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Ano IX
 Nº 335

Texto publicado 
na revista Vida Simples, edição de janeiro de 2004

 

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Para domar a raiva

Por Jomar Morais 

Na Roma antiga, o filósofo estóico Sêneca costumava descrever a raiva  como “a mais hedionda e frenética das emoções”. Ela está na raiz da violência que, por sua vez, é uma das principais e mais visíveis ameaças à sobrevivência da humanidade, aos valores humanos e ao ambiente. Nos últimos anos, vários estudos científicos comprovaram o que a experiência já havia nos ensinado: a raiva e a sua forma superlativa - o ódio – enfraquecem as defesas do organismo e são uma causa  importante de doenças e morte prematura. O impulso colérico é relacionado, inclusive, a algumas manifestações do câncer. Além disso, por destruírem a nossa serenidade mental e a nossa virtude, a raiva e o ódio podem ser considerados os maiores obstáculos ao desenvolvimento da  compaixão e do altruísmo.

Segundo o Dalai Lama, líder do budismo tibetano, não é possível superar tais emoções apenas suprimindo-as ou fingindo que elas não existem. Deixar a raiva e o ódio fluírem sem controle, na esperança de nos livrarmos deles por sua simples vazão, também não resolve. Nesse caso, segundo o psicólogo e pesquisador da raiva Aaron Siegman, da Universidade de Maryland (EUA), há indícios de que é exatamente a expressão repetida da fúria que aciona as reações bioquímicas nocivas ao organismo. A solução é evitá-la ou transformá-la pelo cultivo de seus antídotos: a paciência e a tolerância. “Um resultado espontâneo da paciência e da tolerância é o perdão”, diz o Dalai Lama.

Em seu livro Medicina Espiritual, o médico Herbert Benson, da Universidade Harvard, propõe uma técnica simples para abortar a raiva onde quer que ela nos surpreenda, inclusive nos congestionamentos de trânsito. Primeiro, pare. Então, respire para liberar a tensão física. Reflita, fazendo perguntas a si mesmo (por exemplo: por que estou tão nervoso?). E, finalmente, opte. Com esse exercício descobrimos que podemos limitar as emoções negativas disparadas pelas situações estressantes, mudando as opiniões e os humores que conspiram em nossa mente.

 

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Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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