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Ano VII / Nº 310

Texto publicado na edição de 14 de novembro de 2001 da revista EXAME

 


 

Natal investe em hotel do Nordeste inteiro

Um quarto em cada estado   

Por Jomar Morais / Foto Luís Morais

Imagine-se em um ambiente inusitado onde móveis são revestidos de cipós do campo e, na janela, a luz é filtrada por uma cortina feita de fibra de coco. Ali, paredes de taipa substituem divisórias tradicionais, enfeitadas com bandôs de sisal e máscaras de papel machê. A colcha de retalhos e rendas de bilro cobre a cama emoldurada num painel de juta. Bonecos de cangaceiros, personagens do maracatu, mascates e rendeiras enchem de cor e vida os quatro cantos do aposento... Tudo lembra a tradição e o imaginário do sertão do nordeste, mas o cenário de tintas fortes e traços rústicos não está encravado na caatinga. Há três meses, esse é o visual desfrutado por quem se hospeda no Hotel Barreira Roxa, em Natal, uma escola de hotelaria administrada pelo Sebrae nacional, que decidiu apostar no regionalismo como forma de criar sua própria identidade. Os 56 apartamentos do hotel foram batizados com os nomes dos nove estados nordestinos e ganharam decorações inspiradas no estilo de vida e na produção artesanal de cada um. Até o layout das portas foi modificado para marcar os apartamentos com diferentes temas do folclore regional.

Hotéis com decoração temática não chegam a ser uma novidade no país. Os resorts da rede francesa Accord em Costa do Sauípe, na Bahia, por exemplo, seguem esse padrão desde o ano passado. O projeto do Barreira Roxa, no entanto, tem suas peculiaridades e demonstra claramente a intenção de aplicar no setor turístico o slogan cunhado pelo filósofo e economista inglês Fritz Schumacher na década de 70: pensar globalmente e agir localmente. "A idéia era encontrar um diferencial que vinculasse a escola de hotelaria à cultura do Nordeste e ao esforço do Sebrae para promover o pequeno e o microempreendedor", diz Dival Schmidt Filho, gerente-geral do Barreira Roxa. A nova ambientação do hotel foi definida a partir de um concurso que mobilizou arquitetos, designers e artesãos de todos os estados nordestinos, e as peças de decoração não entraram nos apartamentos como simples ornamentos. Elas podem ser compradas pelos hóspedes, detalhe que faz do Barreira Roxa uma vitrine privilegiada para o artesanato sertanejo, um dos segmentos mais importantes da economia regional.

Situado na Via Costeira, o corredor hoteleiro junto à festejada praia de Ponta Negra, o Barreira Roxa oferece serviços que o classificariam como um hotel quatro-estrelas, não fosse o fato de ser um estabelecimento operado por professores e alunos de sua escola de hotelaria, a única do Norte e do Nordeste. Com o projeto temático, acreditam seus idealizadores, abriu-se um novo nicho de mercado para arquitetos, decoradores e artesãos habilitados a atuar com tecnologias de ambientação competitivas. "Não há dúvida de que criamos um novo produto turístico", diz Dival.

 

 

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Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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