Talvez
nenhum outro admirador de Mohandas Karamchand Gandhi, o
Mahatma Gandhi, tenha se referido com tanta ênfase ao líder
indiano quanto o físico Albert Einstein. “Pode ser que as
gerações vindouras dificilmente acreditem que alguém como
Gandhi, em carne e osso, caminhou um dia sobre a Terra”,
disse Einstein. É difícil não pensar assim após ler ou
ouvir sobre a vida e a obra daquele homem de aparência frágil,
nascido numa pequena vila da Índia colonial, em 1869, que
foi ao mesmo tempo pensador, estrategista político e místico
como poucos na história da humanidade. O título Mahatma,
que lhe foi atribuído pelo poeta Rabindranath Tagore, quer
dizer magnânimo ou grande alma e expressa o traço que
permeia as diferentes facetas de sua atuação, até o
instante em que foi assassinado por um fanático em 1948.
“Gandhi
foi um gigante moral, um gênio ético que, como político,
se recusou a traçar uma linha nítida entre a ética da
vida cotidiana e a das autoridades”, diz Johan Galtung,
cientista social norueguês especialista em teoria dos
conflitos. Na sua visão, a interação entre as pessoas, a
política e a economia estão submetidas à mesma lei que
governa o universo, que se reflete na inexorável relação
entre causa e efeito. Devoto de Rama, avatar de Vishnu - um
dos aspectos da trindade divina hinduísta -, Gandhi
aprendeu com os pais os fundamentos do ahimsa. No entanto,
somente ao sentir na pele o peso da discriminação na África
do Sul, onde fora exercer a advocacia após concluir seus
estudos em Londres, no início do século passado, se deu
conta de que o valor religioso era também um instrumento de
luta social. Suas campanhas não-violentas pelos direitos
dos indianos que viviam na África do Sul foram parcialmente
vitoriosas. O ápice de sua missão seria alcançado mais
tarde em seu próprio país, com a organização da resistência
pacífica ao domínio inglês – dos jejuns às campanhas
de desobediência civil –, que resultou na libertação da
Índia, em 1947. Na segunda metade do século XX, diversos
movimentos políticos que se opunham a governos e situações
opressores adotaram, nem sempre com a pureza gandhiana, a não-violência
como estratégia de ação - e muitos alcançaram vitórias
expressivas, como é o caso da luta liderada por Nelson
Mandela contra a apartheid na África do Sul e a
queda do Muro de Berlim, com a reunificação da Alemanha.
Humilde,
Gandhi considerava-se um buscador da verdade.
Mantinha a mente aberta e dialogava com cristãos e
muçulmanos, respeitando as diferenças entre eles. Para
ele, a paz anda de mãos dadas com a simplicidade e o
autocontrole.