revista Super edição outubro de
2002
Outras
reportagens
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O
universo tinha exatamente este tamanho quando ocorreu o Big Bang
O
ponto zero
A teoria
inflacionária afirma que o universo surgiu do nada, como uma
partícula 1 bilhão de vezes menor que um próton, e pode
tornar-se um espaço solitário e gélido, com o
distanciamento das estrelas
Por Jomar Morais
Ouniverso
é surpreendente. Até onde alcançam as lentes do telescópio
mais poderoso – o Hubble, que opera em órbita, a 300
quilômetros da Terra – as novidades não param de aparecer.
Galáxias incontáveis e seus bilhões de astros (só a Via
Láctea, a galáxia onde vivemos, tem 100 bilhões de estrelas).
Buracos negros misteriosos, cuja força gravitacional devora
até a luz. Corpos celestes situados a distâncias colossais,
só vencidas pela luz, em sua viagem a 300 000 quilômetros
por segundo, após 11 bilhões de anos. Nuvens de gases,
asteróides flutuando a esmo. O universo visível é enorme,
mas as equações dos físicos e cosmologistas não deixam
dúvidas: o que vemos é só uma pequena amostra do cosmo,
cerca de 5% de sua massa. A vastidão dos céus está
preenchida fundamentalmente pela chamada matéria escura,
espécie de fluido invisível que se esparrama pelo espaço, e
pela energia escura, por enquanto só atestada pela
matemática dos astrofísicos, com base em certos fenômenos
no espaço intergalático.
"O
universo é fantástico" diz o astrônomo inglês Martin
Rees. "E talvez inexplicável", acrescenta o
cientista. Diante de cenário tão grandioso, no entanto, é
impossível calar a velha pergunta. De onde veio tudo isso? Em
que útero ancestral todas as coisas foram geradas? Se você
pensou em responder "do Big Bang", então está na
hora de atualizar seus conhecimentos.
A
teoria de que o universo teve início numa grande explosão (Big Bang, em inglês) foi formulada no início do século XX
e, praticamente, arrefeceu a discussão milenar sobre se o
cosmo teve um começo ou se existe desde sempre. Graças à
descoberta de que as galáxias estão se afastando umas das
outras, feita pelo americano Edwin Hubble em 1922, foi fácil
rodar o "filme" ao contrário e deduzir que em algum
instante do passado elas estiveram juntas, concentradas em um
ponto de extrema densidade e altíssima temperatura, cuja
explosão, até hoje, impulsiona os fragmentos em direção ao
infinito. Mas esse modelo, aceito por quase 100% dos
cientistas, é restrito e imperfeito. "O Big Bang se
refere apenas à expansão a partir de um estado inicialmente
denso e quente", alega o físico Alan Guth, do Instituto
de Tecnologia de Massachussets, o MTI, nos Estados Unidos.
"A teoria não diz o que explodiu, por que explodiu e o
que acontecia antes dessa explosão".
O
Big Bang é, na verdade, um raciocínio sobre o resultado da
explosão. O modelo pressupõe que toda a matéria existente
no universo já estava lá, no ponto singular do início,
apenas muito comprimida e numa forma diferente do estado atual.
Mas como e de onde surgiu essa substância primordial? Foi
nessa lacuna que o próprio Guth, cientista premiado no ano
passado com a medalha Benjamin Franklin em física - honraria
que costuma preceder a concessão do Prêmio Nobel -,
encontrou terreno para uma teoria revolucionária que pretende
esclarecer a origem do que explodiu no bang.
De
onde veio universo? A resposta de Guth é: do nada, do zero.
As primeiras partículas teriam surgido de uma simples "flutuação
de vácuo", processo de alteração de um campo elétrico
que a física clássica desconhecia, mas que a mecânica
quântica, nascida no século passado, acabou por revelar aos
estudiosos da intimidade subatômica. Segundo essa conjetura
– conhecida como teoria do universo inflacionário -, as
partículas primordiais emergiram do vazio e, à semelhança
da subida dos preços quando há inflação monetária,
expandiram-se a uma velocidade espantosa em bilionésimos de
segundo, formando assim a aglomeração que seria em seguida
fragmentada na grande explosão. A teoria não contradiz nem
substitui a do Big Bang. Completa-a. Na prática, fornece o
início a partir do qual o modelo do bang pode continuar, uma
das razões de sua larga aceitação entre físicos e
cosmologistas.
DO
VAZIO PARA O ESPAÇO-TEMPO
"A
teoria de Guth resolve, de um só golpe, o mecanismo da
criação e o balanço de energia no universo", diz o
astrofísico Francisco Jablonski, do Instituto Nacional de
Pesquisas Especiais, o Inpe, em São José dos Campos (SP).
"Além disso, abre caminho para novas reflexões
científicas e filosóficas". Entre dezenas de hipóteses
sobre o passado e o futuro do cosmo, em consideração no meio
científico, esta é a formulação que melhor explicaria os
dados recolhidos por telescópios e sondas espaciais nas
últimas décadas.
Quando
afirma que o universo nasceu do nada, Guth não quer dizer que
a matéria tomou forma a partir de algo sem qualquer conteúdo.
Para um físico quântico, o vazio é sempre alguma coisa.
Trata-se de uma situação onde não há espaço e nem
matéria, apenas energia de alta freqüência. Pelas leis da
relatividade e da mecânica quântica, essa energia pode ser
convertida em matéria sob condições incertas e
incontroláveis, como é o caso da súbita variação de um
campo elétrico ou flutuação de vácuo. E foi exatamente
isso o que ocorreu, segundo a teoria, na circunstância que
antecedeu o surgimento do universo, há cerca de 15 bilhões
de anos. Em um mar de energia repleto de partículas virtuais,
que precedeu o espaço e o tempo (pelo menos como os
conhecemos), as primeiras partículas se materializaram
provavelmente por meio de um "tunelamento quântico",
processo no qual o colapso da onda energética suscita a
formação de partículas, de matéria.
Teoricamente,
qualquer coisa – até um elefante ou uma planeta – pode
emergir de uma flutuação de vácuo. Os cálculos de
probabilidade e os experimentos em aceleradores de partículas
sugerem, no entanto, que apenas unidades subatômicas,
extremamente pequenas, podem ser efetivamente geradas dessa
forma e, ainda assim, por um tempo de vida também
infinitesimal, em torno de 10-21 segundo. A
situação se altera quando a matéria gerada é de um tipo
especial dotado de gravidade negativa, uma força prevista na
maioria das teorias da física moderna que, ao contrário da
gravitação normal, expulsa em vez de atrair as partículas
presentes em seu campo. Neste caso, ensina Guth, bastaria que
se formasse um pedaço incrivelmente pequeno, de apenas um
bilionésimo do tamanho de um próton (uma das partículas
nucleares do átomo), para que a expansão acelerada da
matéria tivesse início por conta de sua repulsão
gravitacional interna. No cenário do nascimento do universo
isso teria ocorrido no brevíssimo período entre 10-37
segundo e 10-34 segundo, tempo suficiente, porém,
para que o pedaço inicial e ínfimo alcançasse o tamanho de
uma bola de gude. A partir daí, a expansão prosseguiu em
outro ritmo.
Este
é o ponto zero detectável com os atuais recursos de
dedução e experimentação científica, o que não significa,
segundo Guth, a última palavra sobre o alfa da criação ou
sequer o descarte da hipótese de que o universo não teve
começo, sustentada no século passado, entre outros, por
Albert Einstein. Mas esta é apenas uma parte da conjetura do
cientista. A idéia chave da inflação, apoiada no conceito
de gravidade negativa, deu margem a uma nova compreensão do
mecanismo de criação de matéria, com impacto sobre todas as
demais hipóteses cosmológicas.
A
"FÁBRICA" DE MATÉRIA
"A
teoria do Big Bang é limitada para justificar a massa
estimada do universo e o seu equilíbrio térmico", diz
Hugo Carneiro Reis, doutor em física de partículas da
Universidade de Campinas (SP) e autor de um estudo sobre a
produção de matéria no universo primordial. "Seria
necessário um ajuste fino nas equações que demonstram a
teoria, a fim de conciliá-la com o que é observado hoje no
cosmo". Essa discordância, porém, é superada quando se
leva em conta o modelo inflacionário que, segundo Hugo,
explica a criação de matéria sem contrariar as leis da
física.
A
teoria de Guth afirma que, no universo primitivo, o material
de gravidade repulsiva se expandiu sem perder densidade,
gerando durante a inflação uma massa colossal de quarks,
partículas ínfimas de carga elétrica inferior à de um
elétron. À primeira vista parece que o fenômeno esbarra no
princípio de conservação da energia, que pressupõe o
equilíbrio da energia total em todas as transformações no
mundo físico, mas não foi isso o que aconteceu. No processo
inflacionário, a energia positiva da matéria foi
contrabalançada pela energia negativa do campo gravitacional,
de modo que a energia total foi sempre zero. Quando, enfim, o
material de gravidade negativa começou a decair, diminuindo o
ritmo da expansão, formou-se então a "sopa
primordial" (gás a altíssima temperatura) apresentada
como condição inicial na teoria do Big Bang.
Nesse
momento, a 10-6 segundo da concepção do cosmo,
ainda não existiam átomos e moléculas, apenas um plasma
fervente constituído de elétrons, prótons, pósitrons,
neutrinos e toda uma gama de partículas subatômicas
polarizadas. A matéria ordinária só apareceria, conforme
vários cosmologistas, cerca de 300 000 anos mais tarde,
quando o universo já tinha esfriado o suficiente para
permitir que elétrons livres se combinassem com núcleos
atômicos e formassem o hidrogênio e o hélio que queimam no
interior das estrelas. Foi então que, em diversas regiões,
círculos de matéria escura ajudaram a comprimir enormes
volumes dos dois gases, promovendo a formação dos astros.
Mas as estrelas e galáxias que vemos hoje não são as mesmas
daquele período remoto, diz o cosmologista Volker Bromm, do
Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian em Cambridge (EUA).
Os primeiros astros possuíam enorme massa, brilhavam
intensamente, mas explodiram antes de completar 3 milhões de
anos, o que acabou sendo fundamental para a continuidade da
criação. Ao explodirem, as primeiras estrelas puderam
impulsionar no espaço o gás condensado no seu entorno, além
de espalhar átomos mais pesados que os de hidrogênio e
hélio, facilitando assim o nascimento de uma segunda
geração estelar. Quanto às primeiras galáxias, com menos
astros que as atuais e mais próximas umas das outras,
acabaram colidindo e se fundindo na formação dos grandes
aglomerados de estrelas que conhecemos.
Martin
Rees acha que sem essa interrupção na sequência da
criação o cosmo não teria se consolidado da forma atual nem
haveria as condições necessárias à vida. Se todo o gás
inicial tivesse permanecido no interior das primeiras estrelas,
a matéria prima dos corpos celestes teria sido consumida
rapidamente e hoje o universo exibiria um conjunto de estrelas
vermelhas, em declínio, reunidas em galáxias-anãs.
Aglomerações como a Via Láctea, ricas em gás, seria uma
exceção e não a regra.
Nas
entranhas da natureza, afirma Rees, essa diferença em favor
da vida aconteceu com uma surpreendente precisão matemática.
Por exemplo: no processo de combustão das estrelas, quando o
hidrogênio e o hélio se fundem, apenas 0.007 da massa do
hélio é transformada em energia - e é exatamente esse
número, segundo Rees, que garante a química da vida. Se ele
fosse um pouquinho menor (0.006 em vez de 0.007) os dois
prótons e dois neutrons que constituem o núcleo do átomo de
hélio não se uniriam e o universo teria apenas hidrogênio.
Em compensação, se o número fosse um pouquinho maior
(0.008), a fusão seria tão rápida que nenhum átomo de
hidrogênio teria sobrevivido a um evento como o Big Bang.
Logo, a existência de sistemas solares e de seres vivos seria
inviabilizada pela ausência de um ou outro dos dois elementos
fundamentais do universo.
CRIAÇÃO
PERMANENTE
O
modelo inflacionário suscitou ilações que extrapolam o
conceito tradicional de cosmo e reforçam teorias nada
convencionais elaboradas a partir dos anos 30. Uma delas é a
dos universos paralelos ou universos-bolsões, que operariam
em outras dimensões de espaço e tempo, sendo, portanto,
invisíveis aos nossos olhos e aos atuais sensores
eletrônicos. "Tais universos paralelos seriam o
resultado de defeitos topológicos devido à diversidade das
variações de campo elétrico e níveis de inflação nos
primeiros instantes do cosmo", diz Hugo. Seu número
seria enorme, mas se torna ainda maior quando se considera a
possibilidade de inflação eterna da matéria. Neste caso,
segundo Guth, o material de gravidade repulsiva continuaria a
crescer sem limite e sem fim, produzindo não apenas mais
matéria, mas também uma sucessão infinita de universos. A
história do cosmo neste cenário comportaria inúmeras
versões, como propõe o físico Richard Feynman, e pode ou
não ter começado com o nosso próprio universo. Há mesmo
quem admite que o Big Bang pode ter sido provocado pela
colisão de dois universos.
A
expansão acelerada, enfim, projeta um quadro sombrio para o
futuro remoto, quando as galáxias, afastadas umas das outras,
se perderem num espaço empoeirado e gélido, com temperatura
bem mais baixa que os atuais 273 graus negativos. Dos bilhões
de galáxias observáveis atualmente, apenas duas continuarão
sendo visíveis da Terra: a nossa Via Láctea e a de
Andrômeda, a única que se move em nossa direção.
UMA
TEORIA DE TUDO
São
dezenas as teorias atuais destinadas a explicar a origem e a
dinâmica do cosmo, e a cada descoberta dos observatórios
astronômicos muitas ganham uma nova versão. O próprio
modelo inflacionário de Guth deriva de deduções anteriores,
como as do físico russo-americano Andrei Linde, da
Universidade Stanford, que na década de 80 concebeu a
existência de diferentes campos quânticos no universo
anterior ao Big Bang. A segunda metade do século XX, no
entanto, foi marcada pelo esforço de físicos e cosmologistas
para chegarem a uma teoria unificada que reunisse elementos
válidos dos modelos diversos e esclarecesse, finalmente, os
enigmas do universo.
Um
dos modelos cosmológicos mais conhecidos é o de Albert
Einstein. O físico que elaborou a Teoria da Relatividade
achava que o tempo deveria ser infinito em ambas as direções
e, por isso, defendeu a hipótese de que o universo existe
desde sempre. Segundo o matemático e doutor em cosmologia
Stephen Hawking, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra,
Einstein agiu assim por temer tropeçar em questões
embaraçosas sobre a criação do universo fora do domínio da
ciência, mas cálculos desenvolvidos por Hawking e seu colega
Roger Penrose, com base no conceito de relatividade geral do
próprio (que pressupõe a curvatura do espaço-tempo),
levaram a outra conclusão. "O tempo precisaria ter um
início no Big Bang", diz Hawking. "E um fim quando
estrelas ou galáxias desmoronassem sob suas próprias
gravidades para formar buracos negros."
O
modelo de Einstein, ainda não descartado, conduz a um
cenário de universo oscilante, que alternaria períodos de
expansão, a partir de bangs, e de contração até à
singularidade dos buracos negros – pontos em que a matéria
retorna à condição de concentração, energia e temperatura
infinitas. É algo que lembra a assertiva dos filósofos
estóicos, na Grécia antiga, de que o mundo está destinado a
ser destruído e reconstruído infinitamente. E também a
noção de ciclos de destruição e construção das doutrinas
místicas do Oriente, como o taoísmo e o hinduísmo. A
questão é que a avaliação atual das radiações das
estrelas, que sinalizam o afastamento acelerado das galáxias,
sugere um universo de geometria plana, em processo de
expansão eterna, o que fortalece outras hipóteses
cosmológicas pelo menos por enquanto.
Quando
a chamada teoria das supercordas foi elaborada, nos anos 80,
imaginou-se que se alcançara, finalmente, uma Teoria de Tudo.
O modelo propõe a existência de 11 dimensões (cordas), que
envolveriam a existência de universos semelhantes e outros
totalmente diversos do nosso, onde poderia haver inclusive
mais de uma dimensão de tempo ou nenhuma estrela ou galáxia.
A teoria, é bom lembrar, não descarta eventos como o Big Bang, apenas não os considera episódio de uma história
única para o cosmo.
Hoje
em dia, a esperança de se obter uma teoria unificada está
representada, conforme Hawking, na Teoria M (m de matriz), que
conecta cinco versões da teoria das cordas. "O que
convenceu muita gente de que se deve levar a sério os modelos
com dimensões extras é a rede relações inesperadas entre
eles", diz Hawking. "Isso mostra que todos os
modelos são aspectos diferentes da mesma teoria básica".
NO
LIMITE DA CIÊNCIA
A
cosmologia não é uma ciência estática e constantemente tem
superado idéias que pareciam inabaláveis no passado, fato
que se justifica, em parte, pelo próprio objeto de seu estudo
– a imensidão do universo – e a limitação para testar
em laboratório algumas de suas teorias. É na matemática dos
cientistas que os modelos se afirmam, permanecendo à espera
de sua confirmação algum dia por novas descobertas
astronômicas ou provas experimentais em aceleradores de
partículas. No momento, o limite da cosmologia é a
flutuação de vácuo, citada nesta reportagem. Para entender
o que existia antes dessa etapa, lembra Francisco Jablonski,
seria preciso avançar mais no conhecimento da gravidade
quântica. "A partir desse ponto só se pode especular
fora do domínio da ciência", diz Hugo Reis.
No
entanto, alguns físicos teóricos e matemáticos vêm
tentando, nas últimas quatro décadas, romper essa barreira
com hipóteses audaciosas que aproximam a física e a
cosmologia das ilações filosóficas e religiosas (o conceito
de formação de matéria por flutuação de vácuo, aliás,
lembra o vazio dos budistas, o útero transcendental onde tudo
é gerado e para onde tudo retorna). É o caso do físico
americano John Archibald Wheeler, colega de Einstein e Niels
Bohr e mentor de vários expoentes da moderna física, que
cunhou a expressão "buraco negro". Aos 90 anos,
Wheeler esforça-se para demonstrar que o universo é real, em
parte, porque nós o observamos. Talvez o cosmo não exista
quando não estamos olhando para ele.
Seus
argumentos se baseiam nas leis (e em experiências de
laboratório) da física quântica, as quais demonstram, por
exemplo, que o comportamento e a trajetória de um elétron
são sempre influenciados pelo observador. Num experimento, o
elétron pode comportar-se como partícula ou como uma onda e
seguir esse ou aquele caminho em sua viagem de um ponto a
outro: o fator decisivo em qualquer das possibilidades será
sempre o "olho" do experimentador. Ao contrário da
física clássica, que traçou uma fronteira rígida entre
objeto e sujeito, na mecânica quântica o universo parece
emergir como um lugar extremamente interativo, pelo menos em
seus níveis fundamentais.
A
conjetura de Wheeler supõe um cosmo onde não apenas o futuro
está indeterminado, mas também o passado. Assim, quando
mergulhamos no tempo em busca de nossa origem – no Big Bang ou na flutuação primordial – seriam as nossas
observações atuais que selecionam uma entre as muitas
histórias quânticas possíveis para o universo. Wheeler, na
verdade, não está só. Físicos renomados, como Andrei Linde,
chegam a considerar que uma teoria de tudo não jamais será
estabelecida com sucesso sem levar em conta a interação
entre a realidade e o observador e mesmo a presença de uma
consciência como fator de construção do universo. A
aventura de decifrar o cosmo está longe de acabar e, talvez,
nunca tenha fim.
PARA
SABER MAIS
Na
Livraria:
O
universo numa casca de noz,
Stephen Hawking, ARX, São Paulo, 2002
O
universo inflacionário,
Alan Guth, Campus, São Paulo, 1998
God
in the Equation, Corey
S. Powell, Free Press, Nova York, EUA, 2002
Instability
Rules, Charles Flowers,
John Wiley & Sons, Nova York, EUA, 2002
The
Big Questions, Richard
Morris, Times Books, Nova York, EUA, 2002
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