Solução para US$ 120 milhões
Quem diria... Um dos projetos de indústria de base concebidos nos anos 70 pelo governo militar, em nome do desenvolvimento econômico autônomo e da segurança nacional, deve sair finalmente do papel neste semestre, graças à abertura do país ao capital estrangeiro e às regras do mercado. Trata-se da Alcanorte, a planta de barrilha que há duas décadas começou a ser erguida em Macau, no Rio Grande do Norte, chegou a consumir 120 milhões de dólares do contribuinte e jamais conseguiu produzir um só grama desse insumo empregado na fabricação de mais de 2 000 produtos industriais, comoo o vidro e materiais de limpeza.
Na semana passada, executivos da U. S. Salt Corporation, uma das cinco maiores produtoras de barrilha do mundo, e da Florida Power and Light, uma geradora de energia, reuniram- se no Rio de Janeiro com os representantes do Grupo Fragoso Pires -- que há quatro anos adquiriu o controle da estatal, mas não conseguiu ativá-la por falta de recursos -- e ali deslancharam as negociações para a compra da Alcanorte. A Florida Power espera participar da usina termoelétrica, de 400 megawatts, que vai fornecer energia para a fábrica de barrilha e demais unidades previstas para o chamado Pólo Gás-Sal, em implantação junto à área onde a Petrobrás extrai hoje cerca de 4 milhões de metros cúbicos diários de gás natural e próximo às maiores salinas potiguares.
Além de pagar o preço acertado com os atuais donos, os americanos terão de investir mais 70 milhões de dólares para colocar a Alcanorte em operação, calcula o presidente da Fiern, Abelírio Rocha. A usina termoelétrica exigiria outros 180 milhões de dólares, mas neste caso está acertada uma parceria com o governo do Rio Grande o Norte, o Grupo Coteminas e a Petrobrás, que garantiu a redução do preço do gás em troca de isenção da taxa de licença para exploração de petróleo.
O interesse da U.S. Salt se justifica: o Brasil só produz 25% da barrilha
consumida no país e o único produtor nacional, a Companhia Nacional de
Álcalis, ex-estatal controlada pelo Grupo Fragoso Pires, não tem demonstrado
fôlego na competição com os estrangeiros.