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Ano IX
 Nº 335

Texto publicado 
na revista Vida Simples, edição de janeiro de 2004

 

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Gandhi, a paz e a simplicidade

Por Jomar Morais 

Talvez nenhum outro admirador de Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma Gandhi, tenha se referido com tanta ênfase ao líder indiano quanto o físico Albert Einstein. “Pode ser que as gerações vindouras dificilmente acreditem que alguém como Gandhi, em carne e osso, caminhou um dia sobre a Terra”, disse Einstein. É difícil não pensar assim após ler ou ouvir sobre a vida e a obra daquele homem de aparência frágil, nascido numa pequena vila da Índia colonial, em 1869, que foi ao mesmo tempo pensador, estrategista político e místico como poucos na história da humanidade. O título Mahatma, que lhe foi atribuído pelo poeta Rabindranath Tagore, quer dizer magnânimo ou grande alma e expressa o traço que permeia as diferentes facetas de sua atuação, até o instante em que foi assassinado por um fanático em 1948.

“Gandhi foi um gigante moral, um gênio ético que, como político, se recusou a traçar uma linha nítida entre a ética da vida cotidiana e a das autoridades”, diz Johan Galtung, cientista social norueguês especialista em teoria dos conflitos. Na sua visão, a interação entre as pessoas, a política e a economia estão submetidas à mesma lei que governa o universo, que se reflete na inexorável relação entre causa e efeito. Devoto de Rama, avatar de Vishnu - um dos aspectos da trindade divina hinduísta -, Gandhi aprendeu com os pais os fundamentos do ahimsa. No entanto, somente ao sentir na pele o peso da discriminação na África do Sul, onde fora exercer a advocacia após concluir seus estudos em Londres, no início do século passado, se deu conta de que o valor religioso era também um instrumento de luta social. Suas campanhas não-violentas pelos direitos dos indianos que viviam na África do Sul foram parcialmente vitoriosas. O ápice de sua missão seria alcançado mais tarde em seu próprio país, com a organização da resistência pacífica ao domínio inglês – dos jejuns às campanhas de desobediência civil –, que resultou na libertação da Índia, em 1947. Na segunda metade do século XX, diversos movimentos políticos que se opunham a governos e situações opressores adotaram, nem sempre com a pureza gandhiana, a não-violência como estratégia de ação - e muitos alcançaram vitórias expressivas, como é o caso da luta liderada por Nelson Mandela contra a apartheid na África do Sul e a queda do Muro de Berlim, com a reunificação da Alemanha.

Humilde, Gandhi considerava-se um buscador da verdade.  Mantinha a mente aberta e dialogava com cristãos e muçulmanos, respeitando as diferenças entre eles. Para ele, a paz anda de mãos dadas com a simplicidade e o autocontrole. 

 

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Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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