Na
Roma antiga, o filósofo estóico Sêneca costumava
descrever a raiva
como “a mais hedionda e frenética das emoções”.
Ela está na raiz da violência que, por sua vez, é uma das
principais e mais visíveis ameaças à sobrevivência da
humanidade, aos valores humanos e ao ambiente. Nos últimos
anos, vários estudos científicos comprovaram o que a
experiência já havia nos ensinado: a raiva e a sua forma
superlativa - o ódio – enfraquecem as defesas do
organismo e são uma causa
importante de doenças e morte prematura. O impulso
colérico é relacionado, inclusive, a algumas manifestações
do câncer. Além disso, por destruírem a nossa serenidade
mental e a nossa virtude, a raiva e o ódio podem ser
considerados os maiores obstáculos ao desenvolvimento da
compaixão e do altruísmo.
Segundo
o Dalai Lama, líder do budismo tibetano, não é possível
superar tais emoções apenas suprimindo-as ou fingindo que
elas não existem. Deixar a raiva e o ódio fluírem sem
controle, na esperança de nos livrarmos deles por sua
simples vazão, também não resolve. Nesse caso, segundo o
psicólogo e pesquisador da raiva Aaron Siegman, da
Universidade de Maryland (EUA), há indícios de que é
exatamente a expressão repetida da fúria que aciona as reações
bioquímicas nocivas ao organismo. A solução é evitá-la
ou transformá-la pelo cultivo de seus antídotos: a paciência
e a tolerância. “Um resultado espontâneo da paciência e
da tolerância é o perdão”, diz o Dalai Lama.
Em
seu livro Medicina Espiritual, o médico Herbert
Benson, da Universidade Harvard, propõe uma técnica
simples para abortar a raiva onde quer que ela nos
surpreenda, inclusive nos congestionamentos de trânsito.
Primeiro, pare. Então, respire para liberar a tensão física.
Reflita, fazendo perguntas a si mesmo (por exemplo: por que
estou tão nervoso?). E, finalmente, opte. Com esse exercício
descobrimos que podemos limitar as emoções negativas
disparadas pelas situações estressantes, mudando as opiniões
e os humores que conspiram em nossa mente.