Na
ponte Pyrmont, JM observa o
velho Darling Harbour, agora transformado em moderno pólo
de lazer no centro de Sidney. O cenário do passado foi
invadido pela paisagem futurista da grande torre e do
monotrilho |
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Tão
longe, tão linda!
Jovial
e irreverente, a Austrália combina belezas naturais, tecnologia e
qualidade de vida e se torna o destino preferido do resto do mundo
por
Jomar Morais
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Naquele
fim de tarde de verão, eu ainda sentia os efeitos do jet
lag, a fadiga provocada pela mudança de fuso horário após
muitas horas de vôo, quando a visão de um colosso
arquitetônico fez-me perder, talvez por um segundo, a
sensação de pisar o chão e caminhar com o meu próprio
esforço. À minha frente um dos mais belos cartões postais
do mundo: a Opera House de Sidney, na Austrália, o
monumental teatro de mais de 100 milhões de dólares, cujo traçado
lembra os veleiros ingleses que ali aportaram há mais de
200 anos.
A Opera House é um símbolo da saga australiana.
É a evocação simultânea da audácia dos desbravadores,
das raízes de um país longínquo e solitário e da
tragédia étnica dos aborígenes - os nativos
praticamente dizimados pelo branco europeu. O edifício
suntuoso, que abriga cinco teatros e 1 000 divisões,
foi erguido no mesmo lugar da cabana onde um dia Benalong,
o aborígene que teria renegado sua cultura, viveu e
conheceu o fausto e a desgraça no século XVIII. Seduzido
pelas benesses do colonizador, Benalong chegou a ser
recebido na corte, em Londres. Mas acabou como um pária
entre os seus, deprimido e vencido pelo alcoolismo.
Ir
logo à Opera House é um jeito impactante de
iniciar a visita a essa terra de
surpresas. A Austrália é uma experiência inesquecível. E isso vale uma reportagem de primeira
linha, que infelizmente já não me disponho a escrever,
por doce preguiça, nesta minha nova vida de aposentado do
jornalismo e apaixonado pelas rotas mochileiras. Estive na
Austrália e na Nova Zelândia em janeiro passado e, na
ocasião, fui convidado pela revista Viagem e Turismo, da
Abril, - minha última base de atuação
profissional, até 2006 - para escrever um texto sobre o périplo.
Abri mão do convite honroso. Sinto-me, no
entanto, no dever de compartilhar alguns momentos dessa
experiência com os amigos que há anos me prestigiam
neste website Planeta Jota. E o faço agora da forma mais
simples, oferecendo-lhes essas breves recordações e
dicas.
O
que veremos a seguir é parte do que eu
havia preparado anteriormente. Uma pane no micro deletou o
relato e as fotos já editados. Agora, às vésperas de
embarcar para uma nova aventura, dessa vez pela Colômbia
e a Venezuela, tento o possível. Primeiro falemos sobre o
périplo australiano. Na próxima edição, será a vez da
maravilhosa Nova Zelândia. |
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Opera
House, o
teatro monumental que
avança sobre a baía de Sidney, lembra os
antigos navios dos colonizadores ingleses
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Os
cangurus
são símbolos
da Austrália,
mas não
espere vê-los
nas cidades
do litoral. Se
não for ao
interior, a
saída é
apreciá-los
em
zoológicos |

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O
O Parque Nacional das Blue
Mountains tem
clima temperado no verão e atrações como
a pedra Três Irmãs e o passeio de teleférico
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A
Austrália que eu vivi |
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Agitos em Sidney |
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Arte em Brisbane |
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Sol em Surfers Paradise |
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Budismo em Wollongong |
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Tédio em Canberra |
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Galeras brasileiras |
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Sidney vista do rio
Parramata: o passeio por
baías e rios da área encantam o turista
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Os pubs seduzem
a
juventude descrente
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E as igrejas
fazem de
tudo para atrair fiéis
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O
luxuoso
Shopping Center Queen Victoria
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Fim
de tarde junto à
Sidney Harbour
Bridge
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No
alto da Sidney Tower, vista da cidade e cinetour
em três dimensões pela Austrália
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[
Clique Aqui para ver o vídeo Sidney ] |
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SIDNEY
Com
os seus 20 milhões de habitantes e quase 26 mil quilômetros
de litoral, a Austrália é uma ilha de dimensões
continentais e enorme variedade de paisagens e climas.
Pode-se sair da praia ensolarada ou da impressionante
barreira de corais de 300 quilômetros para o deserto e
deste para a montanha ou a floresta. A natureza
multifacetada é completada com uma mistura de
nacionalidades e raças, principalmente nas cidades do
leste. Com um perfil assim, a Austrália só podia ser
um dos maiores destinos turísticos do mundo e o preferido dos
mochileiros e jovens.
O coração desse conglomerado de cores e
culturas é Sidney, uma metrópole encantadora onde
vivem cerca de 8 milhões de pessoas.
A
cidade de arquitetura exuberante, tem trânsito
organizado e um diferencial de dar inveja a quem mora em
qualquer cidade brasileira de mesmo porte: uma enorme
quantidade de parques e áreas verdes equipados com
bancos, banheiros públicos limpos e água potável, um
dos muitos sinalizadores da alta qualidade de vida de
seus habitantes. Sidney lembra Toronto, no Canadá, o
que não é mero acaso. Canadá e Austrália foram
colonizados pelos britânicos e hoje integram a commonwealth
do Reino Unido, a comunidade dos países que um dia
integraram o vasto império dos ingleses. Suas ruas têm
até as árvores de Maple, com aquela folha naturalmente
“estilizada” que ganhou status de símbolo nacional
na bandeira canadense.
Os
jovens estão em toda parte e ajudam a manter o clima
festeiro que a cidade exala o tempo inteiro em suas praças,
pubs, restaurantes (alguns até aceitam que o cliente
leve a bebida) e lanchonetes. Nas altas horas,
infelizmente o número de pessoas embriagadas e drogadas
aumenta em áreas como o centro, Chinatown e Darlinghurst. Ainda assim, Sidney pode ser considerada
uma cidade segura, com presença ostensiva da polícia e
câmeras em muitas regiões. Tive a sorte de estar na
cidade no Australian Day, 26 de janeiro, data em que se
comemora a descoberta do país com espetáculos de luz e
fogos, shows no Circular Quay e no The Rocks (área que
preserva as construções erguidas pelos britânicos no
século XVIII) e muita gente nas ruas. Mas em todos os
dias de verão os parques da cidade estão repletos de
gente e atrações. Sidney é uma cidade que nos convida
a caminhar – e eu cheguei a caminhar 8 horas num único
dia -, mas para quem quer agilidade e conforto, há um
bom serviço de trens urbanos e ônibus nem sempre
baratos. Na área central, um
moderno monotrilho, espécie de metrô suspenso,
une áreas de lazer e de comércio. |
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BLUE
MOUNTAINS
Este
parque nacional (eles são 10 mil na Austrália!)
é uma ótima opção para um dia de relax e
contato com a natureza, a 1 100 metros de
altitude, sem se afastar muito de Sidney. O azul do nome
vem da constante neblina que reflete o azul do
espectro solar. As grandes atrações estão na
região de Katoomba, uma cidadezinha que no
passado abrigou uma indústria mineira de carvão.
São espécies nativas, cachoeiras, pedras
esculpidas pela natureza (como a das Três Irmãs
e a do Cachorro) minas desativadas, trilhas e um
teleférico que une duas montanhas. Pode-se chegar
de trem ou de ônibus, pagando em torno de 10
dólares. Mas o melhor é contratar um tour de um
dia, com direito a almoço, visita à Vila Olímpica
que fica no caminho (lembre-se: a Austrália sediou
as Olimpíadas de 2000) e volta a Sidney de barco
pelo rio Parramata, a partir da metade do
trajeto. Contratei tudo isso por 60 dólares, sem
sair do hostel. O ônibus confortável me
pegou na porta.
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As
pranchas transformadas em monumentos (ao alto)
não deixam dúvidas: Surfers é um lugar onde se
curte ondas.
O bungee jumping a 120 metros do chão (à esquerda)
virou um rito de passagem para os visitantes |
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SURFERS
PARADISE
Ao contrário do
que parece, esta
não é a melhor praia australiana para a prática de surf e
sim um balneário da cidade de Gold Coast, a cerca de 600
quilômetros ao norte de Sidney, que caiu no gosto do mundo
e também de jovens mochileiros. Sua infra-estrutura turística
é impecável. O local é uma festa para visitantes de todos
os níveis. Hotéis, restaurantes, bares, boates, agito nas
ruas, bungee jumping, carrões da década de 60 modificados
e... escolas de surf para honrar o nome do local.
Além
da praia, nem tão bela assim, vale curtir o fim de tarde
nos calçadões, onde artistas populares percorrem galerias
animando a clientela com boa música. Não pousei em
Surfers. Preferi alojar-me em Brisbane, 100 quilômetros
adiante, e peguei um dos muitos ônibus diários que ligam a
cidade à Golden Coast. Aqui, a natureza presentou a
Austrália com um outro cenário paradisíaco: os mais de
400 quilômetros de canais navegáveis que se espalham
dentro e no entorno da cidade, conhecida por seus muitos
parques temáticos. A população local é de 376 mil
habitantes, mas a cidade acolhe 2 milhões de visitantes por
ano.
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A arte de
Andy Warhol é um dos destaques na
imperdível Galeria de Arte de Queensland
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BRISBANE
Ela
é uma das queridinhas dos australianos. Todos querem viver
aqui. Tranqüila, apesar de seus 1,5 milhões de habitantes,
a cidade transpira arte, cultura, juventude e celebrações
às margens do rio Brisbane, que serpenteia por seus
bairros. É um destino ideal para quem curte a vida noturna,
museus, teatros e raves. Um endereço imperdível é o
complexo Centro Cultural de Queensland (o estado onde está
a cidade), que reúne museus, a Galeria de Arte de
Queensland, teatros e tem como vizinho o South Bank
Parkland, uma enorme área verde à beira rio, com direito a
piscinão, restaurantes e um pequeno templo budista (pagode). Apesar das 13 horas de duração, é melhor viajar
de ônibus a Brisbane, a fim de aproveitar a linda paisagem
do litoral ao norte de Sidney..
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O majestoso
cassino de Brisbane apresenta shows de primeira linha com entrada
grátis
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Casarões e
edifícios dos séculos XVIII e XIX
foram preservados no centro de Brisbane
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CANBERRA
A
capital da Austrália é uma cidade projetada, como
a nossa Brasília. Foi construída para por fim à
disputa política entre as eternas rivais Sidney e Melbourne
e recebeu um nome aborígene que significa “lugar de
encontro”. Como Brasília, está numa área de cerrado e
clima quente e seco. Não é de estranhar que também tenha
um lago artificial. E que tenha uma vida tediosa para a
expectativa do turista. Ainda assim vale a pena visitá-la
(ela está a apenas 3h30m de Sidney, de ônibus) e conhecer
suas duas principais atrações: o bilionário e esquisito
complexo arquitetônico do novo Parlamento e o Museu
Nacional. No topo do mastro da bandeira, no Parlamento, há
um mirante de 360 graus com vista total da cidade.
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O novo
Parlamento Australiano, em Canberra:
obra de 1 bilhão de dólares, com super-mirante
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Farol de
Wollongong: uma opção para o fim
de tarde diante das águas do oceano
Pacífico
Templo Nan
Tien: nas paredes do salão
principal 10 000 budas esculpidos
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WOLLONGONG
Aos
poucos, esta pequena cidade a 80 quilômetros de Sidney vai
deixando no passado suas indústrias e abrindo os braços ao
turismo. É possível alcançá-la em 1h30 de viagem de trem
(7 dólares) e passar um dia agradabilíssimo em suas praias
tranqüilas, deliciando-se com o cenário da baía e da marina
junto ao velho farol. Ou, então, optar pelo desbravamento das escarpas Illawarra
no outro extremo da cidade. Fui lá, no entanto, para conhecer
uma atração imperdível na estrada entre Wollongong e Berkeley:
o templo Nan Tien, o maior templo budista do hemisfério sul,
mantido por monges chineses. Espalhados entre jardins
japoneses deslumbrantes existem, além do templo, um pagode,
esculturas em tamanho natural de budas e monges em diferentes posturas, restaurante e um
pequeno, mas confortável, hotel para quem vai fazer retiro.
Não deixe de subir as escadarias que levam ao pagode.
Aproveite para meditar sob árvores ao lado de um dos muitos
budas em pedra sabão. Para chegar ao templo, pegar o
ônibus nº 34, para Berkeley, junto ao Crown Street Mall (4
dólares) e pedir ajuda ao motorista.
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GALERA
BRAZUCA
É
difícil circular em Sidney sem ouvir pelo menos uma palavra
em português. O idioma oficial da Austrália é o inglês, mas a cidade
cosmopolita exibe nas ruas a sua babel com diálogos em chinês,
japonês, coreano, hindi (indianos), espanhol, árabe... São
estudantes e outros jovens que chegaram para ganhar a vida num país
que, até há pouco, tinha escassez de mão-de-obra e
escancarava as portas da imigração. Os
brasileiros batem ponto em toda parte. Muitos são
veteranos, como a carioca Kátia di Bello, que chegou a Sidney há 25
anos. Seus filhos e o ex-marido australiano são donos da
Pizzaria Mario, onde se come uma das melhores pizzas da
cidade. A fé também reúne brasileiros. A paraense Gloria
Collaroy, há 23 anos no país, fundou a Franciscans
Spiritist House, um centro espírita que é também ponto de
encontro de brasileiros na
1
Lister Avenue, em Rockdale, na região metropolitana
de Sidney.
Além de reuniões de caráter religioso, com base na
Doutrina Espírita, são realizados no local almoços e
outros eventos de confraternização, cujas rendas
beneficiam instituições de assistência social no Brasil.
Convidado por Gloria, dei uma palestra para os freqüentadores do centro e fui
depois homenageado com um almoço repleto de carinho brazuca.
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Lanchonete
brasileira em Surfers Paradise:
aqui tem até coxinha e guaraná Antárctica

JM
(à dir.) com a carioca Kátia e seus filhos na
pizzaria
da família na Bourke Street Surry Hills
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Franciscans
Spiritist House: Espiritismo à
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| Onde
fiquei, sem ficar duro |
Em
Sidney

The
George, hostel
em Chinatown: US$ 45 |
Em
Brisbane

Palace
Backpackers,
no centro: US$ 28 |
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| Onde
comi barato: nos
restaurantes orientais a quilo do Market City, em
Chinatown, Sidney Traslado/aeroporto:
trem (US$ 11),
van (US$ 15) |
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