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Estive
em La Paz no mês passado. Foi uma viagem inesperada.
Pretendia desfrutar o final de minhas férias num périplo
pela Venezuela, um dos poucos países americanos que
ainda não tive o prazer de conhecer, mas a crise política
venezuelana levou-me a mudar a rota na última hora. Tenho
agora bons motivos para agradecer por esse imprevisto. No
passado
viajara à Bolívia, em serviço jornalístico, mas não
estivera ainda na região do altiplano, onde está La Paz e
toda a série de atrativos andinos, dos quais destaco alguns,
resumidamente, nesta página. O que posso dizer é que, em sua singeleza - e pobreza
- o altiplano boliviano é um raro encanto para quem anda
saturado com viagens pausterizadas aos Estados Unidos e roteiros (quase sempre) engessados
por países europeus
ou para quem simplesmente valoriza o patrimônio cultural
latino-americano, ainda tão desconhecido de nós próprios.
Impressiona
o número de gringos nos hotéis de La Paz. A maioria
jovens, gente antenada com valores ecológicos e a diversidade
cultural ou apenas interessada em experimentar emoções fortes nas
encostas andinas. Alemães, franceses, suiços, canadenses,
alguns poucos americanos. Os argentinos estão por
toda parte. Os brasileiros, festejados num país que
toca axé e samba e vende camisetas com a imagem de Pelé, são muitos no lado oriental,onde
gaúchos e paranaenses tentam fazer dinheiro com soja
na região de Santa Cruz de la Sierra. Mas La Paz
ainda tem poucos turistas que falam português.
E
é fácil chegar à maior cidade boliviana (lembre-se:
a capital da Bolívia é Sucre, onde está a sede do
comando militar boliviano, e não La Paz, onde ficam o
presidente da República e o Congresso). A passagem
aérea custa 504 dólares na Varig, mas convém
consultar as opções do LAB (Lloyd Aéreo Boliviano)
e da Aerosur, empresa que está iniciando vôos entre
La Paz e São Paulo. Há opções mais baratas, por
terra, a partir do Mato Grosso do Sul, inclusive o
chamado "Trem da Morte",mas o desconforto
pode ser insuportável para pessoas idosas ou menos
habituadas a aventuras.
A
estadia é barata. Hotéis de porte médio e
mais simples têm diárias oscilando entre 10 e 50
dólares. É possível ficar bem alojado no centro
histórico da cidade, pagando pouco e comendo
razoavelmente. O Hotel Galeria (Calle Santa Cruz, 583,
tel. 246-1015), bastante freqüentado por gringos, por
exemplo, tem apartamentos com banho privado a partir
de 10 dólares. É um ambiente aconchegante, alegre e
onde se pode desfrutar de um pequeno e
agradabilíssimo restaurante que serve comidas
típicas e pratos internacionais a partir de 3
dólares. Taxistas cobram 6,5 dólares para levar
passageiros do hotel ao aeroporto.
Antes
de viajar, pesquise na Internet. Mas não faça
reserva para todo o período em que pretende
permanecer no
país. Ao chegar, com certeza, descobrirá opções
mais razoáveis e poderá mudar de hotel sem
embaraços.
Vários
estabelecimentos aceitam reais, mas é melhor levar a
moeda americana. Em janeiro a cotação do dólar era
de 7,54 bolivianos; a do real, apenas 1,80 bolivianos.
De qualquer modo, câmbio não é problema. Além dos
bancos e das lojas, centenas de cambistas trocam moeda
dia e noite na avenida 16 de Julio (El Prado), o
centro comercial de La Paz, e na Praça de Los Heroes.
Ao longo da calle Sargánaga e ruas transversais,
centenas de agências de turismo oferecem pacotes de
city tour e opções de passeios ecológicos, prática
de esportes radicais nas montanhas e visitas a sítios
arqueológicos - além,é claro, de shows nas
populares Peñas, restaurantes folclóricos. Os
preços variam ao infinito. É recomendável pesquisar
e pechinchar. Na Bolívia, a exemplo do Brasil, a
pechincha é uma instituição. Sempre se obtém algum
desconto. Além disso, os bolivianos costumam cobrar
mais (e bem mais, em relação aos preços de
tabela) por tudo que é oferecido
aos estrangeiros. Após alguns dias no país, esse
problema pode ser contornado em parte com um pouco de
conversa e simpatia.
O
sistema viário boliviano é precário e o transporte
coletivo (velhos microônibus e vans abarrotadas)
deixa a desejar. Mas o serviço de telecomunicações
é moderno e eficiente. La Paz anda deslumbrada com a Internet. Os postos de acesso à
rede mundial estão em cada esquina (uma
hora de acesso custa de 3 a 5 bolivianos). Uma
peculiaridade eletrônica chama a atenção dos
visitantes: o telefone público celular. Centenas,
talvez milhares, de jovens vestidos com coletes
específicos percorrem as ruas da cidade com telefones
móveis atados a correntes metálicas, oferecendo
chamadas a 1 boliviano o minuto.
Antes
de curtir o altiplano boliviano, no entanto, é bom
saber como vai a saúde. A altitude e o frio ( mesmo
no verão a temperatura cai a 5 graus à noite)
afetam o organismo de quem não está habituado a tais
condições e problemas podem ser maiores para
hipertensos e portadores de arritmias. Os primeiros
dois dias na região devem ser dedicados á
adaptação do organismo. Podem ocorrer palpitações,
tonturas e, às vezes, um pouco de dor de cabeça.
Para superar o problema, os nativos recomendam mastigar
folha de coca, um tipo de medicina natural que na
Bolívia é usada para melhorar a oxigenação do
sangue, ajudar na digestão e no funcionamento dos
rins. Nas ruas, é comum ver-se os bolivianos mais
pobres mascando folha de coca, o que se
explica pelo fato de a planta também disfarçar a
fome. Quanto a mim, superei os transtornos da chegada
apenas com um pouco de repouso e meditação. A ajuda
da folha de coca só foi necessária na subida do
monte Chacaltaya com seus 5 200 metros ornamentados de
gelo.
Subir
e descer, aliás, são operações rotineiras para
quem está em La Paz. A cidade, erguida entre encostas,
praticamente não tem ruas planas. Apenas ladeiras, a
maioria bastante inclinada. Isso não é problema para
os nativos, nem mesmo para bolivianas idosas que sobem
encostas transportando botijões de gás nas costas.
Mas o visitante comum só
consegue vencê-las a passos lentos, respiração ofegante
e muitas paradas para descanso. Se você vai a La Paz,
então, prepare-se.
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Chacaltaya:
JM sobe ao topo do monte onde está a pista de
esqui mais alta do mundo, a 5 200 metros de
altitude, no coração da cordilheira dos
Andes. Meditar aqui é uma experiência direta
incrível
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Tiwanaku: à
frente do templo semi-subterrâneo, um momento
para observar a herança arquitetônica da
civilização pré-inca que construiu
pirâmides e observatórios nos Andes entre os
séculos XIII a.C. e XII d.C. O monolito
Pachamama é uma das grandes atrações. |

Ilha do Sol:
meninas
bolivianas oferecem artesanato da etnia aymara
nas trilhas da ilha, no lago Titicaca,
santuário habitado no passado apenas por
sarcedotes incas. Vale a pena visitar as
ruínas do Templo do Sol. |

Lago
Titicaca: a 4
000 metros de altitude, o pajé aymara
(à esquerda de JM) invoca Pachamama,
a deusa da terra, às margens do lago
quase quatro vezes maior que a
superfície do Rio Grande do Norte.
Convém subir ao morro Calvário para
ter uma visão arrebatadora do lago. |
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Leia
mais:
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em NY
JM
na ilha de Neruda
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